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O “pai do movimento abortista” e a sua cruzada contra a Igreja Católica

Lawrence Lader

BOB STRONG | AFP

Russell Shaw - publicado em 29/05/22 - atualizado em 26/05/22

O eugenista Lawrence Lader previu: "uma vez que o sexo tiver sido separado da gravidez, a Libertação das Mulheres poderá construir a sua própria ética sobre o monte de cinzas da moral puritana"

Em meio à controvérsia de uma possível revisão do caso Roe v. Wade, a decisão de 1973 que legalizou o aborto nos EUA, a retórica dos redatores e comentadores favoráveis ao aborto tem sido inflamada. Diz um editorial do New York Times: “Se pensavam que Roe v. Wade em si levou à discórdia e à divisão, basta esperar até que se vá embora”. Será isso uma previsão ou uma ameaça?

Nesta altura de paixões desenfreadas, faz sentido recordar o sábio ditado de T.S. Eliot: “O fim é de onde se começa,” e refletir sobre o que os fundadores do movimento abortista viram realmente como fins últimos. E sobre essa questão nenhuma fonte fala com mais autoridade do que Lawrence Lader.

Provavelmente poucas pessoas hoje se lembram de Lader, mas a escritora feminista Betty Friedan declarou-o admiravelmente “o pai do movimento do aborto”. Entre outras coisas, escreveu o livro mais influente sobre a defesa do aborto antes de Roe, e o seu trabalho foi citado nove vezes pela opinião majoritária nesse caso. Aos 86 anos de idade, ele continuava a ser uma das vozes mais fortes da cruzada a favor do aborto, até à sua morte em 2006.

Lader foi um jornalista que escreveu para revistas nos anos após a Segunda Guerra Mundial. Os seus 11 livros incluíam uma biografia de Margaret Sanger, fundadora da Planned Parenthood, e um volume que discutia o caso da pílula abortiva RU-486. Como líder do movimento abortista, foi co-fundador de um grupo chamado National Association for the Repeal of Abortion Laws – agora, NARAL Pro-Choice America.

Entre os alvos do fanatismo de Lader estava a Igreja Católica. No seu livro Politics, Power, and the Church, argumentou que em temas como aborto e divórcio, a Igreja “procurou legalizar os seus códigos morais”. Em 1988-89 entrou com uma ação exigindo o fim do estatuto de isenção de impostos da Igreja, mas esse esforço não levou a lado nenhum.

O ponto alto da sua defesa do aborto foi inquestionavelmente o livro Abortion. Publicado por Bobbs-Merrill, o livro foi lançado em 1966, pouco depois de uma decisão do Supremo Tribunal (Griswold v. Connecticut) ter anulado um antigo estatuto anticontracepção de Connecticut. Um volume seguinte, Abortion II, foi ainda mais virulento.

O que tinha Lader em mente, então, exatamente? Deixe-mo-lo falar por si próprio.

O aborto – declarou ele – era “a liberdade final” para as mulheres. Mas liberdade para quê? O aborto seria “a principal arma contra o sexismo e o ‘imperativo biológico’ – a prisão da procriação indesejada”. Mas isso não era tudo. “Uma vez que o sexo tiver sido separado da gravidez, a Libertação das Mulheres poderá construir a sua própria ética sobre o monte de cinzas da moral puritana”. E, por fim, a “feminista mais radical” (e, ao que parece, o próprio Lawrence Lader) “quer uma revolta ainda mais radical – o fim da família nuclear”.

Vale a pena notar o matiz da eugenia na escrita de Lader. Normalmente está camuflada em linguagem supostamente bonita (“que cada criança seja uma criança querida”), mas aqui e ali essa linguagem se rompe, como neste caso: “Acima de tudo, a sociedade deve compreender a relação sombria entre crianças indesejadas e a revolta violenta de grupos minoritários”.

Aborto, eugenia, destruir a família nuclear, acabar com a moralidade sexual, silenciar a Igreja Católica. Estes foram alguns dos objetivos perseguidos pelo pai do movimento abortista numa longa, notavelmente bem sucedida, e altamente destrutiva carreira.

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