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3 formas de sentir a dor… e por que isso é tão importante

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Dev Asangbam | Unsplash CC0

Tom Hoopes - publicado em 08/06/22

Pensamos que a forma específica como aceitamos a dor é também a forma como ela deve ser tratada - mas nem sempre é assim

Se há algo que os seres humanos sempre procuraram evitar, é a dor. Quer seja física, psicológica, social, ou mesmo espiritual, a dor é temida e desprezada por todos nós.

É também cara. Uma pesquisa concluiu que os custos totais (em dólares de 2010) variavam entre 560 e 635 bilhões de dólares anuais nos Estados Unidos, com custos adicionais de saúde que variavam entre 261 e 300 bilhões de dólares. Estimou-se que o valor da produtividade perdida se situava entre 299 bilhões de dólares e 335 bilhões de dólares por ano. Os custos da dor são superiores aos de diabetes, câncer e doenças cardíacas.

Infelizmente, apesar de todas as tentativas para reduzir a dor na nossa sociedade, não há provas claras de que a nossa sociedade esteja a sentir menos desconforto.

Consequências

As respostas à dor, tais como o desenvolvimento e uso generalizados de opiáceos exógenos, foram parcialmente responsáveis pela epidemia de opiáceos, que cobrou mais de 70.000 vidas em 2019. Para além das mortes, estima-se que mais de 10 milhões de pessoas utilizaram indevidamente opiáceos com receita médica no último ano.

Ao lidarmos com esta epidemia, em conjunção com as dificuldades da dor em geral, convém-nos considerar todas as formas de enfrentá-la de uma forma saudável e holística.

Serve também para lembrar que, como Scott Jurek disse uma vez, “nem toda dor é significativa” [ou seja, reflexo de uma condição grave a ser abordada]. Compreender o que é e o que não é faz parte da equação evolutiva. Pois por pior que a dor seja, a única coisa pior seria se ela não existisse. Ou seja, ela tem uma função extremamente importante.

Quer seja um ligamento rompido ou uma relação pouco saudável, a dor é concebida como um marcador claro para nos fazer saber que algo está errado, e deve ser monitorada e/ou tratada.

O problema da dor

Ao longo dos anos, escrevi vários artigos refletindo sobre remédios psicológicos e espirituais para a dor, conselhos profissionais sobre soluções holísticas, lições sobre transcendência dolorosa, ensinando aos nossos filhos como lidar com a dor, e/ou oportunidades que a dor oferece para crescer de várias formas.

No entanto, recentemente, enquanto assistia a um webinar sobre a dor dado por um colega, dei por mim a refletir profundamente sobre um dos mais simples slides apresentados.

Ele observou que a dor é de natureza tripartida: emocional, sensorial e cognitiva (ESC). Embora não houvesse nada de inovador nesta ideia, quanto mais pensava nesta realidade, mais parecia que um dos maiores problemas com a dor era o mesmo problema que temos com tantos aspectos da nossa vida (e da nossa fé): nós a compartimentamos.

Dito de outra forma, assumimos muitas vezes que a forma específica como a dor é recebida é também a forma como ela deve ser tratada.

Por exemplo, assumimos que se a dor é decorrente de uma lesão física, utilizamos meios físicos para a tratar (por exemplo, gelo, ibuprofeno, etc.). Se estamos a lutar contra uma separação dolorosa ou uma circunstância traumática, recorremos frequentemente a métodos sociais ou psicológicos para lidar com a mesma. Claro que nem sempre é este o caso, mas é muito comum que a natureza humana trate uma “cicatriz” da mesma forma como ela surgiu.

Realidade multifacetada

A realidade, porém, é que se a dor é multifacetada em geral, então é razoável supor que a melhor resposta deve ser também desta forma.

Na nossa busca de alívio imediato, ou apenas de diminuição da dor crónica, é compreensível que tratemos a dor como um inimigo e não como um informante e um adversário.

Mas e se dentro de toda a nossa dor, e da nossa resposta natural para nos querermos livrar dela, nós, como povo, cultivássemos uma abordagem completamente diferente, uma abordagem concebida mais para o crescimento e cura a longo prazo, em vez de apenas paliação imediata?

Mais uma vez, não estou a dizer que não devemos procurar alívio imediato em alguns casos, especialmente aqueles que são excruciantes e insuportáveis. Mas e se ao tentarmos escapar à nossa dor, olhássemos para todos os tipos de possíveis remédios saudáveis que incorporassem o mundo sensorial, cognitivo e emocional – e não apenas a fonte dos próprios sintomas?

Um componente chave na mudança da nossa abordagem à dor

Não podemos continuar a olhar para a dor como um inimigo a ser vencido nem um inimigo a ser desprezado. Para aqueles indivíduos raros que não conseguem sentir dor, eles compreendem mais do que a maioria que a dor é como qualquer outra experiência natural, como a alimentação ou a percepção, desde que permaneça de acordo com o desígnio de Deus.

Sem dor, não teríamos ideia de que algo está errado, o que coloca em sério risco todo o tipo de calamidades físicas, psicológicas, sociais e espirituais. Quando vemos a dor como um inimigo, ela aumenta a probabilidade de a sentirmos, e assim aumenta a nossa resposta a ela a curto e longo prazo. A investigação já provou há muito tempo o que os seres humanos já sabem: quando abordamos algo (ou alguém) como uma ameaça, esta mentalidade permeia o nosso ser, tornando difícil a mudança para um lugar mais equilibrado, e potencialmente formativo.

A dor irá sempre doer, tal como deveria. Mas à medida que a nossa sociedade tenta encará-la como um problema multi-bilionário, e há uma epidemia crescente em resposta a ela, escapar à dor não pode acontecer enquanto não voltarmos para ela, e reconsiderarmos que abordagem estamos a tomar. Talvez a dor não seja afinal o inimigo, mas a forma como o tratamos.

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