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“Conversando sobre a Bíblia”

kobieta modli się z Pismem Świętym przy stole

New Africa | Shutterstock

Vanderlei de Lima - publicado em 03/07/22

Sem a fé não se consegue extrair da Bíblia o seu imenso tesouro espiritual para nós, de modo individual e comunitário

“Conversando sobre a Bíblia: perguntas e respostas” é o título da obra escrita por Margarida Hulshof, esposa, mãe e avó, que, por longos anos, escreveu sobre temas da fé católica e, depois, reuniu suas reflexões em vários livros. Este sobre a Bíblia (Cultor de Livros), lançado em 2017, alcançou, já no ano seguinte, a segunda edição.

Logo nas páginas 15-16, a autora apresenta a razão de ser de sua obra. Diz ela: “Tendo atuado por vários anos na área da catequese, pude perceber a grande importância de uma adequada formação bíblica. A leitura individual e comunitária da Bíblia foi sendo cada vez mais valorizada em todos os ambientes eclesiais a partir do Concílio Vaticano II, e de forma especial na catequese, cuja metodologia tornou-se essencialmente bíblica, e depois também celebrativa e querigmática”. E continua: “Dessa popularização da Bíblia surge, como consequência natural, a necessidade do estudo, do conhecimento, de uma adequada capacitação para interpretar e compreender corretamente a Palavra de Deus, especialmente o Antigo Testamento”.

Um pouco adiante, Margarida constata a oposição entre a interpretação terrena ou horizontalista da Palavra de Deus escrita e a sobrenatural ou verticalista, que é a correta. Afinal, sem a fé não se consegue extrair da Bíblia o seu imenso tesouro espiritual para nós, de modo individual e comunitário: “Não é tão difícil encontrar subsídios de qualidade para o estudo bíblico, pois há muito material disponível. E também não é tão complicado, nem tão demorado assim, adquirir a formação básica indispensável. A maior dificuldade, a meu ver, é de outro tipo… e não atinge apenas o estudo bíblico, mas todo o processo catequético, a liturgia e até a própria teologia. Essa dificuldade reside principalmente na tendência que se manifestou nas últimas décadas entre os teólogos e biblistas, a uma interpretação demasiadamente racional ‘terrena’ da Bíblia” (p. 16).

Por fim, a autora louva as novas pesquisas, mas diz que elas só trazem benefícios ao se manterem fiéis ao Magistério da Igreja, única instância apta a interpretar corretamente a Palavra de Deus (cf. Catecismo da Igreja Católica n. 84-95). Com efeito, “os novos estudos, ideias e teorias são bem-vindos e podem ser benéficos à Igreja, mas a exegese bíblica, assim como a teologia, só será autêntica e confiável se se mantiver fiel ao Magistério da Igreja em comunhão com o Papa, pois essa é a única instância garantida pelo Espírito Santo. Temos visto ultimamente uma avalanche de interpretações bíblicas não autorizadas sendo difundidas e ensinadas como verdade inquestionável, sem levar em conta a limitada capacidade de assimilação e de crítica das pessoas comuns… Esse descuido e falta de prudência tem sido causa de escândalo e de confusão para muitos fiéis, além de contaminar lamentavelmente a formação dos seminaristas. A maioria dos textos incluídos neste livro é uma tentativa de esclarecer essas dúvidas e confusões, em resposta a perguntas que me foram dirigidas pelos leitores da minha coluna no jornal católico ‘O Lutador’” (p. 17).

Nas páginas 45 a 64, a autora trata da longa e, portanto, lenta formação da Bíblia e das suas línguas originais, ou seja, o hebraico, o aramaico e o grego. A título de demonstração da união entre a exegese (= interpretação) científica e a espiritualidade teológica, citemos as palavras de Margarida sobre o triste episódio de Caim e Abel (Gn 3,4-5): “A grande lição que o texto nos ensina é: o pecado rompe a fraternidade. Longe do amor de Deus (paraíso), os homens tornam-se incapazes de amar, e deixam-se dominar pela inveja, pelo ódio, pelo desejo de vingança. Quem não é pecador, torna-se vítima, como aconteceu com Jesus, de quem Abel é figura. Quem tem o coração mau, não suporta os bons, porque estes, com a sua vida, denunciam seu pecado” (p. 91).

Três destaques finais: a linha do tempo, p. 395-399, ficou excelente. Também é esclarecedora a nota 19 da página 140. Apenas sugerimos a troca da expressão “dia-a-dia”, na p. 16, por dia a dia (sem hífen). 

Parabéns à Margarida Hulshof, destemida missionária, por mais esta obra!

Mais informações em: https://www.cultordelivros.com.br/produto/conversando-sobre-a-biblia-78447

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