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Pesquisadora afirma: Daniel Ortega odeia a Igreja e a fé cristã

Daniel Ortega e Rosario Murillo

Cesar PEREZ / Nicaraguan Presidency / AFP

Daniel Ortega e Rosario Murillo

Francisco Vêneto - publicado em 04/07/22 - atualizado em 04/07/22

Regime ditatorial da Nicarágua, que se ampara em militâncias de esquerda, é considerado ilegítimo por grande parte dos países

O ditador Daniel Ortega, da Nicarágua, odeia a Igreja e a fé cristã, afirma a pesquisadora e advogada Martha Patricia Molina Montenegro, do Observatório Pró-Transparência e Anticorrupção. Martha Patricia assina um relatório que registra os cerca de 200 ataques sofridos pela Igreja Católica no país em menos de 4 anos.

Em declarações à agência católica de notícias ACI Prensa, ela denuncia que a Nicarágua vive “uma ditadura excessivamente sangrenta” comandada por Daniel Ortega e pela sua esposa Rosario Murillo, que é também a vice-presidente do país. Segundo Martha, aliás, tanto Ortega quanto Rosario “sempre odiaram a Igreja Católica e tudo o que reflete a fé cristã”.

O relatório realizado pela advogada se intitula “Nicarágua: uma igreja perseguida? (2018-2022)”. O levantamento registra 190 ataques contra a Igreja apenas sob o regime do casal ditatorial e constitui somente a primeira parte de uma série de relatórios que Martha Patricia vem preparando. Ela pretende lançar a segunda parte no final deste mês de julho.

O ódio do casal ditatorial contra a Igreja Católica

Segundo Martha, o ditador, sua esposa e seu regime ilegítimo reagem com violência ao fato de que “a Igreja Católica não está disposta a bajular ninguém” – nem mesmo quando o preço a ser pago é a perseguição.

De fato, “padres e bispos abriram suas portas” para os cidadãos nicaraguenses, que vêm saindo às ruas para exigir mudanças no governo, mas sofrem repressão brutal. O auge da violência foi atingido em abril de 2018, quando protestos em várias partes do país foram reprimidos com tamanha selvageria pelo regime de Ortega que mais de 300 cidadãos foram mortos e centenas saíram feridos.

A Igreja Católica se posicionou energicamente a favor do povo e exigiu respeito aos direitos da população, o que levou o regime de Ortega e Murillo a voltar sua fúria contra os bispos, os padres e até as igrejas – daí o crescente aumento de ataques impunes contra templos católicos de todo o país.

Daniel Ortega e sua ditadura

Daniel Ortega foi guerrilheiro da Frente Sandinista de Libertação Nacional. No final da década de 1970, o grupo venceu a assim chamada Revolução Sandinista, derrubando o antigo ditador, Anastasio Somoza Debayle, e implementando em seu lugar uma Junta de Governo da qual Ortega fazia parte. Em 1985, ele convocou eleições gerais, venceu e ficou no poder até 1990.

Voltou ao cargo em 2006, vencendo as eleições presidenciais sob acusações de fraude. As acusações se tornaram cada vez mais enfáticas e abundantes nas suas duas reeleições seguidas. Ainda assim, Daniel Ortega permanece no comando da Nicarágua, ininterruptamente, desde janeiro de 2007.

Na mais recente reeleição, em 2021, Ortega foi acusado de aberta perseguição política contra os candidatos adversários. As ilegitimidades foram tão clamorosas que uma parte da própria esquerda latino-americana não teve remédio senão reconhece o caráter ditatorial do regime da Nicarágua. O resultado das eleições fraudadas não é reconhecido pela maioria dos países do continente americano, nem pela União Europeia.

Apoio de Lula a Ortega

Em novembro de 2021, durante entrevista ao jornal espanhol de esquerda El País e com imediata repercussão em outros veículos de mídia, o ex-presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva, do PT, minimizou a ditadura do companheiro Daniel Ortega e comparou o tempo no poder do ditador da Nicarágua com o da ex-chanceler alemã Angela Merkel e o do ex-presidente do governo espanhol Felipe González:

“Por que que a Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder e Daniel Ortega não? Por que o Felipe González aqui pode ficar 14 anos no poder? Qual é a lógica?”.

A lógica foi imediatamente apontada por uma das jornalistas que entrevistava Lula. Considerando que os democraticamente eleitos Angela Merkel e Felipe González estiveram no cargo de modo legítimo durante respectivamente 16 e 13 anos, ela rebateu:

“Nenhum dos dois colocou seus opositores na cadeia”.

Declarando então que “não pode julgar o que aconteceu na Nicarágua”, Lula fez uma comparação entre as prisões arbitrárias dos oponentes do ditador Ortega com a sua própria prisão no Brasil, efetivada após julgamentos por corrupção e lavagem de dinheiro. Atribuindo a sua condenação a um movimento ilegítimo voltado a facilitar a eleição do atual presidente Jair Bolsonaro, Lula emendou que, se prendeu opositores, Ortega “está totalmente errado”.

Com a repercussão da entrevista de Lula, o PT divulgou nota acusando de falsidade e “má-fé” aqueles que afirmaram que Lula teria apoiado ditaduras de esquerda.

Entretanto, em outra nota do início daquele mesmo novembro, conforme registrado pelo próprio jornal El País, o PT havia chegado a celebrar a eleição fraudulenta de Daniel Ortega, mas depois retirou a nota do seu site. Em matéria de 10 de novembro de 2021, intitulada “PT celebra eleição fraudulenta de Ortega na Nicarágua, mas volta atrás e tira nota do ar”, El País registra:

“O pleito fraudulento, que já tinha um vencedor definido antes mesmo do início das votações, ocorreu no último domingo, quando os rivais de Ortega estavam todos presos ou exilados. Ainda assim, o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se apresenta como pleiteante à presidência em 2022, encarou o resultado como ‘o apoio da população a um projeto político que tem como principal objetivo a construção de um país socialmente justo e igualitário’. A nota, publicada no site da legenda na segunda-feira, foi amplamente criticada, tanto por opositores quanto por apoiadores do partido. Nesta quarta-feira, não estava mais no ar”.

A perseguição à Igreja

Segundo Martha Patricia Molina Montenegro, os registros de perseguição anticatólica pelo regime de Ortega são todos documentados, mas estão incompletos:

“Sei que há muito mais casos do que os que compilei neste estudo”.

Ela observa que “alguns padres e seminaristas agredidos decidiram se calar, não falar sobre isso”.

A advogada também confirma uma percepção já registrada em outros países a respeito de certas narrativas de esquerda que tergiversam o conceito de “ódio” para generalizar, descontextualizar, tachar e coibir todos os posicionamentos discordantes das suas ideologias:

“É preciso entender o sandinismo e a ditadura de Ortega-Murillo ao contrário: quando falam de amor, querem dizer ódio. E quando falam de paz, querem dizer guerra”.

Martha Patricia afirma que, em 2007, quando Ortega voltou ao poder, “estabeleceu-se uma paz fictícia entre o Estado e a Igreja, mas na realidade o governo de Ortega sempre atacou a Igreja Católica, os padres e os bispos, precisamente porque não aceitam que os padres e bispos lhes digam a verdade”.

Um episódio que ilustra essa constatação foi a carta de 16 páginas escrita pelos bispos a Daniel Ortega em 2014, pedindo “diálogo nacional” e “processo eleitoral transparente”. Segundo Martha, o governo “não gostou” que os “bispos e padres levantassem a voz num documento unânime e público”.

Ela resume:

“Sempre odiaram a Igreja Católica e tudo o que reflete a fé cristã, a fé católica, mas acho que, desde 2014, quando os bispos entregaram esta carta, é que eles têm mais ódio pela Igreja Católica”.

A advogada acusa Daniel Ortega e Rosario Murillo de “tentar construir uma ditadura dinástica, para que depois venham seus filhos, netos etc”.

E finaliza:

“O Estado da Nicarágua não existe mais, porque os elementos constitutivos de um Estado, que são a divisão de poderes, o governo, as leis e tudo o que o compõe, isso já é inexistente. A Nicarágua agora não é um Estado, mas um território onde o mais forte governa – e o mais forte é o casal presidencial”.

Tags:
ditaduraIdeologiaPerseguiçãoPolítica
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