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Parlamento Europeu aprova aborto, mas se diz preocupado com cardeal ameaçado

Cardeal Joseph Zen

AFP

Francisco Vêneto - publicado em 08/07/22

Tranquilos após incentivarem o livre extermínio de bebês em gestação, eurodeputados resolveram distribuir conselhos ao Vaticano sobre como prestar apoio a um cardeal perseguido

O Parlamento Europeu aprovou nesta semana a inclusão do aborto livre na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, posicionando-se abertamente contra a defesa da vida desde a concepção, conforme é defendida pela Igreja Católica.

Em paralelo, porém, os eurodeputados resolveram dar-se o direito de enviar conselhos ao Vaticano sobre como prestar apoio a um cardeal perseguido – no caso, o cardeal Joseph Zen, de 90 anos, arcebispo emérito de Hong Kong, que chegou a ser preso pelas autoridades chinesas no dia 11 de maio e foi solto sob fiança no final do mesmo dia.

Em 24 de maio, porém, ele foi indiciado em um tribunal de Hong Kong, com mais quatro ativistas pró-democracia, sob acusações genéricas de periculosidade para a segurança e soberania da China. A ditadura comunista de Pequim o acusa de ser um dos administradores de um fundo humanitário que ajudou manifestantes pró-democracia a pagarem as custas judiciais dos processos a que haviam sido submetidos pelo regime chinês.

O julgamento do cardeal Zen foi marcado para começar em 19 de setembro.

É nesse contexto que o Parlamento Europeu solicita que o Vaticano “intensifique esforços diplomáticos e influência” junto às autoridades chinesas para que as acusações contra o cardeal Zen sejam retiradas.

A resolução dos eurodeputados, segundo o site do Parlamento, “insta o Vaticano a dar total apoio ao cardeal Zen e a outros líderes religiosos que enfrentam perseguições ou o risco de detenção ao abrigo do regime de segurança nacional em Hong Kong; solicita ainda ao Vaticano que intensifique os seus esforços diplomáticos e a sua influência junto às autoridades chinesas e exija que todas as acusações contra o cardeal Zen sejam retiradas, bem como que sejam encerradas as perseguições e violações dos direitos humanos”.

Acontece que as autoridades da Santa Sé reagiram imediatamente à notícia da prisão do cardeal, tanto junto à China quanto junto à opinião pública. Além da ação diplomática direta, a Santa Sé divulgou ao público em geral uma nota de imprensa afirmando que a situação lhe causava “extrema atenção”. A pressão sobre a China deu resultados, tanto que o cardeal foi libertado, sob fiança, no mesmo dia em que tinha sido detido.

O cardeal Joseph Zen é aberto defensor do movimento pró-democracia em Hong Kong. Por isso mesmo, esteve e continua na mira do regime chinês há anos. O prelado católico se manifesta contra as políticas de controle de Pequim sobre as atividades religiosas e criticou enfaticamente a polêmica Lei de Segurança Nacional, que pode ser (e é) utilizada contra a Igreja.

A população de Hong Kong vem sofrendo restrições crescentes aos direitos civis desde de que o território voltou a ficar sob a jurisdição chinesa, após quase um século de administração britânica.

É muito positivo que o Parlamento Europeu se manifeste contra os desmandos do regime comunista de Pequim, especificamente em matéria de liberdade religiosa, assunto em que costuma ser omisso. Por outro lado, é estranho que o faça na forma de uma sutil “indireta” ao Vaticano, como se a Igreja não estivesse fazendo a sua parte em favor do cardeal Zen.

Mais estranho ainda é que o Parlamento Europeu se diga preocupado com o julgamento do cardeal na mesma semana em que oficializou a absurda inclusão do aborto livre como um “direito fundamental”, equiparando-se à prática da mesma ditadura chinesa no tocante ao extermínio disseminado de bebês em gestação como “política de planejamento familiar”.

A postura do Parlamento Europeu tem nome: hipocrisia.

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