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A Virgem Maria no Evangelho de Mateus

REGINA, SANTI, GESù

Immaculate|Shutterstock

Vanderlei de Lima - publicado em 10/07/22

Eis um pouco do muito que as narrativas da infância de Jesus, nosso Senhor, em Mateus 1, sugere aos leitores atentos

Mateus (Mt) escreve, primeiramente, para os judeus convertidos ao Cristianismo a fim de provar que Jesus é o Messias. Nele, se cumprem as profecias do Antigo Testamento a respeito do Filho de Deus feito homem por amor de nós.

Por ora, interessa-nos apenas Mt 1,20-21. Há aí três dados muito importantes: 1) José estava licitamente casado com Maria, mas ainda não moravam juntos. O anjo do Senhor ordena, então, que ele a receba em sua casa. 2) Já que José se encontra hesitante quanto à origem da gravidez de sua esposa, o mensageiro celeste lhe assegura ser ela sobre humana: Nossa Senhora está grávida por obra do Espírito Santo. 3) Ao receber Maria, em sua casa, José – além de evitar a condenação legal e social da consorte – torna-se legalmente o pai adotivo de Jesus. Faz, assim, com que o recém-nascido participe da descendência de Davi. Tudo isso, de fato, se cumpriu, conforme Mt 1,25 (cf. Candido Pozo, SJ. María en la obra de la salvación. Madri: BAC, 1974, p. 232-233).

Ainda: mesmo sem José tê-la conhecido (= mantido relações conjugais), Maria deu à luz Jesus. Pois bem, de acordo com Pozo: o versículo 25 “destaca o cumprimento literal da profecia de Isaías, citada no v. 23: ‘Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho’. […] A que se achou grávida virginalmente (v. 18), dá à luz sem que tenha havido a intervenção de um homem (v. 25). No entanto, a partícula grega ἕως não insinua que depois a tenha conhecido; só sublinha a virgindade de Maria no momento do parto do Senhor” (idem).

O fato de Nossa Senhora ser, ao mesmo tempo – contra a lógica humana –, mãe e virgem só se explica por milagre. Deus todo-poderoso interveio neste mundo e realizou essa sua grande ação misteriosa. Com efeito, “o Papa Ormisdas explicita que ‘o Filho de Deus tornou-se Filho do homem e nasceu no tempo como homem, abrindo, ao nascer, o ventre de sua mãe (cf. Lc 2,23), mas, não destruindo, pelo poder de Deus, a virgindade de sua mãe’ (DS 368). Esta doutrina foi confirmada pelo Concílio Vaticano II, no qual se afirma que o Filho primogênito de Maria ‘não só não lesou a sua integridade virginal, mas, antes, a consagrou’ (LG, 57)” (São João Paulo II. Audiência Geral, 28/08/1996).

Voltando a São José, notamos que o seu papel especial na vida do Deus-Menino e de Nossa Senhora, sua mãe, o faz receber o título de justo (zaddik, no hebraico), muito caro no Antigo Testamento; daí se aplicarem a ele o Salmo 1 – a elogiar o justo – e Jeremias 17,7 – a bendizer quem confia no Senhor (cf. Bento XVI. A infância de Jesus. São Paulo: Planeta, 2012, p. 39-40). Dom Estêvão Bettencourt, OSB, também realça a fé do pai adotivo de Jesus ao dizer ter ele aceitado tudo isso porque “reconheceu, por intuição de sua fé, o mistério de Maria. Convicto da probidade e da virtude de Maria, recusou-se a aplicar-lhe as normas da Lei relativas ao adultério e, por isto, quis que ela seguisse o seu caminho (traçado por Deus) sem que ele se envolvesse nos meandros do mistério. O querer despedir Maria, portanto, não significava vingança ou sanção da parte de José, mas respeito e reverência a um desígnio de Deus, que sobrepuja seu entendimento” (Curso de Mariologia. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1997, p. 22).

Mais: assim como a Virgem Santíssima não deve temer (cf. Lc 1,30) cooperar com Deus no mistério da Encarnação do seu divino Filho, dando-o à luz, também São José, “filho (= descendente) de Davi”, não há de recear (cf. Mt 1,20) contribuir com esse mistério: aceitará o menino como seu filho – de acordo com Mt 1,21 – e lhe dará o nome de Jesus (Jeshua), que significa “o Senhor (YHWH) é salvação” (A infância de Jesus, p. 41). Daí, na genealogia de Jesus, haver 3 séries de 14 nomes cada uma (cf. Mt 1,1-17). Isso porque 14 é a soma das letras do nome hebraico David (D = 4; V = 6, D = 4 = 14. Lembre-se de que até o século X o hebraico não possuía vogais). Daí, 3×14 = 42 significar a plenitude ou a totalidade dos títulos de Davi de quem Jesus é “Filho”. Ele é, pois, o Senhor, o Rei messiânico por excelência (cf. Dom Estêvão Bettencourt, OSB. Curso de parábolas e páginas difíceis do Evangelho. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1991, p. 152-153).

Eis um pouco do muito que as narrativas da infância de Jesus, nosso Senhor, em Mateus 1, sugere aos leitores atentos.

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