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Vereador acusado por invasão a igreja vai a encontro com o Papa em setembro

Invasão a igreja em Curitiba

@renatofreitasvereador

Reportagem local - publicado em 05/08/22 - atualizado em 05/08/22

Renato Freitas se declara perseguido politicamente

Vereador acusado por invasão a igreja em Curitiba, Renato Freitas (PT) anunciou que vai participar do encontro “Economia de Francisco”, agendado para 22 a 24 de setembro em Assis, na Itália, com a presença do próprio Papa.

Economia de Francisco

A iniciativa “Economia de Francisco” deriva de uma carta publicada pelo pontífice em 1º de maio de 2019, na qual convida estudantes de economia, economistas e empreendedores de até 35 anos de idade a colaborarem com o desenvolvimento de “um tipo diferente de economia: uma que traga vida e não morte, que seja inclusiva e não exclusiva, humana e não desumanizadora, que cuide do meio ambiente e não o dilapide”.

A participação de Renato Freitas no evento em Assis ocorre a convite do frei David, fundador da ONG Educafro, mantida pelo Serviço Franciscano de Solidariedade para fomentar a inclusão social de negros e alunos de escolas públicas mediante cursinhos comunitários e bolsas de estudo para graduação e pós-graduação.

Em declarações à agência católica de notícias ACI Digital, o vereador declarou:

“Por uma coincidência da vida esse convite veio justamente no momento em que estou sendo cassado por ter entrado na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos para clamar pelas vidas negras tão desvalorizadas em nosso país. E isso com certeza foi levado em conta nesse convite feito por representantes ordenados da Igreja Católica”.

Invasão a igreja

Freitas registrou que o arcebispo de Curitiba, dom José Antônio Peruzzo, se declarou contrário à sua cassação – muito embora tenha emitido nota repudiando o ato de profanação e descrevendo os comportamentos do grupo que realizou a manifestação dentro da igreja como “invasivos, desrespeitosos e grotescos”.

A manifestação ocorreu em 5 de fevereiro, usando como palco a igreja do Rosário, no centro de Curitiba. Os militantes alegaram protestar contra o racismo e, em particular, contra o assassinato do imigrante congolês Moïse Kabagambe no Rio de Janeiro – um trágico e execrável episódio que, no entanto, não guarda relação com uma igreja católica localizada a mais de 800 quilômetros de distância do local do crime.

No episódio da invasão, os ativistas forçaram a interrupção de uma Santa Missa, conforme depoimento do pe. Luiz Hass, que descreveu a situação como “insuportável” e com “barulho muito grande”. Ele declarou à imprensa local:

“Pedimos que abaixassem o som lá fora, saíssem da escadaria. Mas começaram a dizer que era igreja dos negros. Suspendi a Missa, porque não tinha como, não era horário para fazer o protesto”.

Imagens gravadas em vídeo mostram que, dentro da igreja, além do vereador do PT, havia também manifestantes com bandeiras do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Vários dos manifestantes proferiam ataques verbais contra a Igreja Católica.

Cassação

Em maio, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba aprovou por 5 votos a 2 o pedido de cassação do mandato do vereador do PT. A cassação se fundamentou em infração ético-disciplinar e quebra de decoro parlamentar por abuso de prerrogativas. No parecer do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o relator Sidnei Toaldo (Patriota) considerou que o vereador petista não interrompeu a celebração, mas perturbou a prática de culto.

O fator apontado pelo relator como causa para a pena de cassação foi a “realização de ato político no interior da igreja”. Segundo Sidnei Toaldo, as imagens gravadas permitiram “constatar o representado na frente do altar, aos gritos, dirigindo-se aos manifestantes cujo grupo portava bandeiras e camisetas com conteúdo político e ideológico”. O relatório também apontou que os manifestantes gritavam palavras de ordem como “fora Bolsonaro” e carregavam bandeiras do Partido Comunista Brasileiro. O texto complementa que “em nenhum momento o vereador deixa a liderança nem pede que os manifestantes se abstenham de tais práticas”.

Após a decisão do Conselho, o vereador petista participou de um ato no qual, segundo matéria do Correio Braziliense, declarou:

“A guerra não acabou”.

Suspensão das sessões e novo julgamento

Em 23 de junho, os vereadores de Curitiba cassaram Renato Freitas por “procedimento incompatível com o decoro parlamentar”, mas, por decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), ele voltou ao cargo em 7 de julho. Uma liminar da desembargadora Maria Aparecida Blanco suspendeu as sessões da Câmara Municipal que o haviam cassado porque não cumpriram o prazo de 24 horas entre a comunicação ao vereador e a sessão de cassação.

Nesta sexta-feira, 5 de agosto, novo julgamento acontece na Câmara de Vereadores de Curitiba. Se não for atingido o mínimo de 20 votos pela cassação na segunda votação, o caso será arquivado.

ATUALIZAÇÃO: Na tarde desta sexta-feira, 5, os vereadores de Curitiba aprovaram, em segundo e último turno, o projeto de resolução que determinou a perda de mandato de Renato Freitas, por “procedimento incompatível com o decoro parlamentar”. Na votação, foram 23 votos favoráveis à cassação, sete contrários e uma abstenção.

Freitas se declara perseguido politicamente

A propósito da sua participação no evento com o Papa em setembro, Renato Freitas prosseguiu, conforme as informações da ACI Digital:

“Tendo em vista que terei a oportunidade de falar diretamente com o papa Francisco, acredito que os vereadores e os cidadãos curitibanos induzidos a erro pelas fake news, terão oportunidade de ouvir a voz maior da Igreja. Igreja esta, que desde o início afirmou se tratar de perseguição política esse episódio triste da minha cassação. Para mim o mais importante é ser acolhido pelo Sumo Pontífice que, de maneira representativa, abre as portas, não para mim, mas para tudo o que represento como vereador de Curitiba”.

Tags:
IdeologiaIgreja CatólicaPapa FranciscoPolítica
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