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Bolívia: homem diz ter sido enterrado vivo em oferenda à Pachamama

Laguna Chiar Khota, Bolívia

Albert Backer, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Lagoa Chiar Khota, no Altiplano boliviano, departamento de La Paz

Francisco Vêneto - publicado em 11/08/22 - atualizado em 11/08/22

Víctor Hugo considera que foi usado como "sullu", um termo local que designa uma oferenda à "Mãe Terra"

Um homem denunciou ter sido enterrado vivo na Bolívia em oferenda à Pachamama, nome dado por comunidades autóctones andinas à personificação da “Mãe Terra”, a quem adoram como divindade.

Segundo a imprensa local, o homem que sobreviveu à tentativa de sepultamento é Víctor Hugo Mica Álvarez. Ele próprio relatou que ficou inconsciente e acordou dentro de um caixão, depois de ser convidado por um colega a tomar uma cerveja na cidade de Achacachi, que se localiza no Altiplano, dentro do departamento de La Paz.

“Fui enterrado vivo. Só me lembro que ele me convidou para tomar uma cerveja e depois não lembro de mais nada. Ficou tudo apagado”.

Ele afirma que chegou a ser de fato enterrado:

“Eu quebrei o vidro, e aí desceu a areia, a terra. ‘Estou preso’, eu pensei, ‘não pode ser’. E fiquei maluco”.

Víctor Hugo considera que foi enterrado vivo para servir como “sullu”, o termo local que designa uma oferenda à Pachamama. Esse tipo de oferenda, na Bolívia, costuma incluir fetos dissecados de lhamas, folhas de coca e doces.

O bizarro episódio parece estar relacionado com o Dia da Pachamama, que é celebrado em 1º de agosto pela tradição dos povos quéchua e aymara. Nessa ocasião, as oferendas são entendidas como um “pagamento à Mãe Terra” pelos seus frutos ou em troca de algum pedido.

Em declarações à agência católica de notícias ACI Prensa, o pe. Javier Olivera Ravasi, argentino, comentou o fato recordando uma passagem da carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 10,20), segundo a qual “o que os gentios sacrificam, eles o sacrificam aos demônios”.

Para o sacerdote, que trabalha na formação de jovens, o gesto de oferecer um sacrifício à Pachamama não remonta aos ancestrais quéchuas e aymaras: ele afirma que se trata de um modismo contemporâneo, alimentado pelo governo da Bolívia.

“A Mãe Terra tem fome e nem sempre é de comida, mas também de vítimas, ‘sullus’, em troca de um favor: frutos da terra, produção pecuária, ou mesmo a construção de um edifício”.

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ReligiãoSuperstiçãoViolência
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