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Filipinas: governo acusa freiras de financiarem terrorismo

Santuário Mãe da Ásia nas Filipinas

Sheila Realubit Abol | Shutterstock

Francisco Vêneto - publicado em 18/08/22

Ministério é acusado de agir de má-fé no tocante às religiosas

O governo das Filipinas está acusando um grupo de 16 pessoas, entre elas algumas freiras, de financiarem o terrorismo.

A denúncia, apresentada neste 15 de agosto pelo ministério da Justiça, diz respeito a um suposto financiamento ao Partido Comunista das Filipinas e ao seu braço armado, o Novo Exército Popular (NPA, pela sigla em inglês). As duas organizações são classificadas como terroristas pelo governo do país.

Segundo o ministério da Justiça, a severa lei filipina de combate ao terrorismo pune qualquer ajuda financeira a qualquer grupo ou indivíduo considerado terrorista pelo governo. Se o tribunal acatar a acusação, poderá emitir mandado de prisão contra os acusados. Se forem julgadas culpadas, as freiras poderão ser condenadas a até 40 anos prisão ou a pagar multa de até 20 mil dólares.

Não foram divulgados ao público a identidade e o número exato de religiosas que fazem parte do grupo de 16 acusados.

O ministério da Justiça informou, por outro lado, que as acusações partiram de dois ex-membros do Novo Exército Popular. Segundo as suas alegações, as religiosas teriam elaborado uma proposta de financiamento a ser apresentada a fundos estrangeiros, visando obter recursos para as mencionadas organizações.

Em reação à denúncia, grupos de defesa de direitos humanos acusam o ministério da Justiça de tramitar a acusação em segredo e dificultar a defesa dos acusados. O ministério também é acusado, por um movimento estudantil cristão e por um grupo de leigos, de agir de má-fé no tocante às freiras. Além disso, eles apontam que os processos acusatórios no país costumam levam meses ou até anos, mas a acusação contra as religiosas está sendo tramitada com extraordinária rapidez.

De fato, o governo filipino tem explicitado reiteradamente a sua animosidade para com a Igreja Católica, acusando-a sistematicamente de colaboração com grupos rebeldes ou de oposição ao governo. Missionários em áreas rurais do país são os mais atacados pelas autoridades, chegando a ser classificados como “red-tagged” pelo governo: trata-se de uma “categoria” com que o governo filipino rotula grupos de oposição.

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