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10 anos após o meme: como está D. Cecilia Giménez, a “restauradora” de Ecce Homo

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Restauradora Ecce Homo Borja

@kairo.art | Instagram

Responsável pela origem de uma dos maiores memes da internet, D. Cecília Gimenéz ajudou a impulsionar o turismo da cidade de Borja, na Espanha

Beatriz Camargo - publicado em 19/08/22 - atualizado em 19/08/22

Após virar alvo de piadas e se tornar internacionalmente conhecida, a senhorinha espanhola despretensiosamente ajudou a impulsionar o turismo em Borja, na Espanha

Este mês, o nome de D. Cecilia Giménez voltou mais uma vez passou a figurar em sites de notícias. Não, a “restauradora” de Ecce Homo não voltou a ativa.

O motivo dela voltar a ser tema de reportagens é o fato de que, há exatos dez anos, o meme envolvendo a restauradora da obra Ecce Homo, afresco do pintor espanhol Elías García Martínez, com data de 1930, viralizava na internet.

Na época, D. Cecilia, que era membro ativo da paróquia do Santuário de Misericórdia de Borja, se voluntariou a restaurar a obra, cuja pintura demonstrava avançado desgaste.

Contudo, a senhorinha não dominava nenhuma técnica necessária para tal trabalho, e o resultado ficou muito aquém do original.

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A imagem de Jesus Cristo, com a cabeça pendendo para o lado direito do afresco, ficou completamente irreconhecível.

De um lado, apreciadores de arte viam com pesar a versão restaurada de Ecce Homo. Do outro, milhares de internautas, de todas as partes do mundo, rindo da obra de D. Cecilia.
Afinal, em 2012, a internet vivia o auge dos memes e a obra era visivelmente uma piada pronta.

Mãe dedicada

Porém, D. Cecilia tomou um grande susto. A senhora de 81 anos se amedrontou perante uma possível ameaça de processo judicial pelo seu gesto que, para alguns, foi um verdadeiro “ato de vandalismo”.

A princípio, ela adoecera após muitos dias de choro e desespero. Mas a população local, que conhecia toda a história de vida daquela senhorinha, interveio em sua defesa.

No passado, D. Cecilia perdera o filho Jesusín, aos 20 anos, devido uma doença muscular rara. E naquela ocasião, já em idade avançada, ainda cuidava de outro filho, Jose Antonio, que fora acometido por uma lesão cerebral e se locomovia usando uma cadeira de rodas.

Desse modo, a Associação de Moradores do Santuário de Misericórdia de Borja se manifestou publicamente por meio de um comunicado onde prestavam apoio à conterrânea.

Além de pedirem que a pintura permanecesse no estado em que estava, eles expressavam o desejo de que “Cecilia Giménez expusesse sua obra pictórica”.

Por certo, o pedido ganhou mais força após o prefeito de Borja da época, Francisco Miguel Arilla, declarar que D. Cecilia se empenhou no afresco “com todo o carinho do mundo”.

Só mais um “Ecce Homo” entre tantos outros

A saber, o prefeito afirmou ainda que Ecce Homo não possuía valor, pois nem fazia parte da lista de trabalhos catalogados como patrimônio artístico da cidade.

No auge do meme envolvendo Ecce Homo – até hoje lembrado como um dos maiores de toda a internet – o volume de piadas ofuscou um importante detalhe sobre aquele afresco.

Ainda que muitos acreditassem que se tratava de uma importante obra de arte, a pintura de García Martínez (1858-1934) é uma mera reprodução.

Patriarca de uma família de artistas, García Martínez foi professor da Escola de Belas Artes de Saragoça.

Ao lado da família, ele costumava passar os verões na região de Borja. Foi numa dessas temporadas Martínez produziu o afresco dentro do santuário no ano de 1930.

Com efeito, Ecce Homo – “Eis o Homem”, em latim – é uma alusão à frase de Pôncio Pilatos quando apresenta Jesus Cristo torturado à multidão.

Visto que esse era um tema comum na arte entre os séculos XV e XVII, o afresco de Borja é apenas mais um entre tantos que existem por toda a Europa.

A reviravolta

Apesar de todas as piadas, o meme de D. Cecilia inseriu aquela pequena cidade localizada a 60 km de Saragoça na rota dos turistas que visitam a região de Aragão.

No primeiro ano, Borja recebeu cerca de 40 mil visitantes. Com o turismo aquecido, o município de Borja passou a cobrar um euro pela entrada no Santuário de Misericórdia. Tal arrecadação garantiu que 50 mil euros para uma instituição de caridade da cidade.

Cecilia Giménez também passou a ter participação nos lucros obtidos a partir da utilização comercial da obra pós restaurada.

Passado o frenesi, o fluxo atual de turistas varia entre 10 mil e 11 mil.

Graças a um contrato com a fundação responsável pelo Santuário da Misericórdia, ela recebe 49% do lucro obtido com venda de souvenirs, como camisetas, chaveiros e canecas.

Sua parte é destinada a um fundo para amparar pacientes que enfrentam a mesma doença que seu filho. Com 91 anos, D. Cecilia possui a saúde debilitada e vive em uma casa de repouso.

Segundo reportagem recente da BBC, o atual prefeito de Borja, Eduardo Arilla Pablo, fará no próximo dia 10 uma live comemorativa no Youtube, será “uma cerimônia de reconhecimento a Cecilia Giménez e a Elias García Martínez”.

Segundo Pablo, a restauração foi, de fato um erro, mas que é preciso reconhecer que o Ecce Homo de Borja é um verdadeiro fenômeno pop. “Com todo o meu respeito à pintura original de Elias García, a obra mais importante agora se define ao modo de Cecilia Giménez”, afirmou o prefeito.

Com informações da BBC e de agências internacionais

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