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Direto do Vaticano: Papa apela à “visibilidade litúrgica” dos ministérios leigos

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papież Franciszek przytula dziecko, które uciekło z Ukrainy przed wojną

TIZIANA FABI/AFP/East News

Papież Franciszek przytula chłopca, który uciekł z Ukrainy przed wojną (zdjęcie ze spotkania z uchodźcami w Watykanie 4 czerwca 2022 r.)

I.Media para Aleteia - publicado em 25/08/22

Importante: seu Boletim Direto do Vaticano de 25 de agosto de 2022

  • Papa apela à “visibilidade litúrgica” dos ministérios leigos
  • O longo apelo de Francisco seis meses após o início da ofensiva russa na Ucrânia
  • Íntegra da Catequese do Papa Francisco de 24 de agosto de 202

Papa apela à “visibilidade litúrgica” dos ministérios leigos

Por Cyprien Viet – O Papa Francisco apela a uma “visibilidade litúrgica” dos ministérios leigos, numa mensagem dirigida “a bispos, sacerdotes e diáconos, pessoas consagradas e fiéis leigos”, por ocasião do 50º aniversário do Motu Proprio Ministeria Quaedam de Paulo VI, de 15 de Agosto de 1972, que reformou a disciplina da tonsura, das ordens menores e do subdiaconado na Igreja Latina. Depois de abrir o leitorado e o acolitado às mulheres no ano passado e de instituir o ministério de catequista, o Papa Francisco convida os bispos locais a partilharem as suas experiências.

O Papa Francisco sublinha na sua mensagem que o Motu Proprio de Paulo VI, emitido “no contexto frutuoso mas não sem tensão que se seguiu ao Concílio Vaticano II”, pode ter “a força para inspirar novos desenvolvimentos”. Com o motu proprio Spiritus Domini de 10 de Janeiro de 2021, o Papa argentino modificou o cânon 230-1 do Código de Direito Canónico, a fim de permitir “o acesso das mulheres ao ministério instituído do Leitorado e do Acolitado”, que até então se aplicava automaticamente aos seminaristas no seu caminho para o sacerdócio. Depois instituiu o ministério de catequista com o ministério Motu Proprio Antiquum de 10 de Maio de 2021.

O Papa Francisco apresenta este tema como sendo de “importância fundamental para a vida da Igreja”, porque “não há comunidade cristã que não expresse um ministério”. “Cada ministério é um apelo de Deus para o bem da comunidade”, explica o Bispo de Roma, inspirando-se na Carta de São Paulo aos Coríntios e nos relatos dos Atos dos Apóstolos, demonstrando que, desde o início do cristianismo, a articulação dos ministérios é apresentada de uma forma “dinâmica, viva e flexível como a ação do Espírito”.

Parecendo evocar algumas das exigências da Via Sinodal Alemã, mas sem apontar explicitamente para ela, o Papa Francisco sublinha no entanto que o discernimento sobre as estruturas ministeriais deve “enraizar-se cada vez mais profundamente para não correr o risco de que a dinâmica se torne confusa, que a vivacidade se reduza a uma improvisação inoportuna, que a flexibilidade se transforme em adaptações arbitrárias e ideológicas”.

Abertura ao feedback

A dificuldade de definir o âmbito de ação dos “assistentes pastorais” foi um pontoo de discórdia entre Roma e certos episcopados após o Concílio Vaticano II, particularmente na Suíça, Alemanha e Países Baixos, onde a essência do sacerdócio presbiteral foi por vezes posta em causa.

O Papa Francisco ainda considera relevante a possibilidade deixada por Paulo VI às conferências episcopais de “pedir à Sé Apostólica a instituição dos ministérios considerados necessários ou muito úteis nas suas regiões”, uma faculdade mencionada no rito da ordenação dos bispos.

Em particular, o Papa Francisco sublinha “a complementaridade entre o sacerdócio comum e o sacerdócio ministerial” e a necessidade de “visibilidade litúrgica” dos ministérios, a fim de se situarem na “eclesiologia do Concílio Vaticano II”. Ele convida-nos a experimentar diferentes formas ministeriais na esperança de que algumas destas experiências se concretizem, enfatizando, como ele frequentemente faz, que “a realidade é superior às ideias” e que “o tempo é superior ao espaço”: por outras palavras, de acordo com o pensamento do Papa Francisco, não é necessário esperar que todos os aspectos dos ministérios sejam plenamente definidos a fim de abrir o caminho para “a ação do Espírito do Senhor”.

A “obsessão por resultados imediatos” arriscar-se-ia a “cristalizar processos e, por vezes, a fingir pará-los”, preocupa o Papa Francisco. No “clima do caminho sinodal” atualmente vivido a nível mundial, o Papa apela a um “diálogo sobre este tema com as conferências episcopais”, a fim de regressar às experiências dos últimos 50 anos.

O Papa Francisco distancia-se de João Paulo II

Esta proposta de diálogo, “segundo modalidades que serão definidas”, escreve o Papa sem dizer mais, pode parecer ser uma resposta a certas exigências expressas pela Via Sinodal Alemã. Esta mensagem do Papa está também em consonância com o Sínodo da Amazônia, durante o qual foi discutida a ideia de ministérios específicos para os povos desta região.

Mais do que sobre a ordenação dos homens casados, é sobre a diversidade dos ministérios leigos que o Papa abre o caminho a evoluções e experiências, na filiação de Paulo VI, e enquanto que João Paulo II e Bento XVI tinham sido mais reservados.

Na sua exortação Christifideles laici (1988), que se seguiu ao Sínodo sobre a vocação e missão dos leigos na Igreja de 1987, João Paulo II advertiu contra o uso indiscriminado do termo “ministério”, apontando o risco de confusão e nivelamento entre o sacerdócio comum e o sacerdócio ministerial, ou a tendência para a clericalização dos leigos. Anunciou a criação de uma comissão especial para “estudar em profundidade os vários problemas teológicos, litúrgicos, jurídicos e pastorais levantados pelo atual florescimento abundante de ministérios confiados aos fiéis leigos”. Esta comissão nunca publicou quaisquer resultados.

Relativamente discreto sobre o tema dos ministérios instituídos, Bento XVI, numa mensagem dirigida ao Fórum Internacional da Ação Católica em 2012, sublinhou a importância de uma “comunidade viva, ministerial e missionária”, convidando os fiéis leigos a exercerem a sua “contribuição específica para a missão eclesial, respeitando os ministérios e tarefas que cada um tem na vida da Igreja e sempre em cordial comunhão com os bispos”.

Os episcopados locais evoluirão, portanto, nesta questão dos ministérios leigos, de acordo com o que serão, provavelmente, ritmos muito diferentes.


O longo apelo de Francisco seis meses após o início da ofensiva russa na Ucrânia

Por Anna Kurian – Seis meses após a eclosão da invasão russa à Ucrânia (24 de Fevereiro), o Papa Francisco condenou “a loucura de todas as partes” no conflito, durante a audiência geral que presidiu a 24 de Agosto no Vaticano. Fez um apelo especial para evitar um desastre nuclear em torno da central nuclear de Zaporizhia, no sudeste do país.

Da Sala Paulo VI, Francisco voltou a convidar o povo a “implorar a paz do Senhor para o amado povo ucraniano”, que durante os últimos seis meses “sofreu o horror da guerra”. Pediu que “fossem tomadas medidas concretas para pôr fim à guerra”. Pediu às “autoridades responsáveis” que trabalhem pela libertação dos prisioneiros, expressando a sua compaixão por “aqueles que se encontram em condições frágeis”.

O chefe da Igreja Católica também implorou para “afastar o risco de um desastre nuclear em Zaporizhia”, uma vez que os dois lados, Rússia e Ucrânia, estão a culpar-se mutuamente pelo bombardeamento contínuo da central nuclear.

Pessoas inocentes pagam pela guerra

Aplaudido várias vezes, o Papa Francisco deixou o seu texto para evocar os muitos mortos, feridos, refugiados deste conflito que já causou milhares de vítimas. Estava especialmente preocupado com “as crianças ucranianas e as crianças russas que ficaram órfãs”. A tragédia dos órfãos “não tem nacionalidade”, disse ele.

“Os inocentes pagam pela guerra”, insistiu o pontífice, condenando “a loucura de todas as partes”. “A guerra é loucura, e ninguém na guerra pode dizer ‘não, não sou louco'”, disse ele. E lamentou “tanta crueldade”.

Mais uma vez, o Papa de 85 anos atacou aqueles que se enriqueceram com a guerra, citando o comércio de armas, “criminosos que matam a humanidade”. Mencionou outras tragédias em curso, tais como as da Síria, Iémen e Rohingya. “Precisamos de paz”, disse ele.


Íntegra da Catequese do Papa Francisco de 24 de agosto de 2022

Eis a íntegra da catequese do Papa Francisco de 24 de agosto de 2022:

Catequese sobre a Velhice 18. As dores da criação. A história da criatura como mistério de gestação

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Há pouco celebramos a Assunção da Mãe de Jesus no Céu. Este mistério ilumina o cumprimento da graça que plasmou o destino de Maria e ilumina também o nosso. O destino é o céu. Com esta imagem da Virgem que subiu ao Céu, gostaria de concluir o ciclo de catequeses sobre a velhice. No Ocidente contemplamo-la elevada ao Céu, envolta em luz gloriosa; no Oriente Ela é representada adormecida, circundada pelos Apóstolos em oração, enquanto o Senhor Ressuscitado a segura pela mão como uma menina.

A teologia sempre refletiu sobre a relação desta singular “assunção” com a morte, que o dogma não define. Penso que seria ainda mais importante tornar explícita a relação deste mistério com a ressurreição do Filho, que abre a todos nós o caminho da geração à vida. No ato divino do encontro de Maria com Cristo Ressuscitado, não é simplesmente superada a normal corrupção corporal da morte humana, não só isto, mas é antecipada a assunção corporal da vida de Deus. Com efeito, o destino da ressurreição que nos diz respeito é antecipado: pois de acordo com a fé cristã, o Ressuscitado é o primogénito de muitos irmãos e irmãs. O Senhor Ressuscitado é Aquele que partiu antes, que ressuscitou antes de todos, depois iremos nós: este é o nosso destino: ressuscitar.

Poderíamos dizer – segundo as palavras de Jesus a Nicodemos – que é um pouco como um segundo nascimento (cf. Jo 3, 3-8). Se o primeiro foi um nascimento na terra, o segundo é o nascimento no céu. Não é por acaso que o Apóstolo Paulo, no texto lido no início, fala de dores de parto (cf. Rm 8, 22). Do mesmo modo que, quando saímos do ventre da nossa mãe, somos sempre nós, o mesmo ser humano que estava no ventre, assim, após a morte, nascemos no céu, no espaço de Deus, e ainda somos os mesmos que caminhávamos nesta terra. Analogamente a quanto aconteceu com Jesus: o Ressuscitado é sempre Jesus, Ele não perde a sua humanidade, aquilo que viveu, nem sequer a sua corporeidade, não, porque sem ela já não seria Ele, não seria Jesus: isto é, com a sua humanidade, com aquilo que viveu.

É o que nos diz a experiência dos discípulos, aos quais Ele aparece durante quarenta dias depois da ressurreição. O Senhor mostra-lhes as feridas que selaram o seu sacrifício; mas já não são a fealdade do aviltamento dolorosamente sofrido, agora são a prova indelével do seu amor fiel até ao fim. Jesus Ressuscitado vive com o seu corpo na intimidade trinitária de Deus! E nela não perde a memória, não abandona a própria história, não dissolve as relações nas quais viveu na terra. Aos seus amigos prometeu: «E quando Eu tiver ido e vos tiver preparado um lugar, virei outra vez e levar-vos-ei comigo para que onde Eu estiver, estejais vós também» (Jo 14, 3). Ele partiu a fim de preparar o lugar para todos nós e depois de ter preparado um lugar voltará. Não virá somente no final para todos, virá cada vez para cada um de nós. Virá procurar-nos para nos levar com Ele. Neste sentido a morte é um pouco como o passo ao encontro de Jesus que está à minha espera para me levar com Ele.

O Ressuscitado vive no mundo de Deus, onde existe um lugar para todos, onde se forma uma nova terra e onde se constrói a cidade celestial, morada definitiva do homem. Não podemos imaginar esta transfiguração da nossa corporeidade mortal, mas estamos certos de que ela manterá os nossos rostos reconhecíveis e nos consentirá permanecer humanos no céu de Deus. Permitir-nos-á participar, com sublime emoção, na infinita e feliz exuberância do ato criador de Deus, cujas intermináveis aventuras experimentaremos pessoalmente.

Quando Jesus fala do Reino de Deus, descreve-o como um banquete de núpcias, como uma festa com amigos, como o trabalho que torna a casa perfeita: é a surpresa que torna a colheita mais rica do que a sementeira. Levar a sério as palavras do Evangelho sobre o Reino permite à nossa sensibilidade desfrutar do amor ativo e criativo de Deus, colocando-nos em sintonia com o destino inaudito da vida que semeamos. Queridas e queridos coetâneos, e falo aos “velhinhos” e às “velhinhas”, na nossa velhice a importância dos numerosos “detalhes” de que a vida é feita – uma carícia, um sorriso, um gesto, um trabalho apreciado, uma surpresa inesperada, uma alegria hospitaleira, um laço fiel – torna-se mais sentida. O essencial da vida, que nos é mais caro quando nos aproximamos do nosso adeus, torna-se definitivamente claro para nós. Eis, pois, que esta sabedoria da velhice é o lugar da nossa gestação, que ilumina a vida das crianças, dos jovens, dos adultos e de toda a comunidade. Nós, “velhinhos”, deveríamos ser isto para os outros: luz para todos. Toda a nossa vida se manifesta como uma semente que deverá ser enterrada a fim de que nasçam a sua flor e o seu fruto. Ela brotará, juntamente com todo o resto do mundo. Não sem os trabalhos de parto, não sem dores, mas brotará (cf. Jo 16, 21-23). E a vida do corpo ressuscitado será cem, mil vezes mais viva do que a experimentamos nesta terra (cf. Mc 10, 28-31).

Não é por acaso que o Senhor Ressuscitado, enquanto espera os Apóstolos na margem do lago, assa alguns peixes (cf. Jo 21, 9) e depois lhos oferece. Este gesto de amor atencioso dá-nos um vislumbre do que nos aguarda quando atravessarmos para a outra margem. Sim, caros irmãos e irmãs, especialmente vós, idosos, o melhor da vida ainda deve vir; “Mas somos velhos, o que mais devemos ver?”. O melhor, pois o melhor da vida ainda está por vir. Aguardemos esta plenitude de vida que nos espera a todos, quando o Senhor nos chamar.  Que a Mãe do Senhor e nossa Mãe, que nos precedeu no Paraíso, nos restitua a trepidação da expetativa, pois não é uma espera anestesiada, não é uma espera entediada, não, é uma espera com trepidação: “Quando virá o meu Senhor? Quando poderei estar com Ele?”. Há um pouco de medo porque não sei o que significa esta passagem e cruzar aquela porta provoca um pouco de temor, mas há sempre a mão do Senhor que nos leva em frente e, após a travessia da porta vem a festa. Estejamos atentos, vós queridos “velhinhos” e queridas “velhinhas”, coetâneos, estejamos atentos, Ele espera por nós, apenas uma passagem e depois a festa.

Saudação 

Saúdo cordialmente os fiéis de língua portuguesa, em particular os peregrinos da Diocese do Porto e os membros da Comunidade Amigos de Jesus, de Ipatinga. Irmãos e irmãs, o exemplo de São Bartolomeu Apóstolo, que hoje celebramos, reforce em vós o compromisso de levar o Evangelho a todos. Que Deus vos abençoe!

APELO

Renovo o convite a implorar do Senhor a paz para o amado povo ucraniano que há seis meses – hoje – padece o horror da guerra. Desejo que se deem passos concretos para pôr fim à guerra e evitar o risco de um desastre nuclear em Zaporizhzhia. Trago no coração os prisioneiros, sobretudo quantos estão em condições frágeis, e peço às autoridades responsáveis que se esforcem pela sua libertação. Penso nas crianças, tantos mortos e tantos refugiados – aqui na Itália há muitos – tantos feridos, tantas crianças ucranianas e russas que se tornaram órfãs e a orfandade não tem nacionalidade, perderam o pai ou a mãe, tanto russos como ucranianos. Penso em tanta crueldade, em tantos inocentes que pagam pela loucura, a loucura de todas as partes, pois a guerra é loucura e ninguém em guerra pode dizer: “Não, eu não sou louco!”. A loucura da guerra! Penso naquela pobre jovem, em Moscovo, que foi para o ar por causa de uma bomba que estava debaixo do assento do carro. Os inocentes pagam pela guerra, os inocentes! Pensemos nesta realidade e digamos uns aos outros: a guerra é uma loucura! E quantos lucram com a guerra e com o comércio de armas são criminosos que matam a humanidade. E pensemos noutros países que estão em guerra desde há muito tempo: na Síria, há mais de 10 anos, pensemos na guerra no Iémen, onde muitas crianças sofrem de fome, pensemos nos Rohingyas que vagueiam pelo mundo por causa da injustiça de ter sido expulsos da sua terra. Mas hoje, de modo especial, seis meses depois do início da guerra, pensemos na Ucrânia e na Rússia, ambos os países que consagrei ao Imaculado Coração de Maria; que Ela, como Mãe, dirija o seu olhar para estes dois amados países: que veja a Ucrânia, veja a Rússia e nos traga a paz! Precisamos de paz!

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