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Direto do Vaticano: morte de Gorbachev: Igreja presta homenagem ao homem que pôs fim à Guerra Fria

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Michail Gorbachev encontra o Papa João Paulo II

©DERRICK CEYRAC / AFP

I.Media para Aleteia - publicado em 01/09/22

Seu Boletim Direto do Vaticano de 1 de setembro de 2022

  1. Morte de Gorbachev: a Igreja presta homenagem ao homem que pôs fim à Guerra Fria
  2. Violência em Bagdá: Papa Francisco pede diálogo
  3. Íntegra da catequese do Papa Francisco de 31 de agosto de 2022

1Morte de Gorbachev: a Igreja presta homenagem ao homem que pôs fim à Guerra Fria

Por Cyprien Viet – Prestando homenagem ao “seu compromisso de concórdia e fraternidade entre os povos”, o Papa Francisco prestou homenagem ao último presidente da URSS Mikhail Gorbachev num telegrama à sua filha Irina Gorbachev. O antigo líder soviético, que deteve o poder de 1985 a 1991, faleceu a 30 de Agosto num hospital de Moscou com a idade de 91 anos.

“Espiritualmente próximo neste momento de tristeza pela morte do vosso pai”, “desejo apresentar-vos as minhas sinceras condolências, a todos aqueles que lhe são próximos e àqueles que o viram como um valioso estadista”, escreveu o Papa Francisco.

Um “compromisso com a concórdia”

“Recordando com gratidão o seu perspicaz compromisso com a concórdia e a fraternidade entre os povos, bem como com o progresso do seu próprio país numa época de grandes mudanças, elevo orações de sufrágio, invocando pela sua alma a paz eterna, em nome do Deus bom e misericordioso”, acrescentou o pontífice argentino na curta mensagem.

O ex-presidente soviético, embora um ateu auto-proclamado, tinha expressado as suas dúvidas sobre a existência de Deus após a morte da sua esposa Raissa em 1999. Marcando uma clara ruptura com os seus antecessores, tanto em termos da substância como da forma de exercício do poder, Mikhail Gorbachev abriu o caminho para a liberdade de religião e consciência, autorizando em particular a celebração pública do Milênio do Batismo da Rússia, em 1988.

Teve um encontro com João Paulo II no Vaticano a 1 de Dezembro de 1989, durante o qual os dois homens expressaram a sua boa compreensão com vistas a construir uma “Casa Comum Europeia”, três semanas após a queda do Muro de Berlim. Os contatos entre o Papa polonês e o último líder soviético continuaram nos anos seguintes, embora os planos para uma visita papal a Moscou nunca se tenham concretizado.

Prémio Nobel da Paz em 1990

Houve muitas reações à morte de Gorbachev, tendo o Presidente da Conferência Episcopal Alemã recordado que “o mundo seria hoje diferente se não tivesse sido por ele e pela sua corajosa intervenção a derrubar o Muro de Berlim”.

O Prémio Nobel da Paz de 1990 foi popular no Ocidente, mas sua trajetória continua a ser muito mais contestada na Rússia e na Europa Oriental, nomeadamente na Ucrânia e Lituânia, onde continua associado à supressão das manifestações do Exército Vermelho apelando à independência destes territórios então soviéticos.

2Violência em Bagdá: Papa Francisco pede diálogo

Por Camille Dalmas – No final da audiência geral dessa quarta-feira, o Papa Francisco expressou a sua “preocupação” com os “acontecimentos violentos que ocorreram em Bagdá nos últimos dias”. Exortou todos a rezar a Deus para dar “paz ao povo iraquiano”.

A 29 de Agosto, a eclosão de uma crise política entre um grupo político xiita e o atual governo – alguns dos quais são também líderes xiitas – levou a numerosos confrontos no Iraque, particularmente na capital Bagdá. Até agora, cerca de trinta pessoas foram mortas e quase 400 feridas.

Um país ainda assolado por anos de guerra

No seu breve discurso, o Papa recordou a alegria por ele vivida durante a sua viagem ao Iraque (5 a 8 de Março de 2021), a primeira de um Papa a este país ainda assolado por anos de guerra. Disse sentir durante a visita o “grande desejo de normalidade e de convivência pacífica entre as várias comunidades religiosas” do povo iraquiano.

“O diálogo e a fraternidade são a melhor forma de enfrentar as dificuldades atuais e de alcançar este objetivo”, concluiu o Papa Francisco.

3Íntegra da catequese do Papa Francisco de 31 de agosto de 2022

Eis a íntegra da catequese do Papa Francisco de 31 de agosto de 2022:

Catequeses sobre o discernimento 1. O que significa discernir?

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje iniciamos um novo ciclo de catequeses: terminámos as catequeses sobre a velhice, agora começamos um novo ciclo sobre o tema do discernimento. Discernir é um ato importante que se refere a todos, pois as escolhas constituem uma parte essencial da vida. Discernir as escolhas. Escolhe-se uma comida, uma roupa, um percurso de estudos, um emprego, uma relação. Em tudo isto realiza-se um projeto de vida, e também se concretiza a nossa relação com Deus.

No Evangelho, Jesus fala do discernimento com imagens tiradas da vida comum; por exemplo, descreve os pescadores que selecionam os peixes bons e descartam os maus; ou o comerciante que sabe identificar, entre muitas pérolas, a de maior valor. Ou aquele que, lavrando um campo, se depara com algo que se revela um tesouro (cf. Mt 13, 44-48).

À luz destes exemplos, o discernimento apresenta-se como um exercício de inteligência, também de perícia e inclusive de vontade, para reconhecer o momento favorável: são estas as condições para fazer uma boa escolha. É preciso inteligência, perícia e também vontade para fazer uma boa escolha. E há ainda um custo necessário para que o discernimento se torne viável. Para desempenhar a sua profissão da melhor forma, o pescador tem em consideração o cansaço, as longas noites passadas no mar, e além disso descarta uma parte da pesca, aceitando uma perda do lucro para o bem daqueles a quem se destina. O mercador de pérolas não hesita em gastar tudo para comprar aquela pérola; e o homem que se deparou com um tesouro faz o mesmo. Situações inesperadas, não programadas, onde é fundamental reconhecer a importância e urgência de uma decisão a tomar. Cada um deve tomar decisões; não há ninguém que as tome por nós. Numa certa altura os adultos, livres, podem pedir conselhos, pensar, mas a decisão é pessoal; não se pode dizer: “Perdi isto, porque o meu marido decidiu, a minha esposa decidiu, o meu irmão decidiu”: não! Tu deves decidir, cada um de nós deve decidir, e por isso é importante saber discernir: para decidir bem, é necessário saber discernir.

O Evangelho sugere outro aspeto importante do discernimento: ele envolve os afetos. Quem encontrou o tesouro não tem dificuldade de vender tudo, tão grande é a sua alegria (cf. Mt 13, 44). O termo usado pelo evangelista Mateus indica uma alegria totalmente especial, que nenhuma realidade humana pode dar; e com efeito, repete-se em pouquíssimas outras passagens do Evangelho, todas elas relativas ao encontro com Deus. É a alegria dos Magos quando, depois de uma viagem longa e árdua, veem de novo a estrela (cf. Mt 2, 10); a alegria, é a alegria das mulheres que regressam do sepulcro vazio, depois de ter ouvido o anúncio da ressurreição, feito pelo anjo (cf. Mt 28, 8). É a alegria de quem encontrou o Senhor! Tomar uma boa decisão, uma decisão certa, leva-te sempre àquela alegria final; talvez ao longo do caminho tenhamos que sofrer um pouco de incerteza, pensar, procurar, mas no final a decisão certa beneficia-te com a alegria.

No juízo final Deus fará um discernimento – um grande discernimento – em relação a nós. As imagens do camponês, do pescador e do comerciante são exemplos do que acontece no Reino dos céus, um Reino que se manifesta nas ações comuns da vida, que exigem uma tomada de posição. Por isso é muito importante saber discernir: as grandes escolhas podem surgir de circunstâncias à primeira vista secundárias, mas que se revelam decisivas. Por exemplo, pensemos no primeiro encontro de André e João com Jesus, um encontro que nasce de uma simples pergunta: “Rabi, onde moras?” – “Vinde ver!” (cf. Jo 1, 38-39), diz Jesus. Um diálogo muito breve, mas é o início de uma mudança que, passo a passo, marcará a vida inteira. Anos mais tarde, o Evangelista continuará a lembrar-se daquele encontro que o mudou para sempre, recordando-se até da hora: «Eram cerca das quatro horas da tarde» (v. 39). Foi a hora em que o tempo e o eterno se encontraram na sua vida. E, numa decisão boa, certa, encontra-se a vontade de Deus com a nossa vontade; encontra-se o caminho atual com o eterno. Tomar uma decisão certa, depois de um caminho de discernimento, significa fazer este encontro: o tempo com o eterno.

Portanto: conhecimento, experiência, afetos, vontade: eis alguns elementos indispensáveis para o discernimento. No decurso destas catequeses veremos outros, igualmente importantes.

O discernimento – como eu dizia – exige esforço. Segundo a Bíblia, não encontramos diante de nós, já embalada, a vida que devemos viver: não! Devemos decidi-la continuamente, de acordo com as realidades que se apresentam. Deus convida-nos a avaliar e a escolher: Criou-nos livres e quer que exerçamos a nossa liberdade. Por isso, discernir é difícil.

Vivemos frequentemente esta experiência: escolher algo que nos parecia bom e, no entanto, não o era. Ou saber qual era o nosso verdadeiro bem e deixar de o escolher. O homem, diversamente dos animais, pode errar, pode não desejar escolher de modo correto. A Bíblia mostra-o a partir das suas primeiras páginas. Deus dá ao homem uma instrução exata: se quiseres viver, se quiseres desfrutar da vida, lembra-te que és criatura, que não és o critério do bem e do mal, e que as escolhas que fizeres terão uma consequência para ti, para os outros e para o mundo (cf. Gn 2, 16-17); podes fazer da terra um jardim magnífico, ou podes transformá-la num deserto de morte. Um ensinamento fundamental: não é por acaso que se trata do primeiro diálogo entre Deus e o homem. O diálogo é: o Senhor dá a missão, é preciso fazer isto e aquilo; e o homem, a cada passo que dá, deve discernir qual é a decisão a tomar. O discernimento é aquela reflexão da mente, do coração que devemos fazer antes de tomar uma decisão.

O discernimento é árduo, mas indispensável para viver. Requer que eu me conheça, que saiba o que é bom para mim aqui e agora. Exige sobretudo uma relação filial com Deus. Deus é Pai e não nos deixa sozinhos, está sempre disposto a aconselhar-nos, a encorajar-nos, a acolher-nos. Mas nunca impõe a sua vontade. Porquê? Porque quer ser amado, não temido. E Deus também quer que sejamos filhos, não escravos: filhos livres. E o amor só pode ser vivido na liberdade. Para aprender a viver é preciso aprender a amar, e por isso é necessário discernir: o que posso fazer agora, diante desta alternativa? Que seja um sinal de mais amor, de mais maturidade no amor. Peçamos que o Espírito Santo nos guie! Invoquemo-lo todos os dias, especialmente quando devemos fazer escolhas. Obrigado!


Saudações:

Saúdo cordialmente os fiéis de língua portuguesa, em particular a tripulação do Navio-Escola “Brasil”. Irmãos e irmãs, não deixeis jamais de pedir a ajuda do Espírito Santo – guia segura para um bom discernimento – em cada escolha que tenhais de fazer. Que Deus vos abençoe!


APELO

Amanhã celebraremos o Dia Mundial de Oração pela Criação, e o início do Tempo da Criação, que terminará a 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis. O tema deste ano, “Ouve a voz da criação”, possa fomentar em todos um compromisso concreto para cuidar da nossa casa comum. À mercê dos nossos excessos consumistas, a irmã e mãe terra geme e implora-nos que acabemos com os nossos abusos e a sua destruição. Durante este Tempo da Criação, oremos para que os encontros COP-27 e COP-15 da ONU possam unir a família humana na abordagem decisiva da dupla crise do clima e da redução da biodiversidade.

* * *

Acompanho com preocupação os violentos acontecimentos ocorridos em Bagdad nos últimos dias. Peçamos a Deus em oração que conceda a paz à população iraquiana. No ano passado tive a alegria de a visitar, e senti de perto o grande desejo de normalidade e convivência pacífica entre as diferentes comunidades religiosas que a compõem. O diálogo e a fraternidade são a via mestra para enfrentar as dificuldades atuais e alcançar este objetivo.

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