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Depressão: como ajudar seu cônjuge a encontrar alegria na vida?

couple mature

fizkes/Shutterstock

Marzena Devoud - publicado em 02/09/22

Acompanhar um cônjuge deprimido pode ser muito delicado e complexo, particularmente no momento da aposentadoria. Aqui estão algumas formas de compreender o seu sofrimento e ajudá-lo(a) a lidar com o mesmo

Tudo mudou quando o marido de Nadine, Pierre, teve de antecipar sua aposentadoria devido a uma reestruturação na sua empresa. Após alguns meses de entusiasmo, de descobrir que finalmente teria tempo para fazer aquilo que amava, Pierre começou a mostrar sinais cada vez mais preocupantes: perda de sono, perda de apetite, falta de motivação para a mais simples atividade, desejo de isolamento. E quando a questão da hospitalização foi mencionada pela primeira vez por um médico, Nadine tomou consciência de que Pierre sofria de uma doença específica: a depressão.

“Até então, eu sentia que ele não estava bem, mas imaginei que era perda de energia relacionada com a idade, uma certa preguiça e uma pequena crise na nossa relação”, diz ela a Aleteia. “Pude ver que ele saía cada vez menos de casa, reduzindo as suas atividades fora e isolando-se cada vez mais. Mas eu não conseguia ver a doença no seu comportamento.”

A depressão, que afeta mais de três milhões de pessoas na França, é complexa de diagnosticar. “Em geral, vai-se diagnosticando pouco a pouco”, explica Camille Rochet, psicóloga e terapeuta de família, autora de Les 5 croyances qui empêchent d’être heureux en couple (Larousse, Janeiro de 2022).

Mesmo a pessoa que está doente leva tempo a perceber e depois a aceitar. Então, quando é que se deve preocupar? “É quando a mudança de comportamento é de longo prazo, ou seja, pelo menos seis meses. Por exemplo, quando a pessoa em questão já não gosta de ir a passeios ou outras atividades que costumava desfrutar. Isto é um sinal de que a doença está provavelmente a enraizar-se”, diz ela.

De fato, muitas vezes, este tipo de doença pode causar vergonha no cônjuge. Nadine admite hoje: “Não fui capaz de aceitar no início. Na minha educação, as doenças mentais não existiam, era um assunto tabu, todos tinham de ser fortes e radiantemente saudáveis. Era difícil aceitar isso no próprio cônjuge”, admite ela.

Por outro lado, a transição para a aposentadoria pode provocar uma crise no casal. “Crise não significa necessariamente uma crise no casamento, mas é muitas vezes um momento em que os cônjuges questionam o papel um do outro nesta nova situação em que se vêem confrontados um com o outro 24 horas por dia. É complicado reinventar-se neste momento”, diz Camille Rochet. Afinal, nesses momentos, como podemos compreender que o outro está em depressão? Como se deve apoiar o parceiro(a)? O que dizer? Finalmente, como podemos ajudá-lo(a) a redescobrir a alegria de viver?

1NÃO DIZER O QUE A OUTRA PESSOA DEVE FAZER

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O papel do cônjuge não é óbvio na medida em que a depressão é uma questão muito pessoal e interna. “Estar no seu papel significa antes de tudo aceitar que não se está no lugar da outra pessoa”, salienta Camille Rochet.

Dizer ao parceiro(a) “Vá lá, você têm de avançar agora” manda-os direto rumo ao buraco do fracasso. “Você se sente como se conhecesse o seu parceiro e soubesse o que o fará sentir-se bem, mas pode realmente estar errado. Além disso, é infantilizante para a pessoa doente e até exasperante para ela. É melhor não dar conselhos, a menos que seja solicitado. Cabe ao cônjuge deprimido assumir o comando, assumir a responsabilidade e reinventar-se para saber o que quer fazer nesta parte da sua vida”, acrescenta a psicóloga.

2ESTAR PRESENTE COM AFETO

O mais importante é estar disponível e atento ao seu parceiro doente, dando-lhe apoio emocional no seu sofrimento e perguntando-lhe como ajudar. Seu papel é estar presente, fazendo perguntas como: “Precisas que eu esteja mais contigo?”; “Gostarias que eu convidasse amigos para virem aqui?” Sugerir coisas sem as impor é a melhor forma de ajudar a pessoa deprimida. Esta atitude requer respeito, paciência e muita humildade.

3ACOMPANHAR SEM JULGAR

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É por vezes difícil suportar os danos causados pelo comportamento de um cônjuge deprimido. Pode até ser tentador acusá-lo de destruir a vida familiar. “Tive dificuldade em aceitar o fato de que o meu marido não se apercebeu do quanto o seu sofrimento estava a magoar aqueles que o rodeavam, incluindo eu mesma. Sim, por vezes ficava magoada com ele. Na minha raiva, culpei-o pelo seu egoísmo”, diz Nadine. Para uma pessoa que sofre de depressão, a percepção da realidade externa é distorcida. E estão tão presos no seu próprio sofrimento que não conseguem compreender o sofrimento dos outros. “É muito importante tentar não julgá-los, mas acompanhá-los no seu sofrimento. Diz-lhe: “Compreendo o teu sofrimento, estou aqui, estou ao teu lado, se precisares de mim”, aconselha Camille Rochet.

4RECONHECER AS FRAQUEZAS E PROTEGER-SE

Muitas pessoas têm dificuldade em saber até onde podem ir no apoio ao seu parceiro em depressão. No entanto, esgotar-se a tentar ajudá-los não lhes está a fazer nenhum favor… Preservar-se de forma a não se afundar é a prioridade. “Passado algum tempo, é preciso reconhecer quando se é impotente”, diz Camille Rochet. A pessoa que ajuda deve ser capaz de se libertar, continuar a viver e encontrar um lugar para recarregar as suas baterias. Esta é a única forma de aguentar a longo prazo e ajudar o seu parceiro de forma eficaz. “Em vez de se proibir de tirar alguns dias de folga, é melhor pedir a amigos ou familiares que estejam disponíveis, em vez disso. Se você não fizer uma pausa, está a dar a si próprio os meios para se afundar na doença com o seu parceiro”, diz ela.

5INSPIRAR-SE NA ORAÇÃO

COUPLE

A oração é inesgotável para pedir ao Senhor que conceda a cura ao cônjuge doente e para dar a força de desempenhar bem o papel de ajudante. “Graças à oração dita em família ou sozinhA, nunca me senti abandonadA por Deus. Eu sabia que ele estava a segurar-me pelo braço para me dizer que estava sempre presente, mesmo quando me apetecia desistir”. É isto que Nadine diz, e reconhece que a oração e a orientação espiritual lhe permitiram medir todos os pequenos passos já dados no caminho da recuperação e a alegria de viver que o seu marido finalmente encontrou.

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