Aleteia logoAleteia logoAleteia
Segunda-feira 03 Outubro |
Santos André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Mo...
Aleteia logo
Espiritualidade
separateurCreated with Sketch.

“Contemplação e sacerdócio” na segunda edição

Missa

Luis Angel Espinosa LC | Cathopic

Vanderlei de Lima - publicado em 04/09/22

Um padre que não cultive a vida interior à luz da beleza, da grandeza e da profundidade do seu ministério, cedo ou tarde, acabará, infelizmente, sucumbindo pelas razões mais diversas

A Editora Molokai lançou, em 2020, Contemplação e sacerdócio que, escrita por Dom Jean-Paul Galichet, monge cartuxo francês, esgotou-se em um ano. Surge, agora, em 2022, a sua segunda edição revista.

Como seu tradutor e autor de um vocabulário filosófico-teológico, nas últimas páginas da obra, posso garantir que ela é uma preciosidade espiritual e teológica. Todo sacerdote ou seminarista do curso de Teologia deveria lê-la, meditá-la e divulgá-la entre os seus irmãos. Afinal, um padre que não cultive a vida interior à luz da beleza, da grandeza e da profundidade do seu ministério, cedo ou tarde, acabará, infelizmente, sucumbindo pelas razões mais diversas. Eis, pois, o motivo da insistência para com a necessidade de se voltar firmemente a esse rico manancial tão apreciado no meio clerical. O Papa São Paulo VI, por exemplo, chegou a citá-lo, em 18/11/1966, no Discurso aos superiores maiores das Ordens Religiosas da Itália.

Logo nas primeiras páginas, o autor demarca o tema do seu livro com estas sábias palavras: “Contemplar corresponde a todo cristão; a contemplação é específica para alguns, um estado de vida. O sacerdócio é, por sua permanência, um estado; comporta, eclesialmente, certas funções; requer, pessoalmente, certas disposições. A relação entre a contemplação e o sacerdócio vem da união entre Cristo e o Seu corpo, que é a Igreja (1 Coríntios 12,27). A questão levantada por essa relação interessa a todos os cristãos diversamente, mas universalmente, uma vez que é vital. E como essa questão diz respeito à vida, pode ser considerada sob diferentes incidências. Nas páginas que seguem, colocar-se-á uma desde o ponto de vista da espiritualidade, a da incidência na vida espiritual encontrando-se, em contrapartida, radicalmente implicada a teologia dogmática” (p. 29).

Depois de propor questões sobre a harmonia entre vida monástica e sacerdócio ministerial, Galichet conclui: “Este é o tema das reflexões que se seguem. Estas reflexões não serão, talvez, indiferentes nem aos sacerdotes que não são monges, se com elas chegam a descobrir as harmonias contemplativas contidas em todo sacerdócio; e muito menos serão indiferentes aos monges que não são sacerdotes, inclusive às monjas, se estas reflexões demonstram a existência de um vínculo orgânico entre a vida contemplativa e o sacrifício eucarístico, objeto primário do sacerdócio” (p. 30-31).

A dignidade do sacerdócio ministerial que une o sacerdote humano ao Sacerdote Divino (Cristo) é assim expressa: “O sacerdote deve dar a Cristo, de certa forma, ‘um querer sacrifical humano também’. Do ponto de vista eclesial, o sacerdócio é uma função. Contudo, essa função é de uma característica muito particular; implica, pois, em sua própria natureza uma união pessoal, isto é, de pessoa a Pessoa, com o Verbo Encarnado: união de uma característica única e sem nada análogo” (p. 41). Ainda: “Por fim, observar-se-á que o vínculo do sacerdote com Cristo, sendo pessoal, é radicalmente uma união com o Verbo. Por ela, o sacerdote está incorporado ao mistério do próprio Amor incriado; de modo semelhante, já foi dito, a Virgem Maria, que habita na Trindade porque é Mãe de Deus. É um objeto de contemplação inesgotável” (p. 53).

Isso posto, o autor passa a considerar a relação entre o sacerdócio ministerial e a consagração monástica para defender a sua plena conformidade: “Na consagração total do monge a Deus, há uma vocação para a mediação. Ele já está, como tal, investido de uma função pública de adorador e de intercessor; mas, pelo sacerdócio, essa vocação mediadora encontra um complemento superior, uma espécie de investidura por Cristo Sacerdote. Entre a consagração monástica e o sacerdócio há portanto, simultaneamente, um complemento transcendente e, ao mesmo tempo, harmonia, continuidade” (p. 72-73). Eis parte do conteúdo de Contemplação e sacerdócio enriquecido com “Notas suplementares do Magistério da Igreja e dos Estatutos Cartusianos atuais” (subtítulo), quatro Apêndices e os Prefácios de Dom Luiz Fechio, Bispo de Amparo, e de Dom Orani Tempesta, O. Cist., arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Parabéns à Editora Molokai por tão oportuna obra!

Para mais informações clique aqui.

Tags:
EspiritualidadeLivrosPadresVocação
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

PT300x250.gif
Oração do dia
Festividade do dia





Envie suas intenções de oração à nossa rede de mosteiros


Top 10
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia