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Comunismo, esquerda, direita e eleições

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ELEIÇÕES, ELEICOES, BRASIL

Lais Monteiro | Shutterstock

Vanderlei de Lima - publicado em 16/09/22

Quando um clérigo troca o Evangelho pela política partidária (de esquerda, de centro ou de direita), ele expulsa o povo da Igreja

Recebemos um artigo sem título, mas cheio sofismas. Sofisma é um raciocínio que, sob aparência de verdade, esconde um erro em virtude do qual se torna falso.

O texto trata de esquerda e direita, do comunismo, do capitalismo e da consciência humana. Diz, com palavras fortes, que a Igreja não é de esquerda ou de direita. Mais: “‘Católico não pode ser de esquerda!’ Onde está escrito isso? Então quer dizer que todos devem ser de direita? Onde está escrito isso também?”. 

A tendenciosidade do artigo – sempre à esquerda – parece clara, não? Todavia, de modo geral, ele está, neste ponto, próximo da verdade. A Igreja, por ser católica (do grego, katholikos), isto é universal, não se apequena, pois, num partido, parte do todo (cf. Gaudium et spes n. 75-76). O amor da mãe Igreja se estende, portanto, sem distinção alguma, a cada filho: da direita, da esquerda ou do centro. Destes o texto não tratou, mas é útil inclui-los aqui, pois muito se fala em “centrão” ou “terceira via”.

Isso posto, o artigo afirma: “A igreja condena o comunismo? Sim, condena. E o faz dentro de um contexto muito específico: Primeira e Segunda Guerras Mundiais e Guerra Fria. Para ser mais precisa: rechaça, com todas as letras, o materialismo ateu de todas as eras. A instituição também denunciou os males do capitalismo em várias ocasiões. Essa divinização do mercado e a lógica do lucro, que não condizem, em nada, com os princípios do catolicismo. João Paulo II chegou a dizer que esse sistema também havia contribuído com a degradação da Europa, para termos uma noção”. 

Aqui, já temos o sofisma. Ele cai por terra, no entanto, com a lembrança de um ponto básico da Doutrina Social da Igreja: o comunismo é “intrinsecamente perverso” (Pio XI.  Divini Redemptoris, n. 58; cf. Puebla, n. 543-544), isto é, mal em si mesmo. Não pode, de modo algum, conciliar-se com o Evangelho (cf. Pio XI. Quadragesimo Anno, n. 117; Paulo VI, Ecclesiam Suam, n. 105; João Paulo II, Centesimus Annus, n. 26 etc.); já o capitalismo, de si, não é mau se respeita a dignidade humana ou, na linguagem do Papa Francisco, se é “inclusivo” (Francisco, Aos membros do Conselho para um Capitalismo Inclusivo, 11/11/2019; cf. Pio XI. Quadragesimo anno, n. 101, e Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, n. 512). Por isso, a Igreja não o denuncia em si, mas apenas ataca seus exageros. Mais: o artigo é contraditório, pois ou a Igreja condenou o comunismo apenas “dentro de um contexto muito específico” (1), ou “rechaça, com todas as letras, o materialismo ateu de todas as eras”, portanto também em 2022 e aí se inclui, por certo, o comunismo (2) ou para o texto só o capitalismo selvagem seria materialista e ateu, o que, como vimos, é falso (3). Logo, a repulsa ao comunismo é sempre válida. O Papa Francisco, por exemplo, afirmou: “Nunca compartilhei a ideologia marxista, porque ela é falsa” (ACI Digital, 05/03/2014, online).

Dito isso, em contrário da Igreja, o artigo parece mostrar-se relativista aos escrever que “nenhum partido consegue (nem conseguirá) corresponder integralmente aos princípios católicos. A própria Igreja, que não é ingênua, admite isso. Então, o que fazer? Apelar para a consciência. Votar não pensando somente em si, mas no coletivo, evitando essa idolatria partidária. Por isso, como católicos, não devemos aceitar nenhuma espécie de terrorismo eleitoral que nos force a sacralizar projetos de poder, pelo simples fato de que a Igreja Católica não o faz”. 

Outro sofisma: o verdadeiro católico é, sim, livre para votar em partidos de direita, de esquerda ou de centro, desde que eles respeitem os princípios da fé e da moral católica: por exemplo, a vida desde a concepção até o seu fim natural e digam não ao aborto e à eutanásia (cf. Congregação para a Doutrina da Fé. Nota doutrinal…, 24/11/2002). Aqui, está a linha tênue entre agradar a Deus ou aos homens da política partidária (cf. At 5,29).

Finalizando, quando um clérigo troca o Evangelho pela política partidária (de esquerda, de centro ou de direita), ele expulsa o povo da Igreja. Todavia, não é com sofismas ou fake news que se muda isso, mas apenas com a verdade (Jo 8,32).

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