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Denunciar o erro é mais fácil que anunciar a verdade, mas não torna as pessoas mais felizes

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Francisco Borba Ribeiro Neto - publicado em 18/09/22 - atualizado em 17/09/22

Onde falta a luz da verdade, as coisas vão se tornando cada vez mais confusas, mas agressivas e cheias de rancor

Vivemos um tempo de denúncias e acusações. Nos jornais, nas mídias sociais, na escola e até na família, parece que o tempo todo cruzamos com alguém denunciando os erros dos outros, acusando alguém de alguma coisa. É verdade que essa é uma função importante de algumas pessoas na sociedade. O chamado “jornalismo investigativo” existe justamente para isso – prestou, e continua prestando, muitíssimos serviços para a construção de sociedades melhores ao longo da história. O mundo está repleto de erros que têm de ser conhecidos e denunciados, pessoas que precisam ser acusadas para que parem de causar o mal.

Escolher o caminho certo

Contudo, existem muitos caminhos pelos quais podemos nos perder, poucos que nos levam a nosso destino e, provavelmente, só um pode ser considerado o mais curto e adequado. Esse é o grande limite de vivermos anunciando os erros do mundo… Não dá para chegar ao caminho certo apenas eliminando os errados. Quem imagina obter sucesso agindo assim também está, com certeza, longe do melhor caminho.

É verdade que Deus parece não se repetir, que cada um de nós tem o seu caminho de realização humana. Contudo, quem percorreu o próprio caminho de realização, aprende a identificar a sinalização que indica qual é a via de cada um, e pode ajudar quem vem atrás a descobrir o próprio caminho. Essa é a missão do mestre.

O caminho da humildade

Se a verdade é tão difícil de ser encontrada, pode parecer natural que nos desobriguemos de anunciá-la, preferindo nos contentar com a denúncia dos erros. Mas essa não é a postura que mais ajuda a nós mesmos e àqueles que encontramos a serem felizes. O anúncio da verdade é sempre humilde, nunca arrogante e prepotente. Assim como não dá para chegar à verdade simplesmente denunciando os erros, também não é possível anunciar a verdade com uma postura presunçosa.

A verdade, em toda a sua riqueza e profundidade, está quase sempre além de nosso domínio. Conseguimos apreendê-la apenas parcialmente. Conseguimos saber que certos fatos aconteceram, outros não, mas saber todas as causas e implicações daquilo que acontece é sempre difícil. Essa constatação não significa que devemos adotar uma postura relativista, como se a verdade não existisse porque não conseguimos compreendê-la integralmente. Implica, isso sim, numa postura humilde, de quem sabe que a realidade é sempre maior do que nosso entendimento.

A posição verdadeira não é tanto aquela de quem pontifica a verdade para os demais. Esse exercício de proclamação da verdade pode até ser justo em certos contextos, mas dificilmente ajuda nos momentos mais críticos. Quando a confusão parece imperar e o discernimento se faz mais necessário, a primeira manifestação da verdade não é aquela que diz isto está certo, isto está errado; mas sim aquela que diz: “estou aqui para acompanhar você na sua caminhada de descoberta da verdade”.

O caminho da caridade

A grande verdade é o amor gratuito, pelo qual Deus criou o mundo e que Ele, por sua graça, compartilha mesmo que minimamente conosco. Essa é a verdade simples, que abre caminho para o real discernimento, que, mais importante do que mostrar o erro, ilumina o caminho para a resposta mais justa para todos os problemas e dificuldades que nos afligem.

Numa postura justa, o erro se evidencia no encontro com a verdade. Podemos não entender plenamente a verdade e acreditar em algumas coisas erradas, mas – num caminho verdadeiramente iluminado pelo amor de Deus – as coisas podem ir se esclarecendo e se resolvendo. Onde falta essa luz amorosa da verdade, acontece exatamente o contrário: as coisas vão se tornando cada vez mais confusas, mas agressivas e cheias de rancor. Sem essa luz, caminhamos no escuro e, mesmo que tenhamos iniciado o caminho justo, mais cedo ou mais tarde nos desviamos dele e nos perdemos.

Essas não são questões de cunho intimista ou excessivamente profundas. Podemos perceber seus desdobramentos em nosso cotidiano, cheio de “gurus” e falsos profetas, que denunciam o erro não para nos aproximar da verdade e do amor, mas sim para fazer com que nos percamos cada vez mais no rancor e no ressentimento.

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