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Lições de um psicopata

FBI hand gun

Shutterstock | Dzelat

Vanderlei de Lima - publicado em 16/10/22

O filme “Dahmer: Um Canibal Americano” lidera o Top 10 da Netflix. Este artigo traz breves lições oferecidas por um psicopata. Confira:

O filme “Dahmer: Um Canibal Americano” lidera o Top 10 da Netflix. Este artigo traz, a pedido de leitores, breves lições oferecidas por um psicopata.

A produção cinematográfica, como o próprio título diz, traz a vida de Jeffrey Dahmer, o grande canibal americano, que, entre 1978 e 1991, seduziu, dopou, matou, esquartejou e se alimentou de partes dos corpos de suas vítimas. Ao todo, 17 homens. Foi sentenciado, condenado à prisão perpétua e, na penitenciária, assassinado por um detento que sofria delírios e alucinações. Sim, Dahmer, psicopata clássico, morreu nas mãos de alguém com transtornos mentais graves. Analisemos, pois, algumas falas do canibal. Elas nos transmitem bons indícios sobre a diferença entre o psicopata e o portador de transtornos mentais graves.

Dahmer pondera: “Eu realmente nasci desse jeito. Quer dizer, eu não acho que aconteceu alguma coisa pra me deixar assim, porque eu sempre fui exatamente assim”. Sua declaração é fundamental. O psicopata nasce, se desenvolve e morre psicopata. Certo é, porém, que, antes dos 18 anos, chamamos os atos transgressores de alguém de transtornos de conduta e, por volta dos 40 anos, sua sanha de fazer o mal pode diminuir muito. Todavia, uma pergunta básica aqui se impõe: Como definir o psicopata? – O psicopata é um ser humano perverso, ou seja, mau por natureza. “Seus atos criminosos não provêm de mentes adoecidas, mas sim de um raciocínio frio e calculista combinado com uma total incapacidade de tratar as outras pessoas como seres humanos pensantes e com sentimentos” (Ana Beatriz Barbosa Silva. Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado. 3ª ed. Principium, 2018, p. 42).

Qualquer ser humano atento poderá, a esta altura deste modesto artigo, de modo um tanto confuso, pensar: “O psicopata pode não ser doente mental, mas também não é normal. Um ser humano normal não seduz, dopa, mata, esquarteja e se alimenta de partes dos corpos de suas vítimas”. Respondemos que o Dr. Guido Palomba, psiquiatra forense, sempre afirma o seguinte: o psicopata habita a zona fronteiriça entre a loucura e a normalidade. Entre a noite (a doença mental) e o dia (a normalidade), há a aurora (a psicopatia). Portanto, o psicopata não é nem doente, nem normal, mas um transgressor (cf. Vanderlei de Lima. Psicopatas. Ixtlan, 2022, p. 15). Aqui, cabem duas máximas: “Nem todo delinquente é psicopata, mas todo psicopata é delinquente” e “Nem todo egocêntrico é psicopata, mas todo psicopata é egocêntrico”. Ele não olha para os outros na horizontal (“somos iguais”), mas na vertical (“sou superior a todos”).

Questionado pelos investigadores a razão pela qual passou 9 anos sem atacar e matar ninguém, Dahmer respondeu, com frieza, que “tava tentando ser um bom menino”. Esta declaração, à primeira vista periférica, é assaz importante. Demonstra que, à diferença de alguém com transtornos mentais graves, o psicopata tem pleno domínio dos seus atos. Sabe o que, onde, quando, como e com quem faz o mal. Deve, pois, responder pelos crimes junto a todos os criminosos comuns e, via medida de segurança, ficar preso por tempo indeterminado. Só deixaria a prisão ao ter constatado, por meio de psiquiatras forenses e psicólogos competentes, que a sua periculosidade, de fato, cessou.

Indagado pelos policiais se ouvia vozes, Dahmer foi enfático: “Não, eu não sou louco”. Correto! O psicopata, como dito, está na zona fronteiriça entre a loucura e a normalidade. E por que não é “louco”? – Porque o portador de transtornos mentais graves rompeu com a realidade comum para viver a sua própria. Nela, tudo é diferente. Aí, há delírios (crenças errôneas e exageradas) e alucinações (ouvir e ver o que não existe na realidade objetiva). Ora, um psicopata jamais delira e alucina. Seu grave problema está na sua má conduta de vida, não em transtornos mentais a necessitarem de tratamentos.

O filme em foco nos ensina, uma vez mais, a cuidar bem de quem tem transtornos mentais graves e a fugir dos psicopatas. Do contrário, cairemos nas suas garras.

Tags:
CinemaPsicologiaViolência
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