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Histórias Inspiradoras
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Padre recebeu alerta dos anjos para deixar igreja antes que ela fosse destruída por uma explosão

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Public Domain

Anne Bernet - publicado em 26/10/22

Durante horas, em meio aos escombros e fumaça tóxica, o pároco cuidou dos moribundos e feridos

O Pe. Jean-Édouard Lamy (1853-1931), pároco de La Courneuve (ao norte de Paris, França) no início do século passado, foi uma admirável figura de santidade. Ele até ganhou o apelido de “o outro Cura D’Ars”. No entanto, a centralidade do sobrenatural em sua vida muitas vezes fez as pessoas esquecerem que ele também era um homem de ação e um sacerdote comprometido.

A sua familiaridade com o mundo angélico certamente prejudicou sua reputação em uma época em que as pessoas não acreditavam nesses seres espirituais (até mesmo membros de certos círculos eclesiásticos). A capacidade de ver e ouvir anjos era, no entanto, útil para ele. A história a seguir, entre muitas outras, testemunha isso.

A Primeira Guerra

Era março de 1918. O esforço de guerra foi levado ao máximo e as fábricas de armamento construídas no subúrbio parisiense, que até então era uma cidade mercantil, trabalhavam a toda velocidade para enviar granadas e munições para o front da Primeira Guerra Mundial.

A princípio, a população se preocupou com sua proximidade, o que poderia atrair bombardeios inimigos. De fato, os alemães tinham canhões de longo alcance, incluindo o famoso Big Bertha, com os quais conseguiriam atingir Paris. Os habitantes também temiam um acidente, por causa dos enormes estoques de pólvora. No entanto, eles gradualmente se acostumaram à realidade, especialmente porque essas fábricas forneciam trabalho bem remunerado para mulheres, que eram obrigadas a sustentar suas famílias agora que os homens estavam em combate ou mortos. 

Essa aparente falta de preocupação não mudou a realidade do perigo; eles simplesmente escolheram não pensar mais nisso. Exceto o padre Lamy. Em todas as oportunidades que tinha, ele convidava a comunidade de sua paróquia a rezar o Rosário todos os dias, a fim de preservar a cidade de uma “terrível tragédia”. 

Alerta dos anjos?

Seria esse chamado um simples bom senso, por saber que os paióis de pólvora poderiam explodir metade da cidade, ou uma presciência vinda de cima, como alguns pensavam, cientes dos laços que o velho padre tinha com o mundo invisível?

Pe. Lamy escreveu:

“Foi no início da guerra… Foram os Santos Anjos que falaram da catástrofe, não a Santíssima Virgem. Ela me deu um vislumbre da explosão e eu implorei a ela para salvar a vida das pessoas. Eu disse a Ela: ‘Santa Mãe de Deus, salve as vidas!’ E ela não respondeu, mas considerei a coisa concedida a partir daquele momento… Não sabia o dia da explosão.”

Em 15 de março de 1918, o padre parecia ter esquecido seus medos e, com a Páscoa se aproximando, decidiu embarcar em uma grande faxina de primavera. Apesar da idade, da visão muito fraca e do reumatismo, o padre Lamy estava ajoelhado no chão naquela manhã, esfregando o piso e pensando em pegar uma escada para limpar os vitrais imundos.

“Vá para Paris em vez disso!”

Enquanto faxinava, teve uma visão de seu anjo da guarda e do arcanjo Gabriel, que estavam juntos em um canto da igreja observando-o limpar com um sorriso que fez o padre duvidar do que estava fazendo. Gabriel disse ao anjo da guarda: “É inútil…”

Pe. Lamy sabia que os anjos, ao contrário dos humanos, nunca falam em vão e que precisamos levá-los a sério. “Muitas vezes, quando eles querem me dar boas lições, eles conversam e me deixam ouvir a conversa deles”, escreveu o padre. Obediente, o sacerdote levantou-se e foi guardar os baldes e o sabão. Mas, de repente, um pensamento estranho e insistente lhe ocorreu: “Vá para Paris em vez disso”.

O que ele faria lá? Comprar os rosários e santinhos que ele oferecia todos os anos às crianças que faziam a primeira comunhão? Aquela missão não era nada urgente, mas a ideia ficou lá, incomodando-o: “Vá para Paris! Vá para Paris agora mesmo!”

Aquilo o perseguia tanto que não podia mais ser considerado natural; alguém tinha que estar sussurrando para ele. Reconhecendo a maneira como os anjos da guarda agem, o padre pegou seu casaco, fechou a porta e se dirigiu à rodoviária. “Não fiquei para rezar nem uma hora, nem meia hora, nem dez minutos: fui a Paris comprar lembranças para os primeiros comungantes”, escreveu mais tarde. Ele embarcou no ônibus em direção à capital.

Assim que o ônibus partiu, uma terrível explosão sacudiu toda a vizinhança com um barulho aterrorizante, estilhaçando todas as janelas por quilômetros ao redor – começando pelas janelas da igreja que ele queria limpar naquela manhã. A fábrica de armamentos Sohier tinha acabado de explodir – e dezenas de prédios e casas foram as ares com ela!

Protegido por anjos

Tremendo de emoção, o padre Lamy desceu do ônibus e rezou, horrorizado com o que restava de sua igreja, cuja nave central havia desmoronado. Se o padre idoso tivesse seguido seu plano, estaria ali, enterrado sob os escombros, aos pés do tabernáculo diante do qual costumava orar àquela hora. Ele estaria morto, sem dúvida, junto com muitas vítimas dessa catástrofe. Quanto à Eucaristia reservada no tabernáculo, que era sua preocupação imediata, ela ficou milagrosamente intacta. O tabernáculo foi arrancado da parede, mas o cibório e o corporal ainda estavam no lugar.

Pe. Lamy entendeu por que ele recebeu esse aviso milagroso e sobreviveu. Se ele estivesse sob os escombros, não haveria nenhum padre para dar a absolvição e atender às outras necessidades espirituais das vítimas que as equipes de resgate estavam começando a desenterrar dos escombros. 

Por horas a fio, em meio aos escombros e à fumaça tóxica que o sufocava, o pároco – esquecendo-se de si mesmo – cuidou dos feridos. Havia mais de 900 pessoas feridas.

À noite, exausto, notou que, como os anjos e Nossa Senhora lhe haviam prometido quando anunciaram a catástrofe, ninguém havia sido morto. Eles, de fato, foram protegidos pelo Rosário, pelos santos anjos e pela fé de seu velho padre.

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