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A Escatologia na TL marxista e no nosso livro

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"Yo Soy el que Soy"

Vanderlei de Lima - publicado em 30/10/22

Escatologia vem do grego schatón (último) e logos (discurso); já Novíssimos tem sua origem no latim novissima (últimas)

Alguns cursos com orientação doutrinária da Teologia da Libertação extremada assustam fiéis leigos ao tratarem da Escatologia. Abordemos, de modo sucinto, a questão.

Comecemos por relembrar os termos em foco. Escatologia vem do grego schatón (último) e logos (discurso); já Novíssimos tem sua origem no latim novissima (últimas). Assim, tanto Escatologia quanto Novíssimos querem dizer “estudo das últimas coisas” da nossa vida. Dizem respeito, portanto, a algo que se inicia aqui, mas só se consuma no além ou no Reino de Deus por excelência que não é deste mundo (cf. Jo 18,36), pois não temos aqui morada definitiva (cf. Hb 13,14; São Paulo VI. Credo do Povo de Deus n. 28). De mais a mais, o próprio Senhor Jesus rejeitou o materialismo diabólico (cf. Mt 4,1-11).

Ora, a Teologia da Libertação (TL) extremada ou marxista não se interessa tanto pelo além – o transcendente –, mas foca muito no aquém – no imanente, segundo nota Dom Estêvão Bettencourt, OSB: “As noções de vida póstuma e bem-aventurança celeste, que são essenciais para a mensagem cristã, são ofuscadas no conceito de libertação entendida no sentido temporal e material. […] A história, para Marx, não desemboca na vida transcendental póstuma (celeste), mas numa sociedade sem classes. Ora, a TdL praticamente se confina a este termo meramente terrestre, desdenhando as perspectivas transcendentais da escatologia bíblica” (Teologia da Libertação. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, p. 14-15, opúsculo 32). 

Como se vê, só esta afirmação já aponta a falha grave da Escatologia apresentada pela TL marxista. Todavia, os erros não param aí. Há outros pontos distorcidos pelos adeptos dessa corrente teológica que tanto mal causa à fé. Alguns deles defendem a falsa doutrina monista (corpo e alma não se separam, mas morrem juntos e juntos ressuscitam logo após a morte). Outros teólogos – sabendo que a alma é, por sua natureza espiritual, imortal – ensinam o que poderíamos chamar de transformismo; ou seja, o ser humano passaria, já a partir da morte, por uma transformação: de corpo mortal a ressuscitado. Aí se daria, portanto, o purgatório, a ressurreição da carne e o juízo final. 

Este pensamento é ilógico e destoa da fé católica. É ilógico porque como pode alguém, falecido em 2022, ver irmãos que ainda sequer nasceram e não têm, por conseguinte, matéria para apresentar ao Juiz universal? É oposto à doutrina católica, pois esta ensina que, na morte, há a separação do corpo material e da alma espiritual. Aí, a alma volta para Deus e o corpo para a natureza física: é sepultado ou incinerado. Ocorre, então, o juízo particular. Depois dele, a alma sem o corpo vai para o céu, para o inferno ou para o purgatório e aguarda a ressurreição da carne e o juízo universal no fim dos tempos (cf. Catecismo da Igreja Católica n. 1020-1065; São Paulo VI. Credo do Povo de Deus n. 28-30, e Congregação para a Doutrina da Fé. Recentioris Episcoporum Synodi). 

Para finalizar, três pontos vêm ao caso. 1) Parte da Escatologia da TL marxista é de raiz protestante (cf. Justo Collantes, SJ. La fe de la Iglesia católica: las ideas e los hombres en los documentos doctrinales del Magisterio. 3ª ed. Madri: BAC, 1983, p. 805-806). Ora, em 12/10 último, Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, SP, afirmou, com acerto, que “nós precisamos ter uma identidade religiosa. Ou somos evangélicos ou somos católicos. Nós precisamos ser fiéis a nossa identidade católica” (Estadão on-line). Que isso possa servir de reflexão a esses teólogos. 2) Os teólogos, por mais doutos que sejam, não estão acima das verdades de fé (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 94-95). Caso julguem estar, acabam por criar um magistério paralelo, conforme denunciado na obra O Magistério dos Bispos, on-line, da CNBB. 3) O sensus fidei ou sentido da fé (cf. Lumen Gentium, 12) presente no Povo de Deus o leva a fugir dessas doutrinas errôneas, ainda que nem sempre possa sadiamente corrigi-las, seja por falta de didática, seja porque o sacerdote professor – muito clericalista e nada sinodal – se julga incorrigível. 

Eis, pois, a utilidade do nosso livro Para ser feliz nesta e na outra vida (Cultor de Livros, 2021). Ele trata da Escatologia à luz do Magistério da Igreja e de teólogos católicos sem mesclas de TL extremada ou marxista.

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BíbliaDoutrinaHistória da Igreja
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