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Padre que acompanhou Princesa Diana na noite da sua morte critica série “The Crown”

PRINCESA DIANA

Shutterstock | mark reinstein

Francisco Vêneto - publicado em 03/11/22

Reconstituição da cena do acidente para fins comerciais é "grosseira e certamente não é necessária"

O padre que acompanhou a Princesa Diana na noite da sua morte e chegou a dar-lhe a unção dos enfermos criticou a série The Crown por explorar para fins comerciais os trágicos eventos da madrugada de 31 de agosto de 1997. A popular produção da Netflix reconstitui o acidente fatal de Lady Di em episódios da sua sexta temporada.

Para o pe. Yves-Marie Clochard-Bossuet, o uso do acidente da Princesa Diana em The Crown “é grosseiro e certamente não é necessário”, porque desrespeita a memória e a família da princesa e reaviva o trauma dos seus filhos e familiares mais próximos de modo gratuito. O padre considera ainda que os produtores estão “simplesmente interessados ​​em atrair o maior número possível de espectadores”.

“Diana tem filhos, ela tem um irmão e irmãs, e isso afeta os sentimentos de toda a sua família. Todos serão afetados pela reconstrução deste acidente. Todos nós conhecemos os fatos; tudo está muito claro, então não há necessidade de produzir novas imagens desse evento terrível”.

O pe. Yves-Marie, que é francês e acompanhou a princesa durante mais de dez horas naquela trágica noite, se pronunciou neste último dia 30 de outubro, em declarações ao jornal britânico Daily Mail, por ocasião de filmagens feitas em Paris na semana anterior para reproduzir o acidente no mesmo túnel em que ele aconteceu na vida real.

Naquela noite, Lady Di e seu namorado, Dodi Al-Fayed, fugiam de fotógrafos de celebridades que os perseguiam. Com eles iam um guarda-costas e o motorista, que perdeu o controle do carro.

A noite do acidente e a ligação ao pe. Yves

A princesa foi levada ao hospital parisiense Pitié Salpêtrière, cuja direção entrou em contato com o pe. Yves-Marie por volta das 2 horas da manhã pedindo-lhe o contato de algum sacerdote anglicano. O padre não tinha. Três minutos depois, o hospital voltou a telefonar pedindo que ele próprio comparecesse com urgência, porque a situação era “grave em nível extremo”.

O pe. Yves-Marie relata que foi rapidamente para o hospital, onde um intenso movimento confirmava que não era uma noite comum. Às 3:30 da manhã, ele foi levado à ala de cirurgias. O embaixador britânico o cumprimentou e pediu que ele rezasse e esperasse com paciência.

Quase uma hora depois, às 4:20, uma enfermeira o levou para outro andar, onde novamente estava o embaixador britânico, agora acompanhado pelo ministro francês do Interior, Jean-Pierre Chevènement. Passados mais alguns minutos, o pe. Yves foi conduzido ao quarto em que se achava o corpo já sem vida de Lady Di. Pediram-lhe que permanecesse ao seu lado, em oração, até a chegada de um pastor anglicano. Eram 4:41 da manhã. O sacerdote católico permaneceria ali durante as próximas dez horas, acompanhando-a em oração e dando-lhe a extrema unção.

A mudança de opinião do pe. Yves

Em entrevista posterior, o pe. Yves reconheceu que, até então, a sua opinião sobre a princesa não era das melhores, dados os muitos escândalos da realeza britânica, sobretudo em termos de fidelidade matrimonial.

Diante do seu corpo sem vida, porém, essa animosidade se dissipou. O padre conta que pensou nos jovens filhos da princesa, que sequer sabiam do ocorrido. E continuava rezando e confiando a sua alma à misericórdia do Pai Eterno.

Sua experiência, segundo ele próprio, foi muito intensa. Passado algum tempo, ele pediu autorização dos superiores para fazer um retiro de oração em Medjugorje, mas, antes de partir, resolveu escrever uma carta à mãe da princesa, Frances Shand Kydd. O padre conta a respeito:

“Tenho um primo inglês que me disse que a mãe de Diana era católica convertida e tinha uma fé forte. Foi ele quem sugeriu que eu escrevesse para ela. Escrevi então uma carta muito formal, contando-lhe todos os detalhes. Queria dizer a ela que as enfermeiras tinham feito as coisas muito bem. Não havia nada que tivesse deixado a desejar, embora tudo tivesse sido feito num quarto de hospital e não no Palácio de Buckingham. Contei-lhe também que eu tinha rezado e ficado ao lado dela até a chegada do príncipe Charles”.

A conversão da mãe da princesa

A propósito da conversão da Sra. Frances Shand Kydd ao catolicismo, vale registrar que, entre os pertences pessoais da própria Lady Di, encontrados no Palácio de Kensington, havia um exemplar do Catecismo da Igreja Católica. O fato sugere que ela também tenha se interessado pela doutrina da Igreja.

Quanto a carta que o pe. Yves escreveu à mãe da princesa, ele achou que seria apenas mais uma entre muitas que não seriam respondidas. Entretanto…

“Poucos dias depois, recebi uma carta tocante. Ela me agradeceu porque fui o primeiro a lhe dar informações diretas”.

A amizade do padre com a mãe da princesa

De fato, a Sra. Frances Shand Kydd contava que ninguém mais tinha se comunicado com ela e que se alegrava ao saber que um sacerdote católico havia estado ao lado da filha no momento da sua despedida deste mundo. A mãe da princesa fez ainda um pedido ao padre: que celebrasse uma Missa particular no hospital onde Lady Di havia morrido.

“Era difícil haver uma Missa particular sem que ninguém soubesse. Acabei conseguindo porque foram convidadas outras pessoas na mesma situação, ou seja, que tinham perdido filhos em acidentes. Foram cinco ou seis famílias que haviam passado por coisas difíceis”.

Cerca de três semanas depois, com a presença da Sra. Frances Shand Kydd, o pe. Yves-Marie Clochard-Bossuet celebrou no hospital parisiense a Santa Missa pela alma da princesa Diana.

A partir de então, desenvolveu-se uma amizade duradoura entre o sacerdote e a mãe da princesa.

Netflix se pronuncia

No tocante à gravação da cena que reconstituiria o acidente da Princesa Diana para a série The Crown, os protestos e críticas do público e de autoridades do Reino Unido foram intensos – e muitos chegaram a repercutir a discordância do pe. Yves.

Diante da polêmica, a Netflix informou que a sexta temporada “mostrará o período antes e depois do acidente, mas este não será exibido”.

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