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O que o Papa Francisco quer dizer com “pecado de corrupção”?

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O pecado da corrupção

Valery Sidelnykov I Shutterstock

Xavier Lefebvre - publicado em 14/11/22

O Papa Francisco distingue entre a situação do pecador e a do corrupto. Pode haver grandes pecadores, mas eles ainda guardam a consciência do seu pecado: já a pessoa corrupta não se identifica mais com o seu pecado. Explicações.

Quem não se lembra, entre os membros da Cúria Romana, daquele discurso tão vigorosamente medicinal do Papa Francisco no dia 22 de dezembro de 2014, sobre as 15 doenças e tentações que podem ser encontradas em todos os níveis da vida da Igreja? A doença da petrificação, do “martalismo”, do “Alzheimer espiritual”, do “rosto fúnebre”… A que ocupa a oitava posição (na metade da lista, portanto) parece ser particularmente manifesta nos dias de hoje:

É a doença dos que levam uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica dos medíocres e do progressivo vazio espiritual que os diplomas e títulos acadêmicos não conseguem preencher… Eles criam assim o seu mundo paralelo, onde deixam de lado tudo o que ensinam severamente aos outros e onde começam a levar uma vida oculta e muitas vezes dissoluta. A conversão é urgente e indispensável para esta doença tão grave.

Segue-se a meditação sobre o Evangelho do filho pródigo (Lc 15,11-32).

Se a esta doença acrescentarmos a décima quinta, “a doença do lucro mundano, do exibicionismo, quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder, e o seu poder em mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poder”, a doença parece ser impossível de curar… Atingidos por escândalos de todo tipo no mais alto nível da Igreja, vencidos pela tristeza, habitados talvez pela ira ou pelo desânimo, fazemos as ligações com as palavras intransigentes do Chefe da Igreja. Perguntamo-nos se ainda podemos recitar as palavras: “Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica…”.

O pecador e o corrupto

Ainda há esperança? Sim, porque temos de ir mais longe no diagnóstico. No seu livro “O Nome de Deus é Misericórdia” (2015), o Papa Francisco nos leva a diferenciar a situação do pecador e a do corrupto. “A corrupção é o pecado que, em vez de ser reconhecido como tal e de nos humilhar, se transforma em um sistema, se torna um hábito mental, um modo de vida. Já não sentimos a necessidade de perdão e misericórdia: justificamos a nós próprios e o nosso comportamento… A pessoa corrupta ignora a humildade, não considera que precisa de ajuda, e leva uma vida dupla. A corrupção não é tanto uma questão da quantidade de pecado, mas de atitude interior. Assim, continua o Papa, “você não se transforma numa pessoa corrupta da noite para o dia: há uma longa degradação, durante a qual se acaba por já não se identificar com uma série de pecados”.

É a disposição do coração que distingue o pecador do corrupto. “Alguém pode ser um grande pecador e ainda assim não cair na corrupção. Quando leio o Evangelho, penso, por exemplo, nas personagens de Zaqueu, Mateus, a mulher samaritana, Nicodemos, o bom ladrão: todos eles, no seu coração pecador, tinham algo que os livrou da corrupção. Eles estavam abertos ao perdão; seu coração conhecia a própria fraqueza, e foi este raio de luz que deixou entrar a força de Deus.

A comunhão dos pecadores perdoados

Esta distinção é importante se quisermos guardar a fé na santidade da Igreja e a esperança de conversão para o pecador que reconhece a sua culpa. No seu discurso de encerramento da Assembleia Plenária dos Bispos em Lourdes, no dia 8 de novembro de 2022, dom Éric de Moulins-Beaufort nos lembrou: “A santa Igreja não é a reunião da boa gente; é a comunhão em que os pecadores perdoados tentam viver, não anistiados, não isentos de assumir a responsabilidade pelos seus atos, mas perdoados e tornados fortes pelo perdão”.

Fortes através do perdão, o que significa isso? “O mundo do pecado enfrenta o mundo da graça como a imagem refletida de uma paisagem à beira de águas profundas e escuras. Há a comunhão de santos; há também uma comunhão de pecadores”, disse Bernanos (em “Diário de um pároco de aldeia”). Só a graça, sem nos fazer esquecer a justiça, nos permite odiar o pecado ao mesmo tempo em que queremos a conversão do pecador.

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CorrupçãoPapa FranciscoPecadoPerdão
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