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Os implantes de chips estão aqui, ali e em toda parte

TECHNOLOGIA, ROBOTY

PopTika | Shutterstock

Daniel R. Esparza - publicado em 15/11/22

A fusão do digital e do físico é iminente: os implantes de chips estão se tornando mais populares e disponíveis a cada dia

Arnie Szoke, em Londres, paga as suas compras apenas com a mão. Brandon Dalaly, em Detroit, não anda mais com as chaves do carro ou da casa: ele tem um chip, na mão esquerda, que lhe permite abrir a porta de casa, e outro, na direita, que lhe permite dar a partida no seu Tesla. Os implantes de chips estão se tornando mais populares e disponíveis a cada dia que passa.

Dalaly e Szoke estão longe de representar um caso isolado. Na Suécia, mais de 4.000 pessoas já estão usando chips implantados ao corpo e conectados às suas contas bancárias, já que o país todo está se empanhando em tornar-se uma sociedade sem dinheiro físico.

O professor de Engenharia e Ciências de Dados da Universidade de Columbia, Hod Lipson, declarou a Dan Bowens:

“A nossa vida vai ficar cada vez mais entrelaçada com robôs e com a Inteligência Artificial, e de formas tão complexas que nem conseguimos imaginar hoje”.

Este entrelaçamento implica a diluição das fronteiras entre o físico e o digital-virtual. Esta indistinção acabaria por se tornar, segundo Lipson, “uma extensão do pensamento humano, permitindo que a humanidade e a máquina existam de forma ‘mais eficiente‘”.

Uma questão de potencialidades híbridas

Mas o que significa eficiência, ou por que alguém precisaria ser eficiente como uma máquina? Será que os humanos precisam se tornar “plenamente virtuais” ou “híbridos” para ser “eficientes”? Precisamos mesmo ser eficientes?

Não está claro se, no fim das contas, é tão atrativa assim a alegada diluição da distinção entre o virtual e o real e a sua promessa correlata de eficiência.

Como explica o filósofo peruano Victor J. Krebs, devido à preeminência do “virtual” nas nossas vidas (especialmente durante e depois da covid-19), o nosso entendimento do “virtual” continua mudando e, portanto, precisa ser continuamente revisto de forma crítica.

No seu recente livro “Human Virtuality and Digital Life“, Krebs analisa a nossa compreensão do virtual como uma extensão protética (ou “expansão”) das nossas capacidades e funções naturais. Na maioria das vezes, o virtual é concebido ou como uma melhoria (realidade “aumentada”) ou como uma cópia do universo já existente (realidade “virtual”). O hibridismo implicaria um melhoramento físico tal como os que já existem nos universos virtuais; em vez de andarmos por aí com as nossas carteiras, “expandiríamos” as nossas capacidades físicas para o virtual carregando conosco um chip a fim de integrar o físico (abrindo a porta de casa) e o virtual (com todas as funções de uma “casa inteligente”) em nossa vida cotidiana.

Contudo, explica Krebs, a ideia de “virtual” dizia respeito originalmente, e etimologicamente também, com o que é “potencial”. O termo “virtualis“, em latim medieval, deriva de “virtus“, que não necessariamente significa “virtude”, mas sim “potência”, designando as diferentes capacidades que os seres vivos têm: uma semente é potencialmente (virtualmente) uma árvore, e uma árvore é potencialmente (virtualmente) uma cabana de madeira.

Será que essas melhorias podem mesmo ajudar os seus utilizadores a se tornarem aquilo que potencialmente são? E mais: será que elas podem nos ajudar a responder à fundamental questão do que são seres humanos em potência?

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