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Deus criador e a evolução das espécies na doutrina católica 

campo de trigo

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Vanderlei de Lima - publicado em 04/12/22

Afinal, a Igreja é contra a evolução das espécies ou não? Entenda aqui:

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Um adolescente propôs-nos a seguinte questão: “A Igreja é contra a evolução das espécies ou não?”. Neste artigo – com base em Dom Estêvão Tavares Bettencourt, OSB. Curso de Antropologia Teológica. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2017, p. 121-145 –, respondê-lo-emos, de modo sucinto, porém esclarecedor.

De início, notemos que, de modo geral, pode-se falar em dois tipos de evolução: a mecanicista e a mitigada. A mecanicista ou materialista, tal como Charles Darwin (1809-1882) concebeu, é rejeitada por excluir Deus criador da origem de tudo. A mitigada pode ser aceita – nunca, porém, imposta como dogma de fé – desde que as ciências experimentais (e só elas) consigam demonstrar sua ocorrência. Em outras palavras: se ocorreu a evolução das espécies, isso se deu dentro dos sábios planos de Deus que tudo criou e mantém, em sua Divina Providência, em vista de um fim bom.

Aqui, surge a questão: como entender a evolução mitigada? – Respondemos que a evolução mitigada leva a supor o Big Bang como algo planejado por Deus com a finalidade boa de dar origem a tudo o que existe. Essa matéria inicial, por ação divina, depois de passar pelos graus mineral e vegetal chegou, então, ao grau do animal irracional. Aqui, teria origem o chamado “primata”. Este, porém, foi se organizando de tal modo que Deus criou e infundiu nele a alma espiritual (cf. Gn 2,7; Catecismo da Igreja Católica n. 363), do mesmo modo como a cria e infunde em todo ser humano no momento da sua concepção (cf. Catecismo da Igreja Católica n. 366). 

Pois bem, quando houve a infusão da alma espiritual no primata, este desapareceu e teve, assim, origem o ser humano propriamente dito. Tem ele um corpo material (que pode ser fruto da evolução) e uma alma espiritual (criada por Deus para aquele corpo material específico). Daí não ser correto dizer que o homem provém do macaco, mas, sim, que pode ser “primo do macaco” por ambos terem compartilhado a mesma raiz material no primata. A partir do momento em que Deus infundiu a alma espiritual no primata evoluído, este se tornou humano de fato e, portanto, muito superior ao macaco.

Isso posto, cabe citar o ensinamento do Papa Pio XII, na encíclica Humani Generis, n. 36, sobre o assunto. Com ressalva aos que ensinam, sem mais, a evolução como certeira e única, o pontífice diz: “O magistério da Igreja não proíbe que nas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate da doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente (pois a fé nos obriga a reter que as almas são diretamente criadas por Deus), segundo o estágio atual das ciências humanas e da sagrada teologia, de modo que as razões de uma e outra opinião, isto é, dos que defendem ou impugnam tal doutrina, sejam ponderadas e julgadas com a devida gravidade, moderação e comedimento, contanto que todos estejam dispostos a obedecer ao ditame da Igreja, a quem Cristo conferiu o encargo de interpretar autenticamente as Sagradas Escrituras e de defender os dogmas da fé” (cf. também João Paulo II, Discurso à Pontifícia Academia de Ciências, em 22/10/1996).

Tudo o que aqui foi exposto, está sintetizados nestas palavras de Dom Estêvão Bettencourt, OSB: “O corpo, sendo matéria, pode provir de matéria viva preexistente; não proviria dos macacos hoje existentes, pois estes já são muito especializados e não evoluem mais; proviria, porém, do primata ou do ancestral dos macacos e do corpo humano. A alma, contudo, não teria origem por evolução, mas por criação direta de Deus; sendo espiritual, ela não provém da matéria em evolução (o espírito não é energia quantitativa nem fluido nem éter; por isto não pode originar-se da matéria). Assim, se conciliam criação e evolução no aparecimento do homem: pode-se admitir que, quando o corpo do primata estava suficientemente evoluído ou organizado, Deus lhe infundiu a alma espiritual, diretamente criada para dar-lhe a vida de ser humano. Isto terá ocorrido tanto no surto do homem como no da mulher” (Pergunte e Responderemos n. 469, junho de 2001, p. 259-260).

Eis o que caberia dizer ao amigo que propôs a interessante questão.

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CiênciaDoutrinaNatureza
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