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A arte medieval da leitura

Sloane Manuscript 2435 evoca a leitura na época medieval

British Library | Public Domain

Daniel R. Esparza - publicado em 05/12/22

O Arquivo Europeana oferece uma viagem virtual em sete seções, explicando como as pessoas liam na Idade Média, do ano 500 até 1550

A Europeana é um grande portal educativo que preserva o patrimônio cultural europeu em formato digital. Proporciona aos entusiastas, profissionais, professores e investigadores um acesso digital a vasto acervo do patrimônio cultural europeu (obras de arte, livros, música, jornais, arqueologia, moda, ciência, esporte e muito mais), organizado por coleções.

Os arquivos medievais merecem atenção especial. Uma das suas mais recentes exposições online se intitula “A Arte da Leitura na Idade Média”, descrita como “uma viagem pela sociedade da Europa medieval para descobrir o rico espectro de manifestações da leitura”.

A Idade Média europeia, conforme os historiadores concordam pelo menos até certo ponto, vai do final da Antiguidade Clássica até ao início do Período Moderno – ou seja, cobre amplamente os anos 500-1500 (embora a Europeana a tenha estendido até 1550 para incluir na exposição a passagem gradual da comunicação escrita para a impressa). Já o termo “medieval” é uma invenção muito mais recente: em vez de pensarem que viviam num período intermediário entre a Antiguidade Clássica e a Renascença, as pessoas “medievais” entendiam o seu dia-a-dia e o seu tempo, fosse nos anos 700, fosse nos anos 1200, como uma continuação da Antiguidade.

É comum pensar que a alfabetização era muito rara na Idade Média, uma espécie de habilidade secreta dominada apenas por alguns monges privilegiados, padres e nobres mais ou menos inteligentes. Embora haja alguma verdade nisso, a Europeana explica que “é anacrônica a ideia de que fosse letrada a pessoa que soubesse ler e escrever, e iletrada a que não soubesse” – ou seja, depende do que devamos entender por analfabetismo no próprio contexto medieval. O próprio Carlos Magno, segundo o seu biógrafo Einhard, sabia ler, mas não sabia escrever.

De fato, havia muitas formas de “ler” na Idade Média. As igrejas eram consideradas as “bíblias dos analfabetos”, e as pessoas podiam “ler” imagens (pinturas, altares, capelas e vitrais) com facilidade – aliás, seriam capazes de identificar histórias, tópicos, personagens clássicos e bíblicos, metáforas, lendas e muito mais, apenas olhando para uma imagem. A familiaridade com textos clássicos e bíblicos não era de todo estranha: “durante a Idade Média”, explica a Europeana, “era comum que os textos fossem lidos em voz alta perante um público”.

As sete seções desta exposição online vão desde o cultivo monástico da “Latinitas” na Alta Idade Média até a criação de novos gêneros literários (nomeadamente, a literatura cortesã) na Baixa Idade Média, passando pela adoção da escrita e da leitura por comerciantes e artesãos para as suas próprias finalidades cotidianas, e pela incorporação de algumas línguas vernáculas mesmo em ambientes religiosos – comumente imaginado como um domínio exclusivo do latim.

Você pode desfrutar de toda a coleção aqui.

Tags:
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