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Dicionário adota ideologia de gênero ao definir homem e mulher

Ideologia de gênero

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Francisco Vêneto - publicado em 14/12/22

Críticos reagem: "1984 não deveria ser um manual de instruções"

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O dicionário Cambridge, da língua inglesa, alterou recentemente a definição que dá aos termos “homem” e “mulher”, passando a apontar como critério de uma das acepções não o sexo biológico da pessoa, mas a assim chamada “identidade de gênero” que cada indivíduo atribui a si próprio.

Com essa referência que não é consenso, o dicionário agora define como homem o “adulto que vive e se identifica como homem, embora possa dizer-se que tenha nascido com sexo diferente”. De forma quase idêntica, mulher é definida como pessoa “adulta que vive e se identifica como mulher, embora possa dizer-se que tenha nascido com sexo diferente”.

É importante observar que, em inglês, a definição apresentada diz: “an adult who lives and identifies as [female/male] though they may have been said to have a different sex at birth“.

O pronome “they“, que significa primordialmente “eles ou elas”, é aqui considerado um “pronome neutro”. De fato, ele tem sido usado também no singular para designar pessoas transexuais, evitando os pronomes “he” (masculino), “she” (feminino) ou “it” (que, embora neutro, seria pejorativo porque não se aplica a seres humanos, mas apenas a outros animais e objetos).

O uso do pronome “they” como “neutro”, aliás, chamou a atenção de vários críticos da nova definição de homem e mulher segundo esse dicionário e com base na ideologia de gênero.

Entre os que refutaram o embasamento da mudança está o jornalista e escritor Christopher Rufo, do Manhattan Institute. Ele afirmou que os autores do dicionário não usaram os pronomes “ela” ou “ele” porque, a seu ver, “sabem que estão mentindo”.

A mudança de caráter ideológico na definição de termos que naturalmente se referem à identidade biológica dos indivíduos gerou várias outras críticas compartilhadas em redes sociais.

O escritor Dan McLaughin, da National Review, qualificou a mudança como “orwelliana”, em referência ao célebre autor britânico George Orwell, que, entre outras obras da literatura universal, assinou o clássico “1984”. O livro descreve uma sociedade distópica submetida a uma ditadura que exerce implacável vigilância e patrulhamento não só dos comportamentos dos indivíduos, mas até dos seus pensamentos e da sua linguagem. McLaughin disparou:

“1984 não deveria ser um manual de instruções”.

A crítica conservadora Rita Panahi diagnosticou o enviesamento ideológico patente da mudança do dicionário e ironizou:

“Cedendo território linguístico à esquerda radical. O que poderia dar errado?”.

Por sua vez, o Dicionário Cambridge emitiu comunicado à imprensa a respeito da sua mudança na definição de “mulher” com base na ideologia de gênero.

Segundo o comunicado, a mudança foi realizada em outubro após um “cuidadoso estudo” dos “padrões de uso da palavra ‘mulher’”, o que teria levado à conclusão de que “essa definição é algo que os alunos de inglês devem conhecer para apoiar a sua compreensão de como o idioma é usado”.

O dicionário acrescenta, porém, que “a primeira definição para ‘mulher’ permanece inalterada e continua a ser ‘um ser humano feminino adulto'”.

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