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“Buscando verdadeiramente a Deus”

Jezus Chrystus

Renata Sedmakova | Shutterstock

Vanderlei de Lima - publicado em 15/01/23

Com o crescimento da literatura monástica nas últimas décadas, o povo se voltou para ela com avidez

Este é o título do precioso livro de Dom Bernardo Bonowitz, OCSO, antigo abade do mosteiro trapista Nossa Senhora do Novo Mundo, em Campo do Tenente (PR). 

Deixemos que o próprio Dom Bernardo nos contextualize o seu livro. Diz ele que, com o crescimento da literatura monástica nas últimas décadas, o povo se voltou para ela com avidez. Busca, de modo especial, aquele tipo de escrita “que torna a sabedoria monástica acessível ao leitor moderno não monge, um leitor que gostaria de partilhar das riquezas do mosteiro enquanto continua sendo fiel em sua vocação de marido, de religioso(a), de seminarista, de bispo, de celibatário. […] Sou grato por dar minha resposta ao desejo de tantas pessoas de conhecer Deus mais profundamente através do caminho da espiritualidade monástica” (p. 21-22).

Num dos trecho, Dom Bernardo trata da importância de trabalharmos a humildade voltando-nos para o nosso próprio interior. Aí, vivendo conosco mesmos ou suportando – junto às nossas qualidades – os próprios defeitos, então descobertos, trabalharemos sobre eles com destemido empenho e não poucas lágrimas. Sim, “São Bernardo diz que, sem dúvida, isto será a fonte de muitas lágrimas – lágrimas de pesar, de arrependimento, da perda das ilusões acerca de si mesmo – mas a longo prazo será também uma fonte de profunda paz. ‘Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados’. Como tal bem-aventurança é interessante – ela não diz que nós consolaremos a nós mesmos ou que encontraremos uma consolação para nós mesmos, mas sim, empregando a voz passiva, que alguém diferente de nós mesmos nos consolará. Este ‘alguém’ é o próprio Deus – o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, como Paulo o chama na abertura de sua Segunda Carta aos Coríntios. Tais lágrimas de autoconhecimento, arrependimento e consolo da parte d’Ele são indispensáveis” (p. 117-118). Autoconhecer-se é um processo árduo, mas necessário para o nosso crescimento humano e espiritual.

Recordando Balduíno de Ford, monge cisterciense do século XII, ao ensinar sobre a “comunhão na miséria”, Dom Bernardo escreve: “O que significa ter comunhão na miséria? Significa que, se nos permitirmos conhecer nossa pobreza e fracasso, sem nos tornarmos amargos por causa desse conhecimento, mas descobrindo nele um motivo maior para confiar em Deus, isto mudará não somente nossa relação conosco mesmos e com Ele; mas também transformará nossa relação com nosso próximo” (p. 116). É a verdadeira humildade. Saber quem somos com nossas qualidades e imperfeições. Só assim, batalharemos, na graça de Deus, para fortalecer as virtudes e combater os defeitos.

Importa lembrar que o monge trapista fala ainda da comunidade monástica em sua dualidade, em seu “ver dobrado”, ou seja, no seu acento natural (uma vez composta por seres humanos, tem problemas humanos) e sobrenatural (Deus se faz presente nela e a eleva). São suas palavras: “O próprio São Bernardo teve uma experiência de ‘ver dobrado’. Às vezes, ao olhar para o crucifixo na sua cela, ele via Cristo coroado de espinhos; outras vezes, ao olhar para o mesmo crucifixo, ele via Cristo glorificado. Cada comunidade cristã é, ao mesmo tempo, crucificada e glorificada, ‘crucificado, em virtude de sua fraqueza, mas vivo pelo poder de Deus’ (2Cor 13,4). Se recebe a graça de contemplar a dúplice face de sua comunidade, o jovem monge está a meio caminho para sair da sua crise, rumo a um compromisso muito mais realista com e para seus irmãos” (p. 181). Aqui, nós, como membros do Corpo místico de Cristo prolongado na história (cf. Cl 1,24; 1Cor 12,12-21), a Igreja, somos chamados a suprir, com o nosso empenho cheio da graça divina, as falhas dos nossos irmãos e irmãs a fim de, cada vez mais, embelezarmos a face humana ferida da Igreja.

Parabéns a Dom Bernardo Bonowitz, OCSO, e à Editora Mensageiro de Santo Antônio por esta obra que fará, por certo, grande bem a clérigos, religiosos e leigos.

Mais informações aqui.

Tags:
CulturaLivrosmonges
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