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Ser Marta ou Maria?

Jesus Cristo

Hamza Makhchoune | Shutterstock

Julia A. Borges - publicado em 23/01/23

Afinal, se não fosse por Marta, quem serviria a Jesus? Quem faria o que era necessário de ser feito, mesmo sendo indicado como algo
superficial?

As escolhas estão presentes em nossas vidas desde que nascemos e assim será até o nosso último suspiro. Esse é um fato incontestável. A questão, entretanto, recai na forma como se reage em cada circunstância ao longo da jornada.

Nos “Sete passos para rezar com Teresa de Ávila”, Frei Patrício Sciadini, em um livreto sucinto e de poucas páginas, oferece um direcionamento para o cristão perseverar na vida de oração, mesmo fatigado, sem esperança e até mesmo, sem vontade. São orientações da própria doutora da Igreja Católica que, apesar de nunca ter escrito um livro específico acerca dos “sete passos da oração”, possui uma pedagogia oracional que se constrói nessa fundamentação, e colocar por terra a falsa crença de que por sermos pecadores não somos nem dignos de rezar – “ a maior vitória do demônio é convencer alguém a deixar de rezar por ser pecador” (Santa Teresa D`Ávila).

Os passos talvez não sejam de difícil compreensão até mesmo para um leigo – colocar-se na presença de Deus; ler um texto; meditar; diálogo com Deus; tomar decisões; Ação de Graças; Retornar ao trabalho – mas o Mistério fica a cargo do Espírito Santo. Entretanto, o que me chamou a atenção foi justamente o 5º passo descrito pelo frei Sciadini: tomar decisões.

Retomo à questão das escolhas e cito, como faz o próprio frei carmelita, a passagem de Marta e Maria em Lucas 10:38-42:

E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;
E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse:
Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.
E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;
E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.

Confesso que ao longo dos anos sempre lia esses versículos com certo descontentamento, afinal, se não fosse por Marta, quem serviria a Jesus? Quem faria as tarefas domésticas? Quem faria o que era necessário de ser feito, mesmo sendo indicado como algo superficial? Mas, sem dúvida, por outro lado, Maria nos faz recordar Mateus 6:33 quando diz: “Buscai, assim, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”

Portanto, sejamos Marta ou Maria?

Cada cristão tem um propósito específico neste mundo, quanto a isso não há dúvida, e devemos perseguir este desígnio ao longo de toda a vida. Essa se faz em diferentes contextos e projeções: em silêncio, mas também no contato com o outro; em oração contemplativa, assim como em oração num transporte público. Existindo um propósito maior, direcionado a Deus, a tarefa será uma oblação completa.

Somos chamados a sermos sal, presença, lutadores em um exército no qual Deus é o senhor. Somos escalados para o verdadeiro combate, para a luta que não é vã, para a verdadeira disciplina, para as batalhas diárias, para o jejum, para a oração, para dar a outra face, para ajudar em nossos lares com tarefas domésticas. Sim, devemos agir, mas nada disso é válido se o nosso maior propósito não estiver direcionado a Deus.

Portanto, não é Marta ou Maria; devemos ser Marta e Maria.

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