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O que o Catecismo diz sobre homeschooling?

HOMESCHOOLING

LightField Studios - Shutterstock

Philip Kosloski - publicado em 30/01/23

Será que a Igreja Católica é contra os pais que optam por dar aulas em casa aos próprios filhos?

Nos Estados Unidos, o homeschooling, ou educação domiciliar, tem uma história longa e acidentada.

As famílias das colônias originais nem sequer tinham escolas para onde enviar os filhos. Gradualmente, foram sendo construídas escolas públicas e privadas para atender às necessidades da população. A educação escolar se tornou obrigatória em todo o país.

Isto significava, no começo, que a educação domiciliar não era uma opção prevista em lei. Na década de 1970, porém, mudanças na legislação possibilitaram que as famílias dessem aulas para os próprios filhos em casa sem medo de penalidades legais.

Os católicos se perguntavam sobre os lados positivos e negativos dessa alternativa, mas a Igreja, até então, não tinha um pronunciamento oficial nem a favor nem contra o homeschooling.

Com a publicação do novo Catecismo da Igreja Católica (CIC), muito embora ele não mencione especificamente a educação domiciliar, várias passagens sobre a educação das crianças trouxeram maior luz aos pais sobre o seu papel a esse respeito.

Deveres dos pais

Na seção “Deveres dos pais”, o Catecismo explica:

“(…) O papel dos pais na educação é de tal importância que é impossível substituí-los. O direito e o dever da educação são primordiais e inalienáveis para os pais”.

“Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Testemunham esta responsabilidade, primeiro pela criação dum lar onde são regra a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado. O lar é um lugar apropriado para a educação das virtudes (…)”.

CIC 2221, 2223

O Catecismo afirma enfaticamente que os pais devem ser os educadores primários. Aliás, isso deveria ocorrer inclusive quando a família opta por enviar os filhos à escola.

As crianças começam a aprender naturalmente com os pais o que é e como é o ser humano, mesmo que eles não lhes deem uma aula formal sobre o tema.

De modo particular, o Catecismo explica:

“A educação da fé por parte dos pais deve começar desde a mais tenra infância. Faz-se já quando os membros da família se ajudam mutuamente a crescer na fé pelo testemunho duma vida cristã, de acordo com o Evangelho (…)”.

CIC 2226.

Os pais não podem esperar que a criança entre na catequese para começarem a educá-la na fé católica. Sua obrigação educativa começa desde o nascimento de cada filho.

Direto de escolher

O Catecismo destaca a necessidade de se garantir que os pais tenham o direito de escolher para seus filhos uma educação que preze pelos valores com que eles comungam legitimamente; são eles, portanto, que devem tomar a decisão sobre o tipo de educação que preferem para as suas crianças.

“Como primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos, os pais têm o direito de escolher para eles uma escola que corresponda às suas próprias convicções. É um direito fundamental. Tanto quanto possível, os pais têm o dever de escolher as escolas que melhor os apoiem na sua tarefa de educadores cristãos. Os poderes públicos têm o dever de garantir este direito dos pais e de assegurar as condições reais do seu exercício”.

CIC 2229.

Este parágrafo retrata claramente os pais como os educadores primários e os professores das escolas como seus auxiliares na sua “tarefa de educadores cristãos”.

A Igreja Católica apoia as famílias na sua decisão de educar bem os filhos, seja em casa, seja numa escola. Em qualquer dos casos, os pais são sempre os “educadores primários” e, portanto, jamais devem esquecer esta sua obrigação fundamental.

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