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O “anjo do laboratório” que enganava os nazistas para salvar os pacientes de um hospital

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Azienda Ospedaliera Universitaria Integrata Verona via Facebook

Silvia Lucchetti - publicado em 01/02/23

Freira italiana usava uma estratégia infalível para driblar os ocupantes alemães durante a Segunda Guerra Mundial

A cidade de Verona, na Itália, chora a morte da Irmã Luisidia Casagrande. Por 68 anos e contra todas as probabilidades, a freira trabalhou incansavelmente no Hospital Borgo Trento. Aquela que os italianos chamavam carinhosamente de “o anjo do laboratório” partiu para a Casa do Pai em 7 de janeiro de 2023, aos 104 anos. 

Irmã Luisidia era enfermeira-chefe do laboratório de análises em Borgo Trento. Em 1938, aos 20 anos, pronunciou os votos na comunidade das Irmãs da Misericórdia, após descobrir a vocação religiosa aos 14 anos. Formada em enfermagem, ela decidiu unir a fé e a ciência, e foi integrada à equipe do hospital Borgo Trento no domingo de Páscoa, em 1939. Foi designada para o laboratório de análises, tornando-se a primeira religiosa a prestar serviço nesta estrutura. 

Em 1943, teve início a ocupação alemã da Itália. A pequena cidade de Verona também foi atingida pela onda nazista. Mas isso não foi suficiente para impedir a Irmã Luisidia de continuar seu trabalho. A jovem freira mostrou-se mais astuta que os ocupantes e conseguiu empregar um estratagema original para enganar as unidades das Wehrmacht. 

Durante um ano, Irmã Luisidia chegava de madrugada ao hospital – agora dedicado aos militares – e guardava um certo número de ferramentas analíticas que acumulava em quatro caixões. Então ela chamava o carro fúnebre, que era conduzido por uma pessoa de sua confiança. Assim que os caixões eram colocados no carro, a religiosa entrava nele, mas em vez de seguir para o cemitério, era deixada no hospital localizado na Piazzetta Santo Spirito, onde os pacientes civis ficavam internados. 

Assim, Irmã Luisidia dava continuidade aos exames para seus pacientes. Na noite de 5 de julho de 1944, enquanto ela estava no hospital, um bombardeio matou 45 pacientes internados na ala cirúrgica e cinco irmãs de sua comunidade.

Depois da guerra, Irmã Luisidia dedicou toda a sua vida aos doentes com infalível humanidade e benevolência, o que lhe valeram várias condecorações. 

Irmã Luisidia deixa um verdadeiro exemplo para os cuidadores. A freira viveu o seu trabalho como uma verdadeira missão, uma forma particular de cuidar das pessoas e, através delas, chegar ao Senhor.

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