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Por que ir à missa se eu não comungo?

Comunhão

Pascal Deloche / Godong

Valdemar De Vaux - publicado em 14/02/23

A Eucaristia é acima de tudo o sacrifício de Cristo que dá seu corpo e seu sangue. Portanto, participar dela sem ir à comunhão pode ser questionável. Isto nos faz lembrar que acolher Jesus não é uma questão natural e requer uma preparação do coração. Entenda

A missa à distância está agora menos na moda, e as pessoas voltaram à igreja. Para aqueles que podem comparecer fisicamente. Os outros ainda podem seguir a missa através da TV, sem ter comunhão, é claro. Mas eles não estão sozinhos: em cada missa, há fiéis que se apresentam ao sacerdote no momento da comunhão, não para receber a hóstia, mas uma bênção. Qual é o objetivo de ir à missa se você não comunga?

Antes de tudo, existem diferentes razões para não comungar. Um católico, em consciência, pode sentir que está em estado de pecado mortal – uma falta grave feita consciente e voluntariamente – e, nesse caso, deve se confessar, correndo o risco de acrescentar um mal a outro. Também pode ser que a pessoa que quer ser abençoada não esteja numa situação pessoal que manifeste comunhão com a Igreja, por causa de uma apostasia, concubinato… Outra gostaria de ter feito alguma forma de jejum para fortalecer seu desejo de receber Jesus, ou já teria comungado durante o dia.

Todos unidos à cabeça que é Cristo

Estas situações mostram claramente que a comunhão com o corpo de Cristo é a fonte de uma comunhão que deve ser a de todo cristão com Deus e de todos os cristãos juntos. Além do corpo carnal que é consumido, o corpo de Cristo é a Igreja. Participar da missa, mesmo que não se comungue, é portanto um ato significativo, já que se trata de tentar viver como membros unidos à cabeça que é Cristo.

Mais concretamente, a pessoa que vai à missa colhe muitos outros frutos além da graça própria de comungar. Ela se reconhece como pecadora e acolhe a misericórdia do Pai. Ela canta sua glória e escuta sua Palavra. Ao ouvir o Evangelho, ela recebe uma palavra que a conforta ou a ajuda a discernir sobre sua vida. Na oração de todo o povo reunido, cada membro do fiel também é apoiado em sua fé. Na amizade da comunidade, ela pode tirar forças para lutar e a garantia de ser ajudada.

Dando um passo atrás

Em todo caso, aproximar-se do corpo de Cristo sem recebê-lo é um testemunho para todos os outros, a começar por aqueles – acontece com todos nós – que chegam à comunhão sem a consciência viva, por causa do hábito, do extraordinário dom do Senhor. Sua vida, seu corpo, aqueles de Deus que se fizeram vulneráveis para que pudéssemos ser salvos. E nós já estamos, já que provamos o corpo do Ressuscitado, que certamente sofreu, mas cuja paixão não é a última palavra.

Ademais, não comungar pode nos permitir dar um passo atrás. E, acima de tudo, crescer em nós o desejo de viver pelo amor de Cristo, que por si só nos permite amar a nós mesmos, amar os outros e, portanto, amar a Deus. E se a graça age na hóstia consagrada, ela também passa por tudo o mais que compõe a Eucaristia. Permite-nos comunicar espiritualmente, ou seja, unir nossos corações à oferta da vida de Jesus, dando-lhe a nossa própria vida. E esta comunhão, naturalmente, que tantas pessoas doentes ou isoladas fazem, é de grande benefício para a alma e para nossos irmãos.

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