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80% dos ucranianos precisam de ajuda para superar traumas e recorrem a sacerdotes primeiro

SVIATOSLAV SHEVCHUK

Genya Savilov | AFP

J-P Mauro - publicado em 16/02/23

A informação foi dada pelo líder da Igreja Greco-Católica Ucraniana. O arcebispo também expôs a necessidade de um esforço pastoral maior, já que o número de sacerdotes no país continua diminuindo por causa da guerra

A invasão russa na Ucrânia completará um ano no dia 24 de fevereiro, e a guerra não dá nem sinais de estar chegando ao fim. Diante deste cenário, o arcebispo-mor Sviatoslav Shevchuk, líder da Igreja Greco-Católica Ucraniana, chama a atenção para os traumas sofridos pelos ucranianos. Ele sugere que essa situação requer maior esforço pastoral.

O arcebispo-mor Shevchuk participou de uma recente conferência on-line organizada pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), expressando a necessidade de os sacerdotes identificarem e cuidarem dos problemas psicológicos e físicos decorrentes do trauma da guerra: 

“Da Igreja as pessoas esperam comida, roupas, mas também uma palavra de esperança. A pastoral do povo é a nossa missão número um, especialmente curando as feridas do povo. Quase 80% dos ucranianos precisam de alguma ajuda para superar seus traumas psicológicos e físicos, entre outros. Nossa tarefa como Igreja é ajudar a curar as feridas de nossa nação”, disse o líder religioso.

Ele observou que, embora as nações ocidentais possam considerar esses problemas mais adequados para profissionais clínicos, os ucranianos tendem a desconfiar dos psicólogos. Shevchuk lembrou o uso de psicólogos clínicos pela União Soviética para identificar e reprimir aqueles que se manifestavam contra seu regime. O arcebispo disse que, em vez disso, “quando as pessoas têm um problema, elas vão primeiro a um sacerdote”.

Falta de sacerdotes

Um grande obstáculo para levar o cuidado pastoral aos ucranianos, no entanto, é o número cada vez menor de padres disponíveis no país devastado pela guerra. O arcebispo Visvaldas Kulbokas, também presente na conferência, informou que os poucos padres que restam na linha de frente estão “deprimidos e cansados”. 

Também observou-se que existem algumas áreas da Ucrânia onde não existem sacerdotes disponíveis. Regiões ocupadas pelas forças russas (como Donetsk, Luhansk e Zaporizhzhia) não conseguiram reter um único padre, pois os russos continuam a fazer um esforço para dispersar ou deter os clérigos da Igreja Greco-Católica Ucraniana. 

Isso inclui duas prisões de sacerdotes que aconteceram em novembro de 2022. Segundo o arcebispo, eles não conseguiram garantir a libertação dos dois padres, apesar dos esforços contínuos para isso. O primaz expressou seu temor de que os dois homens estejam sendo torturados. 

Ajuda primordial

Ele também expressou sua gratidão à generosa ajuda fornecida por organizações de todo o mundo e aos US$ 10 milhões que receberam da ACN. Shevchuk destacou mais de 200 projetos humanitários que ajudaram mais de 15.000 pessoas. 

Algumas das maiores contribuições, observou o líder religioso, vieram do Papa Francisco, que atuou como intermediário entre os embaixadores ucraniano e russo. O Vaticano tem sido fundamental para garantir a libertação de muitos prisioneiros de guerra por meio da entrega de listas de nomes à embaixada russa. 

“Somos muito gratos ao Papa Francisco e à Santa Sé por estarem em contato com o lado russo, porque sem isso não poderíamos resgatar ninguém”, disse Shevchuk.

A Ajuda à Igreja que Sofre criou uma página para coletar doações dos fiéis que ajudam nos esforços da ACN para ajudar os ucranianos presos na zona de guerra. Aqueles que estiverem interessados ​​em doar para sua nobre causa podem fazê-lo aqui.

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