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ChatGPT: uma inteligência sem a memória do coração

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Jeanne Larghero - publicado em 17/02/23

E o ChatGPT, a inteligência artificial que tem resposta para tudo? Estamos diante de uma façanha, mas muito diferente da inteligência humana; uma promessa de conversas sem memória, sem encontro e sem ânimo

O ChatGPT é uma ferramenta recente que está causando muita preocupação a jornalistas, escritores, desenvolvedores, advogados, professores e muitos outros profissionais. A plataforma levará o trabalho deles para as masmorras da história?

Tanta preocupação (ou fascínio, para muitos) justifica-se no fato de essa interface de inteligência artificial ser capaz de criar textos, trabalhos escolares ou fornecer uma receita culinária em segundos.

Entretanto, o ChatGPT traduz uma concepção bastante pobre da inteligência humana.

Nossa parte da infância

Nossa vida interior é, antes de tudo, uma imensa reserva de tesouros enterrados no fundo da memória, de “saberes esquecidos” como dizia a filósofa francesa Jacqueline de Romilly. Por exemplo: compreendemos o sentido de uma frase graças à imensa cadeia de memórias que nos ligam ao esforço que constituiu para nós a aprendizagem (aprender a ler, a decifrar signos, sons e compreendermos o sentido profundo das palavras).

Esse esforço da infância pode cair no esquecimento, mas tudo isso ganha vida em nós toda vez que lemos um texto. Assim, quando duas pessoas dialogam, elas se reconectam com essa parte da infância e a compartilham.

As conversas prometidas pela Inteligência Artificial só farão sentido para inteligências capazes de entendê-las, julgá-las, interrogá-las, integrá-las e criticá-las.

E mais: tudo o que lemos, ouvimos, todas as informações que recebemos, todos os novos conhecimentos que adquirimos vêm despertar em nós um mundo de palavras, memórias e imagens pessoais, graças às quais formamos a nossa cultura e a nossa personalidade. Assim, dialogar é sempre encontrar um mundo diferente do seu.

Inteligência irracional

Nosso mundo interior não é, portanto, uma ferramenta técnica que pode ser reproduzida por uma interface artificial, por mais sofisticada que ela seja. 

Jacqueline de Romilly, em sua velhice, sentiu a necessidade de mergulhar nas profundezas de sua memória para saborear novamente todo esse tesouro de lembranças esquecidas, enraizadas em sua imensa cultura literária. 

Por isso, as conversas prometidas pela Inteligência Artificial só farão sentido para inteligências capazes de entendê-las, julgá-las, interrogá-las, integrá-las e criticá-las. 

As “conversas” no ChatGPT” nunca serão diálogos. Por trás da tela não passa nenhuma memória perdida na profundidade do tempo, nenhum olhar nebuloso que evoque a oração de Ester. Pelo contrário: o discurso será certo, a receita será exata.

A inteligência artificial é uma inteligência sem memória, sem as nuances do corpo que tremeu, sofreu e amou ao ler a Ilíadao Conde de Monte-Cristo ou Orgulho e Preconceito

É uma inteligência irracional. Portanto, cultivemos a nossa inteligência, passemos a alimentá-la, e sempre encontraremos dentro de nós a alegria de guardar muitos tesouros para saborear e compartilhar.

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