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Médicos têm de amputar pé de missionário italiano ferido em explosão de mina

Carro queimado

Aid to the Church in Need

Reportagem local - publicado em 22/02/23

Ferido com gravidade quando o carro em que viajava foi atingido pela explosão de uma mina terrestre, o padre carmelita Norberto Pozzi foi submetido já a várias intervenções cirúrgicas de emergência

O Padre Norberto Pozzi, um carmelita de 71 anos de idade, foi o único ferido grave quando o carro da Missão Católica de Bozoum (República Centro-Africana), onde circulava com mais cinco pessoas, no dia 10 de Fevereiro, passou sobre uma mina, fazendo-a explodir, no trajeto para Bocaranga.

O seu estado de saúde, com múltiplas fraturas, inspirava muitos cuidados e foi pedida a intervenção dos militares da força da ONU, presentes na região, que transportaram o missionário de helicóptero para a capital da República Centro-Africana, Bangui, situada a cerca de 400 quilómetros de distância. Os outros ocupantes do veículo, entre os quais, um irmão carmelita francês e um catequista, sofreram apenas ferimentos ligeiros.

Submetido a uma delicada intervenção cirúrgica, de cerca de três horas, os médicos procuraram salvar a sua perna esquerda, a mais atingida pela explosão da mina. Transportando, entretanto, para o hospital da ONU em Entebbe, no Uganda, por ter melhores condições, o missionário italiano, natural de Lecco, teve de ser submetido a nova operação, já na segunda-feira, dia 13. Mas, desta vez, e “infelizmente”, como escreveu na sua página no Facebook o Padre Aurélio Gazzera, seu confrade carmelita, “tiveram de amputar o pé esquerdo”. O acidente ocorreu a pouco mais de vinte quilómetros de Bozoum, na Diocese de Bouar, onde está situada a Missão mais antiga dos carmelitas na República Centro-Africana.

O Padre Norberto Pozzi chegou ao país como missionário em 1980. Na época, era ainda leigo e chegou a trabalhar como medidor de terrenos e pedreiro durante 8 anos nas missões dos carmelitas neste país africano. Posteriormente, regressaria a Itália para ser ordenado sacerdote tendo voltado à República Centro-Africana em 1995.

Violência

A Missão de Bozoum, de onde o Padre Pozzi partiu para a acidental viagem, é a mais antiga presença carmelita na República Centro-Africana. Teve início a 16 de Dezembro de 1971, com a chegada dos primeiros quatro missionários – padres Agostino Mazzocchi, Niccolò Ellena, Marco Conte e Carlo Coencio.

A presença de minas terrestres na estrada é um sinal evidente do ambiente de grande violência que se vive neste país, muito especialmente desde 2013, quando o então presidente Bozizé foi afastado do poder pelos Seleka, grupos maioritariamente muçulmanos. Desde então, que a República Centro-Africana praticamente não conheceu dias de paz.

Os Seleka não afastaram apenas o presidente do poder. Provocaram também uma enorme onda de violência que continua presente quase uma década depois. Face à brutalidade dos Seleka, foram surgindo, um pouco por todo o lado, grupos de auto-defesa, conhecidos como os Anti-Balaka. O caos instalou-se.

Os importantes recursos minerais presentes no subsolo desta região de África, provocam cobiça e alimentam conflitos por vezes comandados desde países bem longínquos. Os mercenários russos do grupo Wagner, que desempenham actualmente um papel importante na invasão russa da Ucrânia, também têm estado presentes na República Centro-Africana.

De facto, esta década desde o afastamento do poder do presidente, em 2013, tem sido caracterizada pela violência, por quase guerra civil. No entanto, apesar disso, o Papa Francisco não deixou de visitar o país no final de Novembro de 2015, em que abriu a Porta Santa da Catedral de Bangui, inaugurando assim, solenemente, o extraordinário jubileu da misericórdia.

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