Aleteia logoAleteia logoAleteia
Sábado 13 Abril |
Aleteia logo
Religião
separateurCreated with Sketch.

Direto do Vaticano: Perfis atípicos a caminho da beatificação

Pope-Francis-Audience-February-15-2023

Antoine Mekary | ALETEIA

I. Media - publicado em 27/02/23

Seu Boletim Direto do Vaticano de 27 de fevereiro de 2023
  1. Mãe de um sacerdote, poetisa, sacerdote engajada no diálogo com os luteranos… Perfis atípicos a caminho da beatificação
  2. O Papa Francisco completa a centralização do patrimônio da Santa Sé
  3. A Academia para a Vida quer evitar uma “enorme tragédia” diante dos avanços tecnológicos

1Mãe de um sacerdote, poetisa, sacerdote engajada no diálogo com os luteranos… Perfis atípicos a caminho da beatificação

Por Cyprien Viet – Em audiência concedida em 23 de fevereiro ao Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, o Papa Francisco autorizou a publicação de seis decretos preparando o caminho para a beatificação de uma freira italiana e estabelecendo as virtudes heróicas de cinco outras personalidades da Itália, Brasil e Espanha.

O primeiro decreto prepara o caminho para a beatificação da freira italiana Elisabetta Martinez (1905-1991), reconhecida como venerável em 13 de outubro de 2021. O nascimento de uma menina italiana em boas condições, em 19 de março de 2018, apesar de anomalias graves terem sido detectadas durante a gravidez, foi atribuído à intercessão desta freira com um caminho atípico.

A Irmã Elisabetta entrara na congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor em 1928, antes de renunciar aos seus votos quatro anos mais tarde devido a uma infecção pulmonar que a obrigou a voltar para sua família. Entretanto, com o apoio do Bispo Giuseppe Ruotolo de Ugento, ela pôde estabelecer o Instituto das Filhas de Santa Maria de Leuca em 1941, uma congregação dedicada à educação dos jovens e ao serviço paroquial, que foi reconhecida dois anos mais tarde como sendo de direito pontifício.

Após a Segunda Guerra Mundial, sua congregação espalhou-se pela Itália, Suíça, Bélgica, Estados Unidos, Austrália, Filipinas e Índia. Por mais de 40 anos, até sua renúncia em 1987, Madre Elisabetta acompanhou o desenvolvimento de sua congregação como Superiora Geral, com exceção de um doloroso interlúdio entre 1965 e 1970. Ela foi então afastada por difamações feitas por freiras em sua congregação, antes de ser reabilitada durante uma visita apostólica do Vaticano em 1969.

Apoiada pessoalmente por Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, Madre Elisabetta foi reconhecida por sua autoridade e caridade nos momentos de julgamento, inclusive no que diz respeito às irmãs que haviam causado seu afastamento em 1965. Ela faleceu em Roma em 1991, quatro anos após sua segunda renúncia voluntária e definitiva.

Virtudes heróicas reconhecidas para três religiosas e duas leigas

Os outros cinco decretos dizem respeito ao reconhecimento de “virtudes heróicas” para cinco outras personalidades, que assim se tornam “veneráveis”, mas cujos arquivos ainda exigirão a identificação de um milagre para serem beatificadas.

A leiga espanhola Francisca Ana Maria Alcover Morell (1912-1954), nascida nas Ilhas Baleares de uma família de origem francesa, foi poetisa e jornalista envolvida na Ação Católica. O fim de sua vida foi marcado por um tumor cerebral que a privou progressivamente de sua visão e movimento.

Albertina Violi Zorondoli (1901-1972) era uma mãe italiana cujo marido era de origem socialista e anticlerical. Quando seu filho Alfredo tornou-se padre em 1964, ela concordou em renunciar a assistir à missa de ordenação por respeito a seu marido, que então se opunha fortemente a esta vocação. No final, com amor e paciência, ela conseguiu trazer uma reconciliação entre pai e filho. Esta professora foi um membro ativo dos Focolares, o que ajudou a difundir sua aura de santidade.

O padre brasileiro Aloisio Sebastião Boeing (1913-2006), que entrou na Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (comumente conhecidos como os “dehonianos”) em 1934 e foi ordenado em 1940, foi o fundador da Irmandade Mariana do Coração de Jesus. Como pároco, ele era particularmente conhecido por sua atenção aos pobres e sua abertura ecumênica, tornando-se também um ponto de referência para a comunidade luterana no sul do Brasil, onde vive uma grande minoria de origem alemã.

A freira italiana Maria Margherita Lussana (Teresa Caterina, 1852-1935) foi a co-fundadora das Irmãs Ursulinas do Sagrado Coração de Asola, no final do século XIX. Ela estava particularmente comprometida com a educação das jovens meninas.

O capuchinho italiano Giuseppe di Sant’Elpidio (Giulio Bocci na vida civil, 1885-1974), que entrou na vida religiosa em 1898, estava particularmente comprometido com a promoção das vocações femininas e em 1943 fundou as Irmãs Franciscanas das Vocações. Ele era conhecido pela qualidade de sua orientação espiritual e por suas cartas aos jovens.

2O Papa Francisco completa a centralização do patrimônio da Santa Sé

Por Camille Dalmas – No Motu proprio Il diritto nativo – “O direito inato” – publicado em 23 de fevereiro, o Papa Francisco declara que todos os bens de entidades pertencentes à Cúria ou ligadas à Santa Sé pertencem ao patrimônio da Santa Sé. Afirma assim a “natureza pública” desses bens, dos quais as instituições da Cúria e afins não são proprietários ou titulares, mas administradores em nome do princípio do “destino universal”.

Com este breve Motu proprio composto de 4 artigos, o Papa proíbe todas as entidades curiais ou aquelas ligadas à Santa Sé de adquirir ou possuir bens em seu próprio nome. Qualquer bem à sua disposição é doravante confiado a elas “em nome e sob a autoridade do Romano Pontífice” para a busca de sua finalidade institucional e “sempre para o bem comum da Igreja”.

“Todos os bens, móveis e imóveis, incluindo dinheiro e títulos, que foram ou serão adquiridos […] pelas instituições curiais e pelas instituições ligadas à Santa Sé […] pertencem […] à Santa Sé como um todo”, estipula o artigo 1 do texto assinado em 20 de fevereiro. Estes bens fazem, portanto, parte do “patrimônio unitário, indivisível e soberano” da Santa Sé.

Mais do que uma modificação das estruturas da Santa Sé, este texto é sobretudo uma afirmação mais geral de um princípio que orienta o uso de todos os bens da Santa Sé. Estes são destinados exclusivamente à busca dos fins da Igreja universal e não apenas para aqueles da entidade individual à qual são confiados.

Duas universidades e três basílicas romanas em questão

Em uma declaração, a Secretaria de Economia, o escritório que desempenha um papel chave na supervisão da reforma da economia da Santa Sé, explica que este Motu proprio está “de acordo com as reformas delineadas pelo Papa” desde o início de seu pontificado e de acordo com a Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, publicada em março passado.

A Constituição já previa que as entidades ligadas à Santa Sé confiassem seus bens reais e pessoais à Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA) ou ao Instituto de Obras Religiosas (IOR) e se colocassem sob o controle e a supervisão dos diversos escritórios e secretarias da Santa Sé. Em 5 de dezembro do ano passado, o Papa Francisco já havia integrado formalmente os bens de certas fundações pontifícias e outras entidades afins ao patrimônio da Santa Sé por meio de outro Motu proprio.

Este novo Motu proprio, ao estender o princípio do patrimônio da Santa Sé a todas as entidades, torna possível a integração de certas estruturas que antes não estavam preocupadas com isso, por causa de sua autonomia. É o caso das Universidades Pontifícias do Lateranense e Urbaniana, assim como os três capítulos das basílicas romanas de São João de Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo Fora dos Muros.

3A Academia para a Vida quer evitar uma “enorme tragédia” diante dos avanços tecnológicos

Por Anna Kurian – Concluindo sua assembleia geral sobre tecnologias emergentes, a Pontifícia Academia para a Vida se preocupa com inovações tecnológicas que podem “destruir tudo”. Numa coletiva de imprensa no dia 23 de fevereiro no Vaticano, o Arcebispo Vincenzo Paglia, presidente da estrutura, pediu uma “mesa internacional” para regulamentar o campo dessas novas tecnologias.

“Tecnologias convergentes – uma combinação de nanotecnologia, biotecnologia, informática e ciência cognitiva – quebraram a barreira do som, indo além das colunas de Hércules”, disse Dom Paglia aos jornalistas. Ele advertiu que estas tecnologias podem trazer “um enorme desenvolvimento”, mas “uma tragédia igualmente enorme”.

O arcebispo italiano comparou estas tecnologias ao advento da energia nuclear, onde “tudo poderia ser destruído”. “Aqui também, tudo pode ser destruído”, disse ele, sublinhando o risco de que “uma máquina predestinada por um algoritmo decidirá pelos humanos”. O Bispo Paglia apelou para acordos internacionais, na linha dos acordos climáticos, lembrando que “a tecnologia sem ética é muito perigosa”.

No final do congresso, Dom Renzo Pegoraro, chanceler da mesma academia, expressou as “preocupações e temores” dos acadêmicos sobre a falta de “limites” e “fronteiras”. Este último defendeu a referência a “valores e princípios morais” a fim de ter “critérios de avaliação”, relatou ele.

O transhumanismo é uma preocupação clara para os acadêmicos do Vaticano. Isto “parte do princípio de que o homem é um limite que deve ser superado”, explicou Laura Palazzani, membro da Academia para a Vida e professora da Universidade de Lumsa. Embora negando uma postura “tecnofóbica”, ela pediu “prudência” diante dessas tecnologias que “estão se desenvolvendo muito rapidamente, de forma muito complexa e com uma aplicação muito ampla em vários setores”.

Muitas vezes, ela observou, estas tecnologias são “duais”. Elas podem ser aplicadas “para tratar” pessoas doentes ou deficientes, mas também para “aumentar as capacidades de pessoas saudáveis”, disse ela, criticando um “sonho utópico”.

O professor Roger Strand, da Universidade de Bergen, falando na conferência, disse que as tecnologias convergentes “levantam questões sobre o futuro da raça humana”. Facebook e Twitter se tornaram “armas que podem ser usadas em eleições democráticas”, observou, expressando alarme por seu alcance “persuasivo” a “um nível muito mais profundo do que qualquer publicidade normal”, devido às bases de dados de preferências dos usuários.

“O que acontece se for possível conectar uma máquina ao meu cérebro, sem o meu conhecimento? O que seria a consciência? O que seriam as crenças”, diz o especialista em ética preocupado, lamentando a falta de “filósofos e teólogos entre os engenheiros”.

Tags:
Direto do VaticanoSantostecnologia
Top 10
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia