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História de amor de ex-seminarista e ex-freira agita redes sociais – mas será que a mídia está contando toda a história?

Ex-seminarista Tomás e ex-freira Massiel

@tomascamr | TikTok

Francisco Vêneto - publicado em 10/03/23

A história de Tomás e Massiel é bela agora - mas já era bela antes

Os jovens mexicanos Tomás, ex-seminarista, e Massiel, ex-freira, se conheceram quando estudavam Filosofia e Teologia como parte da sua formação.

Tomás passaria sete anos no seminário e Massiel seis anos no convento até que cada um discernisse, individualmente, que não tinha a vocação religiosa. Mas um não sabia do processo de discernimento vocacional do outro, já que, ao longo dos seus anos de seminário e convento, os dois jovens se viram no máximo três vezes, conforme recorda o próprio Tomás.

Foi só depois de sair do seminário que o jovem ficou sabendo que Massiel também havia deixado a vida religiosa.

Ele então resolveu procurá-la para saber um pouco mais da sua história. Via rede social, o jovem compartilhou que só “estava curioso” para saber por que Massiel havia deixado o convento, mas, à medida que iam conversando com mais frequência, tanto ele quanto ela perceberam que a amizade ia se transformando em amor.

“O fato é que eu a vi e a achei muito diferente, muito bonita, com aquele sorriso lindo dela e o jeito especial dela de se vestir. Eu não sei, mas tudo começou de verdade quando a gente passou a conversar”.

O relato de Tomás não tardou a viralizar mundo afora, transformando-se em notícia de inúmeros veículos de mídia no México, no Peru, na Argentina, no Brasil e em dezenas de outros países.

Como a mídia está vendendo a história

É aí que entra em cena a forma como a notícia vem sendo vendida por sites diversos.

Alguns descreveram a história romântica de Tomás e Massiel como “amor entre padre e freira” e destacaram a “coragem do jovem casal”. Outros afirmaram que o ex-seminarista e a ex-freira “abriram mão dos votos religiosos em nome do amor” – e não faltou o jornal argentino que resolvesse sugerir que “o amor venceu a devoção”.

Será mesmo necessário deturpar e descontextualizar aspectos da trajetória anterior de Tomás e Massiel para ressaltar a beleza da sua vida atual? Afinal, a história de Tomás e Massiel é bela agora, com os dois namorando, e já era bela antes, quando cada um estava procurando discernir se tinha ou não a vocação religiosa. E caso os dois ou um dos dois tivesse descoberto que tinha mesmo essa vocação, a sua história teria sido feia e triste?

Até os protagonistas compartilharam que o seu namoro só começou depois que ambos já tinham saído, respectivamente, do seminário e do convento – onde se viram três vezes ao longo de mais de seis anos. Qual é o grau de precisão (ou de responsabilidade) de um veículo informativo que relata essa história como sendo de “amor entre padre e freira”? Qual é o cuidado jornalístico do site que afirma que eles “abriram mão dos votos religiosos em nome do amor”?

A propósito, se Tomás e Massiel tivessem confirmado a sua vocação religiosa, ela também não poderia ser vivida por amor?

E a que exatamente se refere o jornalista que destaca a “coragem do jovem casal”? Será que eles sofreram ameaças por estarem namorando? De quem? E caso Massiel e Tomás tivessem prosseguido as suas vidas como freira e como padre, será que não seriam corajosos por viverem essa vocação tão exigente?

Quanto ao jornal que se pergunta se “o amor venceu a devoção”, fica ainda mais evidente o preconceito e a visão enviesada e negativa da vida religiosa, como se a “devoção” não pudesse ver vivida precisamente por amor.

Num vídeo que publicou em sua rede social, o próprio Tomás afirma que a solidez da relação com Massiel deve muito à formação moral e espiritual que cada um recebeu nos tempos de convento e seminário, pela qual os dois se declaram “sumamente agradecidos”:

@tomascamr

Síguenos en Instagram! Versión de Año Nuevo! Un saludo a todos ustedes #añonuevo#2023#love#amor#parejas#tip#fyp

♬ sonido original – Tomas Cam

Uma história que é bela por inteiro – e não por pedaços

A história de Tomás e Massiel é bela, inspiradora e merece toda a divulgação que está tendo, porque é uma história de amor. Mas esse amor merece ser reconhecido em toda a sua trajetória, e não apenas num capítulo recente e tirado de contexto.

A história completa, e que é bela por completo, é a de um jovem e uma jovem que procuraram discernir o chamado de Deus, viveram com esforço os seus compromissos no seminário e no convento, chegaram à conclusão perante Deus e perante a própria consciência de que o seu caminho não era a vida religiosa e, depois de cada um ter assumido a sua nova condição como jovem leigo e desimpedido, ambos se reencontraram e deram início, agora juntos, a uma nova etapa da sua vida – que não começou a ficar bonita somente agora.

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