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Os conselhos concretos de Bento XVI para sermos mais santos no cotidiano

Pope-Benedict-XVI Walking Paul VI Hall

giulio napolitano | Shutterstock

Mathilde de Robien - publicado em 10/03/23

Como ficar mais próximo de Deus? Bento XVI ensina hábitos acessíveis e fáceis de praticar, apesar da correria do dia a dia

Longe da imagem que alguns fizeram de Bento XVI – a de um teólogo desligado das realidades da vida -, ele teve, sim, uma percepção muito clara das dificuldades que todos encontram ao viver diariamente na presença de Deus.

Em uma homilia do Advento em 2009, ele observou: “Na existência cotidiana, todos nós vivemos a experiência de ter pouco tempo para o Senhor e pouco tempo também para nós. Terminamos por ser absorvidos pelo ‘fazer'”.

Quem já não viveu períodos em que o número de coisas que temos de fazer nos sobrecarrega tanto, que já não temos tempo nem disponibilidade de espírito para o que é verdadeiramente essencial?

O que é essencial?

Para Bento XVI, essencial é o nosso encontro com Cristo.

“Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”, escreveu Bento XVI na sua primeira encíclica, Deus caritas est.

A fé é, antes de tudo, uma relação, um encontro com Deus. A nova direção decisiva é tornar-se santo. E a forma como avançamos no caminho da santidade é viver regularmente com Cristo, deixando-nos envolver pelo seu amor.

Para que nos tornemos amigos de Deus, Bento XVI recomenda alguns hábitos bastante acessíveis e fáceis de praticar.

1Tenha contato com Deus duas vezes ao dia

Todo relacionamento morre se não for mantido. Isso é verdade para casais, famílias e amigos, mas também no que diz respeito ao relacionamento com o Senhor. É por isso que Bento XVI disse : “Nunca começar nem terminar um dia sem, pelo menos, um breve contato com Deus”. Não precisa ser, necessariamente, uma oração, mas um pensamento, um gesto, uma palavra de elogio ou gratidão, no início e no fim do dia.

2Todas as manhãs, agradeça ao Senhor pelo dom da fé

Em sua última audiência geral, em 27 de fevereiro de 2013, Bento XVI compartilhou uma bela e curta oração e incentivou-nos a recitá-la diariamente pela manhã, a fim de expressarmos o amor ao Senhor e agradecê-lo pelo dom da fé. Eis a oração em questão: “Eu Vos adoro, meu Deus, e Vos amo com todo o coração. Agradeço-Vos por me terdes criado, feito cristão”.

Para Bento XVI, o dom da fé é “o nosso bem mais precioso, que ninguém nos pode tirar!”

3Todos os dias, encontre uma oportunidade para se alegrar

“Um desejo de alegria espreita no coração de cada homem e mulher”, disse Bento XVI na 27ª Jornada Mundial da Juventude de 2012. “Além das satisfações imediatas e passageiras, o nosso coração procura a alegria profunda, total e duradoura, que possa dar ‘sabor’ à existência”, disse Bento XVI. Ele ainda acrescentou:

“E todos os dias são tantas as alegrias simples que o Senhor nos oferece: a alegria de viver, a alegria face à beleza da natureza, a alegria de um trabalho bem feito, a alegria do serviço, a alegria do amor sincero e puro. E se olharmos com atenção, existem muitos outros motivos de alegria: os bons momentos da vida familiar, a amizade partilhada, a descoberta das próprias capacidades pessoais e a consecução de bons resultados, o apreço da parte dos outros, a possibilidade de se expressar e de se sentir compreendidos, a sensação de ser úteis ao próximo.”

4Todos os dias, observe um sinal de Deus

 “Os acontecimentos individuais do dia são indícios que Deus nos dá, sinais da atenção que Ele tem por cada um de nós. Quantas vezes Deus nos dá um vislumbre de seu amor! Manter, por assim dizer, um ‘diário interior’ deste amor seria uma bela e salutar tarefa para a nossa vida”, disse Bento XVI em 2009.

5Contemplar obras de arte

Como músico e amante da música, Bento XVI experimentou como a beleza pode nos elevar a Deus. Durante uma audiência geral em agosto de 2011, ele compartilhou o quanto um concerto de Bach em Munique o havia tocado: “No final da última peça, uma das Cantatas, senti, não por raciocínio mas no profundo do coração, que quanto eu ouvira me tinha transmitido a verdade, a verdade do sumo compositor, impelindo-me a dar graças a Deus”.

“As cidades e os povoados do mundo inteiro encerram tesouros de arte que exprimem a fé e nos exortam à relação com Deus. Então, a visita aos lugares de arte não seja apenas uma ocasião de enriquecimento cultural — também isto — mas possa tornar-se sobretudo um momento de graça, de estímulo para refortalecer o nosso vínculo e o nosso diálogo com o Senhor”, concluiu o Papa.

6Aproveitar os momentos engraçados da vida

Numa entrevista antes da viagem apostólica à Baviera, em setembro de 2006, Bento XVI destacou a importância de não se levar muito a sério e de saber aproveitar as pequenas alegrias da vida: “Não sou um homem que se lembra continuamente de anedotas. Mas considero muito importante saber ver o aspecto divertido da vida e a sua dimensão alegre e não viver tudo tão tragicamente, e diria que isto é necessário também no meu ministério. Um escritor disse que os anjos conseguem voar porque não se consideram a si mesmos com demasiada seriedade. E também nós talvez pudéssemos voar um pouco mais, se não déssemos tanta importância a nós mesmos”.

7Invocar os santos com mais frequência

Bento XVI tinha uma grande devoção e confiança nos santos. Na missa inaugural de seu pontificado, em 24 de abril de 2005, confiou-se à vasta comunhão dos santos: “Todos os santos de Deus estão aí para me proteger, me sustentar e me carregar”.

Ele convidou todos os batizados a pedirem a proteção dos santos.

8Reservar um tempo para o silêncio

Apesar da correria da vida, Bento XVI nos convida a fazer tempos regulares de silêncio, um caminho confiável para o encontro com Deus, um espaço para deixar falar “alegria, preocupações, sofrimento”, um tempo essencial para discernir o que é importante do que é inútil ou incidental. 

“Não há que surpreender-se se, nas diversas tradições religiosas, a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas. O Deus da revelação bíblica fala também sem palavras: ‘Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio. O silêncio de Deus, a experiência da distância do Omnipotente e Pai é etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra Encarnada'”, afirmou Bento XVI em mensagem para o 46º Dia Mundial das Comunicações Sociais.

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