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Como enfrentar a doença?

Mulher com cabelos raspados

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La sensación de soledad, real o no, entristece.

Julia A. Borges - publicado em 26/03/23

O campo de batalha que cerca cada indivíduo em seu cotidiano já é tão feroz e agressivo; mas e se somado a tudo isso ainda surgir como inimigo uma doença grave?

A vida por si só já parece ser uma luta constante. Luta-se pelo pão de cada dia, luta-se para ter um emprego ou mantê-lo, luta-se contra o tempo, luta-se para ter tempo. O campo de batalha que cerca cada indivíduo em seu cotidiano já é tão feroz e agressivo; mas e se somado a tudo isso ainda surgir como inimigo uma doença grave?

Ao ter como diagnóstico uma desafiadora enfermidade, seja para si próprio ou alguém da família, um pensamento primário e muito comum que cerca a mente de qualquer um é: Por quê? E a reverberação do questionamento parece tomar conta durante muito tempo e sem encontrar uma resposta que acalente de fato ao coração. Uma resposta que talvez não venha, ou que talvez seja necessário passar por toda a experiência do sofrimento para entender. Fato é que quando a doença chega, tudo aquilo no qual foi necessário grande empenho se desvanece e sobreviver se torna o fator preponderante sobre todas as outras opções. Os pesos acerca da realidade sofrem forte impacto e nada mais tem importância a não ser se manter vivo.

Luta

Obviamente não há mal nenhum em querer permanecer vivo, mas é mais comum que tal desejo só apareça quando se tem a certeza de que o ser humano não é dono de sua própria existência. Com a doença, há a clara percepção de que a luta durante toda a jornada neste mundo não é para viver, nunca foi. Essa batalha foi ganha já pelo sangue de Cristo ao morrer por cada um. A luta é para a permanência neste mundo, e quando claramente se percebe a sutil diferença entre lutar para ser e lutar para estar, torna-se ainda mais grandioso reconhecer a Paixão de Jesus.

A vida é uma dádiva, um presente que não leva a menor consideração o mérito, a grandeza ou o valor de quem a recebe. Ela lhe foi dada inteiramente. Não há que se batalhar para tê-la, e talvez por isso mesmo é que o ser humano, ao invés de glorificar tamanho dom, prefere perder tanto tempo com tantas superficialidades e acaba por esquecer que a vida verdadeira já nos foi dada e que o único pedido que Deus nos faz é que O amemos, não por Ele, mas porque é somente desta maneira que o ser humano passa por essa existência com a certeza da vitória. É como iniciar a guerra já sabendo ser o vencedor.

Essa certeza deve prevalecer também quando se depara com a doença, afinal, crer na existência divina não deve ser limitada ao ser saudável. A graça é de todos, é para todos. Então por que insistir na ideia da luta contra a enfermidade? Se alguém sobrevive à doença X ou Y, ele foi um vencedor! E aquele que não sobreviveu? De imediato pensamento lógico, é possível então inferir que ele torna-se um perdedor, afinal, fora a doença a vencedora dessa tal batalha. A vontade do homem de controle e de domínio sobre si e sobre o outro é tamanha que mesmo o cristão mais convicto, ainda cai na armadilha em acreditar que se batalha pela vida. O bom combate do cristão é a luta pelo céu porque não se pode guerrear por um troféu que já é seu! “Viver para mim é Cristo, morrer é ganho” (Filipenses 1:21).

Amor

Sim, é preciso ter amor à vida e a tudo o que a cerca. É necessário cuidar, querê-la. Será através dessa experiência que cada um terá a possibilidade de conhecer a Deus, de viver uma perfeita comunhão através da Eucaristia, dos sacramentos, através do amor ao irmão. Sim, não se deve nunca desperdiçar o tempo neste mundo, mas o propósito maior não é aqui. A vida nos foi dada, e será através dela que nós conquistaremos o céu.

Perceber a existência como etapa para a morada final é revelador na medida em que as dores do mundo passam a ter um peso menor, a cruz do sofrimento ao se deparar com a doença torna-se mais leve e possível de carregar. E durante todo esse processo fica mais clara a certeza de que já temos a vida, e que a luta agora é pelo céu, é para estar na Glória de Deus. Viver e morrer serão sempre somente etapas, e não mérito ou demérito nosso.

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