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A nova estratégia dos monges para vender seu famoso licor

Chartreuse

fot. Magdalena Galek

Agnès Pinard Legry - publicado em 30/03/23

A empresa que comercializa o famoso licor dos monges cartuxos acaba de anunciar sua nova estratégia. "O crescimento infinito não é mais possível", disse recentemente Dom Dysmas, prior da Grande Chartreuse

Suas tonalidades verdes ou douradas, dependendo da faixa escolhida, são difíceis de ignorar para aqueles que apreciam coisas boas. O licor Chartreuse, inventado no século XVIII pelos monges cartuxos e inicialmente dedicado a propósitos medicinais, tornou-se um dos favoritos em bares e restaurantes em todo o mundo.

Composta por 130 plantas, a receita não mudou (ou apenas marginalmente) e permanece um mistério: apenas alguns monges conhecem a composição do Chartreuse. Mas o que está prestes a mudar é a estratégia da “Chartreuse Diffusion”, a empresa que comercializa a Chartreuse e na qual os monges são acionistas majoritários.

Chartreuse

O 74º sucessor de São Bruno à frente da Ordem Cartuxa, Dom Dysmas, declarou recentemente aos administradores do licor Chartreuse: “O crescimento infinito não é mais possível”. Alguns diriam que estas são as palavras da época. Mas, no caso dos monges cartuxos, eles prometem ser muito concretos. Os monges cartuxos decidiram, ainda que a empresa esteja se saindo muito bem, limitar a produção.

Uma abordagem coerente

Em uma entrevista concedida ao Dauphiné Libéré, Emmanuel Delafon, o CEO da empresa, explica este desejo de coerência por parte dos monges cartuxos.

Enquanto o licor expandiu sua fama pelo mundo entre 1840 e 1900 e, agora especialmente durante os últimos 20 anos, a empresa quer voltar às suas raízes, porque “isso é o certo a se fazer”, explicou o CEO ao jornal. “É um ajuste para o futuro. Ou uma reconciliação com o passado, como você preferir”.

Por exemplo, na exportação, que representa 50% do faturamento da Chartreuse Diffusion, o objetivo é “transportar todas as nossas garrafas para o mercado de Nova York por veleiro até 2024-2025. Estamos zerando nossas emissões de carbono”. E o CEO continua: “Sim, existem soluções; sim, elas custam mais; mas temos de pagar agora ou ainda mais caro amanhã”.

Outra razão dada é ambiental. Encontrar as 130 plantas necessárias para a receita está se tornando “complicado” por causa do clima e das crescentes ondas de calor e secas, explica Emmanuel Delafon.

“Produzir o dobro do número de plantas simplesmente não é possível”. Os monges da Grande Chartreuse também pretendem desenvolver novos projetos voltados para a fitoterapia, a fim de utilizar estas plantas para o cuidado da saúde.

“Há uma expectativa real para um uso diferente das plantas”, diz Emmanuel Delafon. Ecologia, preservação dos recursos, a necessidade de mais laços sociais… E se os mosteiros estivessem mil anos à frente de seu tempo?

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