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Direto do Vaticano: A intenção de oração do Papa em abril

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Paz e união

Shutterstock/SewCreamStudio

Reportagem local - publicado em 31/03/23

Seu Boletim Direto do Vaticano de 31 de março de 2023

“Desenvolvamos uma cultura de paz. Cultura de paz”, pede o Papa Francisco. Este é o apelo que faz O Vídeo do Papa de abril com a nova intenção de oração confiada a toda a Igreja Católica, através da Rede Mundial de Oração do Papa

No próximo 11 de abril completam-se 60 anos da publicação da encíclica Pacem in Terrisescrita pelo Papa João XXIII e que tem como subtítulo “Sobre a paz entre os povos que deve ser fundada na verdade, na justiça, no amor e na liberdade”. No seu vídeo deste mês, o Papa Francisco renova esta mensagem com força, destacando “que a guerra é uma locura, está para além da razão”.

Aquela frase de sessenta anos atrás, citada por Francisco na mensagem que acompanha sua intenção de oração, está mais atual do que nunca, como estão os testemunhos deixados por algumas das pessoas que plantaram sementes de paz no século passado: São João XXIII, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Santa Teresa de Calcutá. No Vídeo do Papa deste mês, suas imagens em preto e branco aparecem no meio de cenas de destruição causadas pela violência atual: desde a guerra da Ucrânia às do Oriente Médio, passando por confrontos e tiroteios, incluindo os países mais ricos, como os Estados Unidos. Ainda que não tenham faltado testemunhas, definitivamente, o mundo ainda não aprendeu a lição fundamental: “qualquer guerra, qualquer confronto armado, acaba sendo uma derrota para todos”.

A paz é o objetivo

Um artigo da Anistia Internacional publicado sobre dados e estatísticas do uso de armas entre 2012 e 2016, apresenta uma amostra do que significa uma cultura de violência: por exemplo, mais de 500 pessoas morrem diariamente pela violência armada e em média mais de 2.000 ficam feridas; além disso, 44 % dos homicídios no mundo são cometidos com armas de fogo. Isto está diretamente relacionado com a indústria das armas: 8 milhões de armas portáteis são produzidas a cada ano, somado a 15.000 milhões de cartuchos de munição. E no que diz respeito ao conflito armado, a Ação contra a violência armada (Action on Armed Violence, AOAV) adiantou que o panorama de 2023 não parece ser nada animador: os novos confrontos, particularmente a invasão russa na Ucrânia e as explosões na Ásia, somam-se aos conflitos e lutas armadas que estão acontecendo na África e no Oriente Médio, entre outros.

O único caminho possível para frear esta investida é buscar e colocar em marcha, tanto a nivel local como internacional, caminhos de diálogo real e assumir “a não violência” como “um guia para o nosso agir”. Esta mensagem faz eco ao que adiantou o Papa João XXIII há 60 anos: “A violência jamais fez outra coisa que destruir, não edificar; inflamar as paixões, não acalmá-las; acumular ódio e destruição, não ajudar a confraternizar os adversários, levando os homens e os partidos à dura necessidade de reconstruir tudo lentamente, depois de dolorosas provas, sobre destroços da discórdia”.

Paz sem armas

Neste momento da história marcado pelo conflito na Ucrânia, que envolveu um grande número de países no último ano, o Papa Francisco recorda que, inclusive nos casos de legítima defesa, a paz é o objetivo final: inclusive quando esta paz, como hoje, parece distante. Porém “uma paz duradoura – acrescenta – só pode ser uma paz sem armas”, e por isso insiste no tema, que lhe é muito querido, do desarmamento em todos os níveis, inclusive na sociedade: “a cultura da não violência – concluindo a sua intenção de oração – implica a diminuição do uso de armas, tanto por parte dos Estados como dos cidadãos”.

O Pe. Frédéric Fornos S.J., Diretor Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, comentou: “Frente à violência do nosso tempo, o Papa Francisco propõe um mês para rezar ‘por uma maior difusão de uma cultura da não violência’. A paz entre os povos começa, de fato, na parte mais concreta e íntima do coração, quando encontro o outro na rua, seu rosto, seu olhar, sobretudo o que vem de outro lugar, o que não fala como eu e não tem a mesma cultura, o que é diferente nas suas atitudes e o que chamamos “estrangeiro”. A guerra e o conflito começam aqui e agora, em nossos corações, cada vez que permitimos que a violência substitua a justiça e o perdão. O Evangelho nos mostra que a vida de Jesus revela o verdadeiro caminho da paz e nos convida a segui-lo. É neste espírito que somos chamados a nos “desarmarmos’, no sentido de ‘desarmar’ nossas palavras, nossas ações, nosso ódio. Rezemos, pois, como nos convida o Papa Francisco para que ‘façamos da não violência, tanto na vida cotidiana quanto nas relações internacionais, um guia para o nosso agir’”.

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Tags:
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