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Como viver com Maria o caminho de luz

Matka Boża płacze stojąc pod krzyżem Chrystusa

Sebastian_Photography | Shutterstock

Hozana - publicado em 07/04/23

"Pela cruz chegar à luz”, diz o ditado profundamente evangélico, como ensinou São João Paulo II ao nos recordar que a cruz do cristão é sempre uma cruz pascal

A relação entre mãe e filho é diferente de qualquer outra que possa existir. Durante a gestação, a presença da criança ali muda completamente a natureza da mulher. Ela traz um laço de amor pra vida toda. A mãe é capaz de sentir a dor de um filho ainda que ele esteja longe. Preocupa-se com ele a todo tempo e lugar. Quando está doente, ela quase que adoece com ele ao ponto de pensar: “Ah! Se fosse possível, gostaria que Deus tirasse esta doença dele e mandasse pra mim. Só pra que ele fique bem”. E quando morre? Um pedaço da mãe morre com ele. Não há remédio capaz de curar a dor da perda, e carrega esta dor por toda vida. Daí, aquela famosa frase: “pior que um filho enterrar uma mãe, é uma mãe ter que enterrar seu filho”.

Bem, a todo tempo usei o termo “filho”, mas também poderia ser trocado por “filha”, obviamente. O motivo “filho” aqui é intencional. Faço-me explicar.

Este “negócio” de ter mãe é tão bom que até Deus quis ter uma pra Si: Maria.

Ora, se as mães, nas suas imperfeições, seus pecados, são capazes de gerar e dar a vida por seus filhos, por que com aquela a quem Deus, desde a eternidade criou sem mancha do pecado para que pudesse, por meio dela, vir ao mundo, seria diferente?

A relação com Maria

A relação de Maria é igual a de todas as mães, e trouxe em si todos os sentimentos que qualquer mulher tem por seus entes gerados, como descrevi anteriormente. No entanto, aqui há uma diferença imensa. A relação dela não foi com um pecador como eu e você, mas com o próprio Deus, como nos lembra o Arcanjo Gabriel: “Por isso, o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1, 35b) Se orar é dialogar com Deus, a vida da Virgem Mãe de Deus foi uma constante oração.

Afinal, não só conversava com Deus antes da concepção, mas sobretudo após ela. Certamente, desde o primeiro instante Maria falou com seu Filho Deus e assim permaneceu por toda vida, e isto lhe deu o título de co-redentora, não porque nos salvou. Longe disto. Ela participou diretamente da nossa salvação ao nos trazê-la. Deus poderia ter vindo ao mundo numa carruagem descida do Céu. Mas, não. Quis vir através de uma mulher. E esta mulher foi quem O seguiu por toda sua vida (ainda que de longe), paixão, morte, ressurreição, até a ascensão ao Céu e, por conta disto, viveu e sentiu tudo aquilo que toda mãe sente por seu filho.

Nossa Senhora e o sofrimento de Jesus

No filme “Paixão de Cristo” do diretor Mel Gibson, há uma pequena exposição do que deve ter sentido Nossa Senhora durante os últimos momentos antes da morte de Jesus. Por mais que queiramos descrever, é impossível sentir a dor da espada que atravessou sua alma naquele momento. Claro que isto ela sabia, pois como toda judia, aguardava a vinda do Salvador, e certamente conhecia os textos proféticos do Antigo Testamento que anunciavam a vinda do Salvador, seu sofrimento e a forma como morreria. E foi por isso que compreendeu as palavras proféticas de Simeão, quando apresentou Jesus no templo: “E uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2,34s). Porém, qual mãe está preparada pra ver e viver o momento da morte de seu filho?

No entanto, há um grande “porém” nesta história. Maria sabia perfeitamente qual era sua missão, como predissera o profeta Isaías: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará ‘Deus Conosco’. (…) O Senhor fará vir sobre ti, sobre teu povo e sobre a casa de teu pai”. (Isa 7,14.17), e aceitou ser parte deste projeto ao afirmar: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

Via Crucis e Via lucis

Assim, somos chamados pela Igreja a viver com Maria, em Maria e por Maria o Cristus Totus, o Cristo Total, ou seja, sua via crucis e também sua via lucis (apresentada pelo Papa João Paulo II em 1991, na sexta-feira Santa).

Desde o Domingo de Páscoa até ao Domingo de Pentecostes decorrem 50 dias cheios de acontecimentos inesquecíveis, que os mais próximos de Jesus viveram intensamente, com uma alegria inimaginável, principalmente sua Mãe Santíssima através da via Lucis, “as 14 estações mediante as quais se torna possível meditar e rezar sobre a Ressurreição, a Ascensão de Jesus e o Pentecostes.” 

“Pela cruz chegar à luz”, diz o ditado profundamente evangélico, como ensinou São João Paulo II ao nos recordar que a cruz do cristão — vivida na sua verdadeira significação — é sempre uma cruz pascal.

As estações da Via Lucis apresentam-se em quatro momentos: Palavra de Deus, Magistério, preces, canção. A Palavra de Deus nos situa e orienta no mistério contemplado; os textos do Magistério da Igreja nos guiam para a reflexão; as preces buscam trazer presentes situações e categoria de pessoas que necessitam de nossa atenção e solidariedade; por fim, a canção pode nos ajudar a ecoar em nossos corações as passagens meditadas.

Convido você a viver esse caminho de luz através da rede social de oração Hozana. Clique aqui para se inscrever!

Assim, vivamos este momento tão rico que a Igreja nos propõe depois da Quaresma e da Semana Santa. Com Maria, sigamos os passos do nosso Divino Mestre até sua ascensão aos Céus. Em Maria, aprendamos desta terna Mãe a alegria da vitória sobre a cruz e a certeza de que a morte não é o fim, mas uma passagem para uma nova vida. Finalmente, por Maria sintamos a presença do Ressuscitado entre nós, a nos conduzir a uma vida nova, a vida eterna.

Wellington de Almeida Alkmin, pelo Hozana

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