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Já morreu por alguém hoje?!

Peregrinos caminham rumo a igreja

MaxMaximovPhotography | Shutterstock

Three pilgrims walking to Santa Catalina de Somoza along the French Way of St. James

Julia A. Borges - publicado em 16/04/23

E em nossas vidas, inúmeras são as situações nas quais devemos também morrer para dar lugar ao amor pelo irmão

Ao refletir acerca da Páscoa, faz-se necessário para um melhor entendimento do significado dessa celebração, estabelecer uma comparação, ainda que de maneira superficial, com a crença dos antigos cidadãos da época arcaica e clássica das civilizações greco-romanas. Ao analisar, por exemplo, as múltiplas divindades que eram cultuadas: de Zeus a Poseidon; de Atena a Apolo; de Afrodite a Hermes; de Dioníso a Deméter, citando apenas algumas referências para ilustrar, é sabido que segui-los, ou melhor, reverenciá-los necessitava o sacrifício humano às divindades, significava a adoração para a satisfação completa daquela entidade. E mesmo com todas as oblações feitas à figura divina, a resposta dos deuses para aqueles sacrifícios era sempre para a completa satisfação, pura e simples, daquele ser divinal, nunca em atenção ao humano que ali se prostrava.

O elo entre o ovacionador e ovacionado vinha de uma dependência na qual a base de tudo era o contentamento da divindade, ou seja, sua pura e plena satisfação.

O Deus do desconhecido

Dentre todos aqueles deuses, havia um no qual os gregos não tinham enquadrado a nenhuma força da natureza ou até mesmo aspectos bélicos ou socioculturais. Havia um sem nome: o Deus do desconhecido. E foi desse Deus e a esse Deus que Paulo foi pregar no Aerópago, em Atenas, para centenas de pessoas. Era o Deus do desconhecido que queria se fazer conhecido perante aquela civilização. Um Deus que não busca interesses próprios e nem, tampouco, a autoafirmação, não busca oblações vãs. É o único que dá vida a todo aquele nele crê, é o único que busca o sacrifício em prol do amor por cada um, é o único que só quer em troca o seu amor, o meu amor, o nosso amor.

Pensar na Páscoa e no sofrimento de Jesus é importante para que se entenda, em definitivo, que foi por amor. Ratifico; foi por amor. 

E em nossas vidas, inúmeras são as situações nas quais devemos também morrer para dar lugar ao amor pelo irmão.

Páscoa

A Páscoa nos faz entender que viver para si é perda de tempo, e ajuda-nos a compreender que o outro, seja quem for, é instrumento de Deus para se chegar ao céu, principalmente quando esse outro for aquele indivíduo com o qual temos que nos esforçar o triplo para manter alguma serenidade.

Pense que todos os dias ao acordar, você é conduzido a dar voz à sua vontade, mesmo tendo que cumprir as obrigações diárias, a tendência do ser humano é sempre querer que tudo esteja conforme a sua vontade, o seu gosto e o seu arbítrio. 

É tempo de buscar sair do lugar mais supremo do pódio, ao menos de vez em quando, para que a sua visão possa estar mais preparada para o Alto. Buscamos o excelso, mas sabemos plenamente que não será aqui que o alcançaremos, e se estivermos presos em buscar os prazeres e as compensações do mundo, será bem provável que estaremos perdendo a oportunidade única de nos preparar para o céu.

Morra aqui, quantas vezes forem necessárias. Perca discussões, perca brigas, perca oportunidades vãs. Perca, vez por outra, o “eu” e verá a maravilha que é encontrar Deus no outro. 

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