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Bispo afirma que ataques do ditador da Nicarágua contra a Igreja são sinal de fraqueza

Dom Silvio Báez

INTI OCON | AFP

Dom Silvio Báez

Francisco Vêneto - publicado em 20/04/23

"Ele fala para a sua gente, fala para as suas bases; não fala como estadista para o país, porque não governa a Nicarágua"

O bispo auxiliar de Manágua, dom Silvio Báez, declarou que os ataques contra a Igreja perpetrados pelo ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, são sinal de “fraqueza e desespero”.

Em declarações feitas no último domingo, 16, à imprensa de Miami, onde foi forçado a se exilar pelo regime ditatorial, dom Báez afirmou:

“Nós, nicaraguenses, temos que aprender a interpretar a linguagem do ditador. Ele fala para a sua gente, fala para as suas bases; não fala como estadista para o país, porque não governa a Nicarágua. Quando ele diz essas coisas, temos que interpretar que é para os sequazes dele, para que eles o vejam como forte. E, no fundo, nós que o ouvimos temos que pensar que é um sinal de fraqueza, um sinal de desespero. Ele sabe que está sozinho dentro e fora do país”.

O bispo fez menções especiais a dom Rolando Álvarez, preso pelo regime de Ortega e frequentemente atacado com virulência pelo ditador como “traidor da pátria”:

“Meu irmão, o bispo de Matagalpa, dom Rolando Álvarez, foi preso injustamente (…) Eu digo isso todos os dias, todos os domingos, e continuo a pedir ao Senhor a sua liberdade, exigindo que se faça justiça, porque ele é inocente. Ele tem o direito de ficar com o seu povo e o seu povo tem o direito de ter o seu bispo. Acredito que Rolando não deveria estar preso, porque ele é inocente”.

Dom Silvio Báez recordou também os protestos de 2018 na Nicarágua, quando muitos cidadãos foram mortos pelas forças do governo e centenas foram presos ilegalmente.

“A experiência de abril de 2018 nunca deve ser esquecida. Não só porque foi um marco que dividiu para sempre a história da Nicarágua, mas também porque em abril de 2018 foi criado um tipo de convivência que deve se tornar um modelo para o futuro. Lá desapareceram as cores políticas, não havia ideologias excludentes, lá ninguém brigava com ninguém, lá todos pensávamos na Nicarágua. É por isso que eu acho que o espírito de abril deve permanecer no futuro”.

De fato, ao se completarem neste mês 5 anos daqueles protestos históricos, estão ocorrendo em várias cidades dos Estados Unidos manifestações em memória dos eventos e em prol da libertação dos presos políticos, entre os quais o bispo dom Rolando.

Encerrando sua entrevista, dom Silvio Báez afirmou:

“Como crente, como pastor, eu não perco a esperança de ver o nosso país livre”.

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