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Columbine ontem e nós hoje

Mãe segurando a mão de criança indo para a escola

A3pfamily | Shutterstock

Adriano Ratti - Valmor Saraiva Racorti - Vanderlei de Lima - publicado em 20/04/23

Na maioria dos casos, o atacante ativo usa armas de fogo, mas pode se valer também de facas, explosivos, veículos etc. e tem, via de regra, uma ligação com o local atacado. Que fazer?

Relembramos, hoje, os 24 anos do tristemente conhecido Massacre de Columbine. O fato ocorrido na Columbine High School, no Colorado, Estados Unidos, em 1999, tem suas repercussões também no Brasil de nossos dias ante ataques concretizados ou tentados em algumas de nossas escolas. Daí a oportunidade do presente artigo.

De início, cabe recordar brevemente que, no dia 20 de abril de 1999, Eric Harris e Dylan Klebold, estudantes na referida unidade de ensino, mataram 12 alunos e um professor e ainda feriram outras 24 pessoas entre alunos, professores e funcionários da escola. Importa dizer que o ataque, retratado em livros e filmes, foi altamente planejado e, por isso, executado com precisão pelos dois adolescentes. Sim, usaram bombas, dispositivos explosivos e até carros-bomba. Depois de tamanha atrocidade, ambos trocaram tiros com os policiais que atenderam a ocorrência e se suicidaram na biblioteca da própria escola. Ainda que não possamos afirmar de modo conclusivo, os autores do ataque talvez desejassem imitar o atentado de Oklahoma City, ocorrido em 19 de abril de 1995, que causou a morte de 168 pessoas e ferimentos em outras 680. Que dizer?

Ataque ativo

Esse tipo de ato é definido, hoje, nos Estados Unidos, como ataque ativo. Refere-se a um indivíduo ativamente envolvido em matar ou tentar matar o maior número de pessoas numa área confinada e povoada. Na maioria dos casos, o atacante ativo usa armas de fogo, mas pode se valer também de facas, explosivos, veículos etc. e tem, via de regra, uma ligação com o local atacado. Na escola, por exemplo, ele pode ser um aluno, ex-aluno, funcionário ou ex-funcionário. Aqui, uma pergunta importante se impõe: Que fazer?

Quanto aos alunos e demais funcionários da escola, o procedimento – ante o autor de um ataque ativo – é evitar, esconder-se e defender-se. Vejamos cada um: Evitar o encontro com o autor do ataque, fugindo para um lado contrário ao dele. Aqui importa, é claro, conhecer bem o prédio em que se está. Esconder-se, se for preciso, onde e como puder. Formar uma grande barreira na porta do cômodo, apagar as luzes, ficar em silêncio. Defender-se, se for necessário, com os meios que tiver à disposição. Isso, além do efeito físico, desestabilizará a mente, de certo modo, programada do agressor. Sim, caso fique parado, a vítima em potencial poderá morrer, caso se defenda, terá chances de viver.

Polícia

Quando a Polícia chegar, há de se ter presente as seguintes medidas nesta ordem: entrar no prédio, localizar o causador do incidente, fazer cessar a sua injusta agressão, socorrer os feridos e, de modo prudente, evacuar o imóvel a fim de evitar que algum eventual ajudante do causador do ataque escape disfarçado de vítima. Importa ainda que as pessoas presentes no local obedeçam às ordens dos profissionais da segurança pública a fim de, com isso, facilitarem as coisas. Tentar demonstrar, nessas horas, que sabem melhor do que eles só complica mais a já dramática situação.

Como prevenção remota, recomendamos a vigilância, ou seja, a observação, a olho nu ou por câmeras, de quem se aproxima ou está do lado de fora da escola. O controle de acessos ou a identificação e consequente seleção de quem chega, entra e sai do estabelecimento de ensino. A instalação de uma placa indicando ser o local área escolar. Manter tudo limpo, pintado e conservado. Afinal, o bom gosto atrai boas disposições; o mau gosto alicia as más disposições. Faz-se oportuno, dentro dos padrões da legalidade, nas escolas, empresas e até mesmo nas ruas, tentar identificar o autor de um ataque ativo em potencial. Aqui, a presença de um bom profissional da saúde e/ou da segurança (Ronda Escolar, por exemplo) podem ter papel fundamental. 

Aliás, para melhor ajudar a sociedade em geral, publicamos sobre isso o oportuno artigo “Psicopata e autor de ataque ativo: prevenções, ações e alertas à população, aos operadores do Direito e aos legisladores”, na conceituada revista Síntese. Direito Penal e Processual Penal, n. 135, Ago-Set/2022, p. 53-68. 

Possam todos os interessados, nas várias esferas sociais, ajudar-nos, hoje e sempre, a preservar vidas!

Tags:
EducaçãoTragédiaViolência
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