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Escolha não ser medíocre

Wierni na placu świętego Piotra podczas modlitwy Regina Caeli

Gregorio Borgia/Associated Press/East News

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Julia A. Borges - publicado em 30/04/23

Toda escolha requer uma renúncia, e a escolha em Cristo requer renúncias diárias que muitas vezes tornam a caminhada difícil e desafiadora

Ser católico em um mundo no qual todos os valores que Cristo pregou estão sendo desprezados é uma missão que muitas vezes pode beirar o impossível. Dia a dia, o cristão se depara com os avessos dos ensinamentos de Jesus e, ainda assim, há pessoas que insistem na falácia da “facilidade” da vida pelo fato da existência de uma crença divina. É bem provável que o leitor já tenha, em algum momento da vida, escutado a seguinte frase: “Ah, mas para você é fácil pensar assim porque acredita em Deus”.

C.S. Lewis, escritor irlandês e autor de um prestigiado repertório de livros, inclusive na esfera acerca das questões teologais, afirmou certa vez em uma entrevista dada a funcionários da Electric and Musical Industries Ltd., na Inglaterra, em 18 de abril de 1944:

“Eu não fui para religião para me fazer feliz. Eu sempre soube que uma garrafa de vinho do Porto faria isso. Se você quer uma religião para fazer você se sentir realmente confortável, certamente eu não recomendo o Cristianismo.”

Escolha

A escolha que se toma em seguir a Cristo não é simples; envolve perdas, renúncias, comprometimentos que, em muitos casos, o indivíduo não consegue sustentar tamanhas exigências que ao fim e ao cabo, soluciona a questão ao se enquadrar como: “católico não praticante”. E esse é um terrível engano, haja vista que ou se vive os preceitos da religião da Igreja fundada por Cristo há mais de dois mil anos, ou simplesmente reconheça que não a segue, porque, definitivamente, não há meio termo.

A abordagem filosófica e também de muitos pensadores estoicos relacionam a via do meio como caminho de vida, até porque o que se deve tomar como percurso metafísico desse conceito é o apelo que se faz à moderação, aos limites que envolvem corpo e mente. E se a análise for com esse viés, não há dúvida do poder benéfico da moderação. Entretanto, ao fazer a escolha de viver uma vida com ou sem Cristo, não há nenhuma abordagem filosófica, metafísica ou subjetiva que altere a seguinte máxima: ou o ser humano é seguidor de Jesus ou não é. Se houver a alegação de que escolheu os ensinamentos cristãos, mas segue os preceitos mundanos, não há dúvida de que já se posicionou a ficar no meio, no meio do caminho, e não chegou a lugar algum. Não “praticar” já é a escolha de negar a Cristo.

Perigo

Esse é o perigo do entendimento equívoco com relação ao “meio termo” porque tal posicionamento tem a forte inclinação de levar seus adeptos para a mediocridade e é aí que reside a gravidade da situação, porque é no banal que o diabo mora.

Há uma parábola que leva o nome de Indecisão e é fácil encontrá-la com uma rápida e simples pesquisa pela Internet, inclusive, a Aleteia já até a publicou em outra ocasião (cf: https://pt.aleteia.org/2017/08/30/parabola-da-indecisao/ ). Nela, fica mais claro entender que há um caminho que nos leva a Deus e todos os outros são residência do inimigo. Sim, todos os outros. Por mais que estejam camuflados com uma bela aparência, com um discurso inteligente, lógico e racional, com grande esperteza e até mascarado de puro altruísmo; ainda assim, é lá que reside o mal, simplesmente porque Deus não divide espaço com o demônio, e é o indivíduo que deve escolher a quem seguir e não há hipótese alguma que possibilite seguir os dois.

Cinza

Sim, por mais que doa acreditar, mas é muito usual encontrar pessoas que queiram obedecer aos ensinamentos cristãos sem renunciar aos preceitos mundanos, e nessa de querer balancear o bem com o mal, o homem acaba por agir como seu próprio Deus. A mediocridade reside na tentativa vã de colorir a vida com lápis cor cinza.

Toda escolha requer uma renúncia, e a escolha em Cristo requer renúncias diárias que muitas vezes tornam a caminhada difícil e desafiadora. Mas não fomos chamados porque éramos fracos, pelo contrário, Deus sabe o poder da força de cada um e se nos permitirmos sair da mediocridade, descobriremos o poder da força Dele em nós. 

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