Aleteia logoAleteia logoAleteia
Segunda-feira 26 Fevereiro |
Aleteia logo
Espiritualidade
separateurCreated with Sketch.

A ideia de Van Gogh que pode mudar a maneira como você encara a vida cotidiana

Vincent Van Gogh

Anastasiia Horova | Shutterstock

Brian Schumacher - publicado em 10/05/23

Na vida cotidiana das pessoas comuns, Van Gogh via uma vivacidade latente implorando por expressão

Anos atrás, um amigo fez uma pergunta que eu lutava para responder desde então: por que ir a um museu de arte quando você pode procurar as pinturas na internet?

Hoje, finalmente encontrei a resposta em uma exposição de Van Gogh. Não apenas senti uma conexão tangível com o homem ao contemplar as telas que ele pintou, mas pude compreender melhor como ele usava brilhantemente as cores em cada pincelada.

Dito isso, deixei a exposição com outra questão para ponderar. Dispersos pelas pinturas, havia inúmeros fatos sobre a vida de Van Gogh e muitas citações do pintor. Uma que achei particularmente comovente mencionava o amor do artista pela terra e seu povo, especialmente aqueles que se dedicavam ao trabalho manual. Ele os via como indivíduos “iluminados por (…) uma religiosidade que sacralizava a humildade para a labuta diária”. 

Na vida cotidiana das pessoas comuns, Van Gogh via uma vivacidade latente implorando por expressão. Por meio de seu talento com o pincel, ele foi capaz de expressá-la de uma maneira nova e duradoura. 

Uma dessas “pessoas comuns” foi o semeador. Com um saco pendurado no ombro, ele lançava sementes no campo. A “ação” da pintura é bastante simples: um homem fazendo seu trabalho. Mas por que eu fiquei tão preso nessa simples ação? O que foi que fixou minha atenção na pintura? Certamente não achei que fosse a pintura mais impressionante – e ainda assim – lá estava eu, olhando para ela.

The Sower - By Vincent van Gogh (1853–1890)
“O Semeador”, de Van Gogh.

Seria justo descrever a pintura como triste. A paleta de cores é monótona, com o uso de azul e cinza. Até mesmo o céu, que não está nublado nem claro. A única coisa que vi, no entanto, foi vibração. 

O homem não está fazendo seu trabalho, está vivendo sua vocação, nutrido pela própria terra que manipula. Na tela, está retratado todo um drama entre o homem e o cosmos. 

Van Gogh foi agraciado com os olhos para ver o belo no ordinário. Ele compartilhou sua visão comigo quando contemplei aquela pintura na vida real – e em tempo real. Por causa dessa interação, agora me pergunto com frequência: que dramas vejo se desenrolar todos os dias que simplesmente descarto como comuns?

Tags:
ArteTrabalhoValores
Top 10
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia