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Um padre e a morte de Rita Lee

2 min de leitura
Rita Lee

Crédito: Marco Senche from Araçatuba, Brasil, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Rita Lee

"Ela soube usar o seu talento para quebrar paradigmas e atingiu um grau de sinceridade atualmente raro entre aqueles que procuram a fama pela oferta do seu fingimento", diz o pe. José Eduardo

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Quando recebi hoje a notícia da morte de Rita Lee, meu primeiro pensamento foi: "caramba!, como o mundo tá ficando chato!".

Independentemente da visão de mundo que ela tinha, é inegável que aquela perspectiva cômico-anarquista era deliciosamente contestatória. Ela soube usar o seu talento para quebrar paradigmas e atingiu um grau de sinceridade atualmente raro entre aqueles que procuram a fama pela oferta do seu fingimento.

Hoje, com a cultura de massa dominada pela uniformidade esquerdista, ser rebelde significaria enfrentar com altivez o moralismo revolucionário. Mas a classe artística, vendida ao bom-mocismo do politicamente correto, abraçou a vassalagem como estilo. Já não temos mais contestadores!

A lacração é "chata pá caramba"! Usam o vitimismo como desculpa para a agressividade estética, amordaçando qualquer crítica pela judicialização. A liberdade se foi, a chatice se tornou obrigatória e não há mais a possibilidade de furar a bolha, de quebrar o esquema, de desorganizar o consenso, de sabotar a hegemonia.

Com Rita, morre a genialidade que constrange as poses de superioridade intelectual e moral. O que fica é tão somente a imposição do ruim.

Pe. José Eduardo Oliveira, via Facebook