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Segredos de Fátima: temos que acreditar?

Nossa Senhora de Fátima

Ricardo Perna | Shutterstock

Agnès Pinard Legry - publicado em 15/05/23

Nossa Senhora de Fátima é conhecida por ter revelado três segredos aos jovens pastores, Jacinta, Francisco e Lúcia. Esses três segredos foram agora todos revelados. Mas os fiéis são obrigados a acreditar neles?

Os três segredos de Fátima são um assunto que continua alimentando e provocando muita especulação. Há mais de cem anos, de 13 de maio a 13 de outubro de 1917, a Virgem Maria apareceu a Jacinta, Francisco e Lúcia, três jovens pastores, nas proximidades de Fátima, em Portugal. Em 13 de julho de 1917, durante sua terceira aparição aos três pastorinhos de Fátima, a Virgem Maria transmitiu uma mensagem essencial contendo três segredos.

Embora Francisco e Jacinta tenham morrido logo após as aparições, Lúcia, que havia se tornado freira, permaneceu como a única detentora da revelação e de seus três segredos, que ela foi anotando aos poucos. Foi somente em 1941 que os dois primeiros segredos foram revelados – com a permissão de Nossa Senhora. Foi somente no ano 2000 que o conteúdo do terceiro segredo foi revelado, sob o impulso de São João Paulo II.

Mas qual é o “status” concedido a esses segredos? Os fiéis são obrigados a acreditar neles?

No ano 2000, quando o terceiro segredo foi revelado, o Cardeal Ratzinger, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, forneceu uma resposta. Ele distinguiu entre “revelação pública” e “revelações privadas”, uma categoria à qual os segredos de Fátima pertencem.

Nesse sentido, a revelação pública, contida na Bíblia e concluída, é a única que “requer nossa fé”, ele nos lembra. “A fé em Deus e em sua Palavra é distinta de qualquer outra fé, crença ou opinião humana”, escreveu o Cardeal Ratzinger.

Um auxílio à fé

As revelações privadas, na medida em que remetem a Cristo e se referem a essa revelação pública única, são, por sua vez, um auxílio oferecido aos fiéis. “A revelação privada é um auxílio à fé, e se manifesta como crível precisamente porque se refere à única revelação pública”, enfatizou o Cardeal Ratzinger. E ele continua:

Ela deve ser alimento para a fé, a esperança e a caridade, que são para todos o caminho permanente para a salvação. Podemos acrescentar que as revelações privadas muitas vezes vêm principalmente da piedade popular e se refletem nela, dando-lhe novos impulsos e abrindo novas formas para ela.

“Tal mensagem pode ser uma ajuda válida para entender e viver melhor o Evangelho em nosso tempo e, portanto, não deve ser negligenciada”, conclui o Cardeal Raztinger. É uma ajuda que é oferecida, mas não é de modo algum obrigatório usá-la. Uma ajuda que não deve ser “negligenciada”, mas na qual os fiéis não são obrigados a acreditar.

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