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Por que há 40 dias entre a Páscoa e a Ascensão do Senhor?

JESUS' ASCENSION

Renata Sedmakova | Shutterstock

Morgane Afif - Reportagem local - publicado em 17/05/23

O período de 40 dias tem algo simbólico

A Ascensão é uma solenidade litúrgica, comum em todas as Igrejas cristãs. É celebrada 40 dias após a Páscoa da Ressurreição.

A solenidade marca o fim de um certo tipo de presença de Cristo na terra. Se a partir daquele momento Jesus não estaria mais visível, Ele lembra aos seus discípulos que está sempre presente:

“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

Mt 28,20

Os Atos dos Apóstolos registram que durante os quarenta dias após a Páscoa, Jesus apareceu várias vezes aos discípulos, até a Ascensão. A partir daquele momento, os discípulos, isto é, os cristãos, passariam a crer sem provas visíveis. E é no testemunho deles, aquele que o Novo Testamento nos deixou, que nós baseamos a nossa fé.

Os 40 dias entre a Ressurreição e a Ascensão

O período de 40 dias tem algo simbólico. Isso significa que, historicamente, 40 dias ou 40 dias e 40 noites, separaram, de fato, a Ressurreição de Cristo de sua Ascensão? Não necessariamente. Esses 40 dias, na realidade, designam um tempo de espera e recordam, ao mesmo tempo, os 40 dias do dilúvio que caiu sobre a Terra, os 40 anos do povo hebreu no deserto, os 40 dias do jejum de Moisés no Monte Sinai antes de receber a lei, os 40 dias de peregrinação do profeta Elias e os 40 dias que Cristo passou no deserto.

Todos traduzem uma duração, uma longa e misteriosa duração. Quarenta, na tradição da Igreja, é também o número dos dias da Quaresma: é o tempo da espera, o tempo do silêncio e da oração, um tempo necessário de prova, de caminho e de amadurecimento para se preparar para encontrar Deus. 

Um período necessário, também, para os discípulos se apropriarem da surpreendente verdade da ressurreição, para depois testemunhá-la. 

São quarenta dias para lembrar que a fé é um caminho, sempre um caminho, e que a prova, o ajustamento e a dúvida precedem a feliz união com Aquele que tanto nos ama.

Com afirma o cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, “A Ascensão não indica a ausência de Jesus, mas nos diz que Ele está vivo em meio a nós de modo novo; não está mais em um lugar preciso no mundo como o era antes da Ascensão; agora está no senhorio de Deus, presente em cada espaço e tempo, próximo a cada um de nós”.

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