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“Nada antepor ao amor de Cristo”

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Richard Semik | Shutterstock

Vanderlei de Lima - publicado em 21/05/23

O livro escrito por Dom Luís Alberto nos traz como fontes da vida monástica cisterciense a Sagrada Escritura, o Magistério da Igreja, a tradição monástica, a Regra de São Bento e o próprio patrimônio da Ordem com abertura ao momento presente da Igreja

“Nada antepor ao amor de Cristo”: Eis a obra da autoria de Dom Luís Alberto Ruas Santos, O. Cist. Publicada, em 2003, como Diretório Espiritual para monges e monjas da Congregação Brasileira dos Cistercienses, volta à luz – pela Editora Ecclesiae – com correções textuais, atualizações e complementos. Pode, desse modo, servir à espiritualidade de todo o Povo de Deus.

É o próprio autor quem nos diz: “Embora o texto tenha em sua origem uma destinação específica, foi redigido de tal modo que pode ser lido com proveito por um público mais amplo, para além do círculo mais limitado do meio monástico. Isto é possível porque a espiritualidade monástica é uma espiritualidade cristã, ainda que com acentos próprios” (p. 9). Daí o subtítulo ser “A vida cristã conforme a tradição beneditina e cisterciense”. Está a obra, que merece ser lida na íntegra, dividida em três longas partes: I. A teologia da vida monástica conforme a tradição beneditina e cisterciense (p. 15-38), II. As fontes da vida monástica cisterciense hoje (p. 39-57) e III. A vocação monástica (p. 59-283).

O livro escrito por Dom Luís Alberto nos traz como fontes da vida monástica cisterciense a Sagrada Escritura, o Magistério da Igreja, a tradição monástica, a Regra de São Bento e o próprio patrimônio da Ordem com abertura ao momento presente da Igreja. Vejamos, de modo sucinto, cada uma dessas fontes. 

A Escritura: “A identificação dos monges com a Sagrada Escritura foi tal que, nos começos, difundiu-se a opinião segundo a qual ler e meditar a Bíblia era algo próprio do estado monástico e não de todos os cristãos. Os primeiros testemunhos a respeito da vida monástica são unânimes em mostrar a grande devoção dos monges em guardar no coração a Palavra de Deus, revolvendo-a em seu íntimo numa constante meditação” (p. 39-40). 

O Magistério da Igreja: “As orientações e ensinamentos transmitidos geralmente a todos os cristãos ou aqueles que são dirigidos especificamente aos religiosos e aos monges e até mesmo, de forma particular à nossa família religiosa, devem ser objeto de toda veneração e acatamento. Isso cria em nós uma grave obrigação de buscar conhecer e compreender o que é ensinado pelo Magistério da Igreja e mais grave ainda de procurar acolher, em nossa existência concreta, o seu conteúdo que nos concerne mais de perto” (p. 43). 

A tradição monástica: os cistercienses consideram ser “de suma importância na formação monástica conhecer a tradição mais antiga, sem a qual não será possível compreender a vida monástica na sua forma atual que nada mais é do que a resultante de uma longa evolução” (p. 45). A Regra de São Bento: os monges que deixaram Molesmes para fundar Cister queriam “seguir a Regra de São Bento de forma mais fiel e ardorosa, suprimindo tudo o que fosse contrário à pureza da Regra ou acrescentado a suas prescrições” (p. 47). 

O patrimônio da Ordem:aqui, faz-se importante registrar que “uma das mais belas e fortes tradições espirituais dentro da Igreja pertence à família cisterciense. De fato, a herança da espiritualidade cisterciense é notável pela qualidade de seus autores, a uniformidade de sua temática e a profundidade e elevação da sua mensagem. Essa herança vai, porém, muito além dos escritos de autores espirituais, os assim chamados padres cistercienses, pois abrange outros testemunhos de grande importância como os documentos primitivos, que incluem as narrativas dos inícios de Cister e os primeiros testemunhos de sua legislação, e as vidas de seus santos e santas. Compreende ainda, como tradição viva e dinâmica que continua a produzir frutos, todos os documentos e escritos de valor espiritual produzidos pelos cistercienses até nossos dias” (p. 49-50).

Observamos apenas que, numa próxima tiragem, deveriam ser corrigidos alguns pequenos erros gráficos como “lêem” (p. 65), face-a-face (p. 247) e freqüência (p. 251). São pequeníssimas falhas humanas que, de modo algum, arranham a preciosidade da obra em foco. 

Parabéns ao autor, competente estudioso, e à Editora Ecclesiae.

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