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Vida conjugal: como 1 perdão pode beneficiar 4 pessoas

Casal abraçado

Antonio Guillem I Shutterstock

Mathilde de Robien - publicado em 15/06/23

Embora os benefícios do perdão não sejam evidentes diante da raiva, eles existem e se estendem, pelo menos, a quatro destinatários

Disputas, tensões e confrontos são inevitáveis ​​entre um casal. Mas a tradição cristã oferece um tesouro inestimável: o perdão. Deus misericordioso convida-nos a perdoar o próximo e, no casal, o próximo é o esposo (ou a esposa). 

O perdão é uma jornada que, dependendo da profundidade da mágoa causada, pode ser longa e dolorosa. Se não for concedido imediatamente, o mero desejo de perdoar já é um bom começo. O ponto de partida reside, segundo a fórmula de Santo Inácio de Loyola, “no desejo do desejo do perdão”. 

Cessar as hostilidades, continuar a dizer “olá” pela manhã, desejar continuar juntos na estrada: tudo isso já faz parte do caminho do perdão. Fazer as pazes não significa necessariamente esquecer a dor ou a injustiça do passado, mas permitir que o relacionamento volte aos trilhos e siga em frente.

O perdão é um modo de vida. Recusar-se a fazê-lo é fechar-se no ressentimento, na raiva e até no ódio. Sem falar que perdoar gera inúmeros benefícios, dos quais pelo menos quatro entidades se beneficiam. É o que lembra o Padre Patrick Langue, sacerdote jesuíta a serviço da diocese de Versalhes, na França.

Entenda quem são essas pessoas ou grupo de pessoas!

1O perdão beneficia quem o concede

O perdão é, em última análise, uma maneira de cuidar de si mesmo. Um pouco de egocentrismo é bem-vindo aqui! De fato, de acordo com alguns estudos, o perdão tem um impacto positivo na saúde. As expressões populares enfatizam bem isso: “não consigo digerir o gesto dele”, “dá um nó na garganta”… Permanecer no conflito mantém as tensões internas, e o corpo sofre com isso.

“Não perdoar é machucar a si mesmo”, diz o padre Patrick Langue. “Em vez de tratar o mal que o cônjuge nos fez, nós o mantemos, coçamos a ferida, infeccionamos. Cabe a nós colocar um limite ao mal, reduzi-lo, aniquilá-lo, esse é o papel do perdão: libertar da dor”, afirma o sacerdote.

2O perdão beneficia quem o recebe

O perdão pede perdão. Há algo contagioso no perdão. Quem nunca experimentou essa reciprocidade? Às vezes, basta pedir perdão com humildade e sinceridade ao cônjuge para que este se dê conta da sua parcela de responsabilidade e também peça perdão. “Meu perdão concedido permite que ele também peça perdão. Ele poderá se livrar do mal e seu desejo de fazer o bem crescerá”, enfatiza o Pe. Patrick Langue. 

3O perdão beneficia o casal

“O perdão é uma graça para o casal”, diz o padre jesuíta. “Cada perdão é um tesouro para o nós conjugal”, já que o perdão permite que o casal perdure. Talvez seja até o elemento mais importante para garantir a durabilidade do amor. “Só o perdão impede que o amor se apague como as cores que se desvanecem ao sol, só o perdão pode garantir um futuro àqueles que o sacramento do matrimônio uniu”, afirma o sacerdote.

4O perdão beneficia os filhos

O perdão entre um pai e uma mãe é um presente maravilhoso para os filhos. Por um lado, é um bom exemplo: sim, o perdão é possível, e não, não é sinal de fraqueza. Muito pelo contrário: o clima conjugal e, portanto, familiar é amenizado e os filhos só se sentem melhor com o perdão. “O perdão expresso entre os pais alimenta a sua paz interior, exorciza as suas angústias, fundamenta solidamente a sua esperança na continuidade da família e ensina-os a perdoar”, afirma o sacerdote.

Enfim, sendo o ser humano de natureza imperfeita, muitos perdões serão, sem dúvida, necessários ao longo da vida conjugal. A boa notícia é que quanto mais o coração treina para perdoar, mais fácil será conceder o perdão. Isso leva a outra forma de vigilância: abusar do perdão do outro!

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